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Sex | 30.05.14

Vencedores e vencidos

fcrocha

Lembram-se do editorial da semana passada? Parece que, mesmo sem grandes capacidades para fazer futurologia, acertei nos resultados. No entanto, em política os resultados eleitorais devem ser sempre analisados e decifrados.

 

Marinho e Pinto é, sem dúvida, um dos vencedores da noite. O antigo bastonário da Ordem dos Advogados apostou numa campanha nos programas da manhã nas televisões, dirigindo aos idosos, domésticas e desempregados um discurso antipolítico, e conseguiu um resultado meritório, bem acima de todas as expectativas.

 

A CDU, que ganha sempre, seja qual for o resultado, desta vez foi mesmo vencedora. Com o PS frágil e o Bloco sem liderança, tornou-se no único partido de esquerda consistente. Não foi o seu melhor resultado em eleições europeias, mas, mesmo assim, foi um excelente resultado.

 

O Bloco de Esquerda foi o grande derrotado. Mesmo com a direita no poder, o Bloco continuou a sua queda e quase desapareceu. O resultado eleitoral é fruto de um partido que não tem um líder e, acima de tudo, não tem definição enquanto partido. Desta forma, parece-me que o Bloco de Esquerda está a caminho da extinção.

 

Outro dos grandes derrotados é o CDS/PP. Embora tenha concorrido coligado com o PSD, o certo é que elegeu apenas um deputado, tanto como o Bloco de Esquerda. Por isso, teve o seu pior resultado de sempre em eleições europeias.

 

O PSD sai derrotado, mas não sofre nenhuma humilhação. Contra todas as previsões que apontavam para uma derrota estrondosa, acabou por perder por poucos. Toda a gente sabia que o PSD ia perder: está no Governo há três anos, a aplicar as mais duras medidas de austeridade de que há memória em democracia, que destruíram a classe média, que costuma ser a sua base eleitoral. O que não se esperava é que perdesse por tão pouco. Por isso, esta foi uma derrota com um sabor ligeiramente doce.

 

O PS é, ao mesmo tempo, vencedor e derrotado. É vencedor porque é, de todos os partidos, o que teve mais votos. Mas também é o derrotado, porque teve apenas mais 3,7 por cento do que a direita. Ou seja, uma diferença irrisória para um partido que apostou nestas eleições e que colou a situação do país às europeias. Na noite eleitoral, António José Seguro disse que “o actual Governo chegou ao fim” e houve até quem, no seu partido, exigisse eleições legislativas antecipadas. Olhando para as notícias destes dias, parece que as eleições antecipadas serão no PS.

 

Como disse no início, em política os resultados eleitorais devem ser sempre analisados e decifrados. Por isso, dizer que o PS ganhou porque ficou em primeiro é equivalente a dizer que o Marinho e Pinto perdeu porque ficou em quarto lugar.

 

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