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alinhamentos

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Ter | 18.03.14

Um exercício de ditadura

fcrocha

 

 

Nicolau Santos, o subdirector do Expresso, publicou ontem um artigo onde se mostrava chocado porque “no ano passado houve 300 cidadãos que compraram carros em que um novo jogo de pneus custa mais que o salário mínimo acumulado num ano: três Bentley, um Lamborghini, nove Ferraris, 14 Aston Martin e 273 Porsches”. Segundo o jornalista, “é que num país dizimado pelo programa de ajustamento um pouco de pudor talvez ajudasse a suportar a dor e passasse a ideia que, apesar de tudo, os sacrifícios estão a ser mais ou menos bem distribuídos”.

 

Que um sindicalista/comunista diga isto, ainda se compreende, que o subdirector do Expresso faça juízos de valor sobre quem compra um carro topo de gama, já não se compreende.

 

O texto de Nicolau Santos é um exercício de demagogia. Só falta sugerir que se proíba a venda de carros topo de gama em Portugal como forma de resolver os problemas sociais.  

 

Provavelmente não serão todos, mas ainda há muitos empresários honestos e com sucesso, que pagam os seus impostos atempadamente, pagam salários oportunamente e que podem fazer do seu dinheiro o que bem lhes apetecer. Quem compra um carro desses paga mais de metade em impostos, depois de ter pago outro tanto em impostos sobre os rendimentos. Um país só cria riqueza se existirem empresários ricos e honestos para criarem postos de trabalho.

 

Se eu tivesse muito dinheiro investiria num carro desses? Certamente que não. Mas cada um faz o que bem entender com o seu dinheiro. Era o que havia de faltar que os jornalistas e a imprensa começassem a questionar as compras pessoais feitas pelos cidadãos.

 

Declaração de interesses: O meu carro é de 2005, não é um topo de gama e não planeio trocar de carro a curto prazo.