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alinhamentos

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Qui | 01.11.18

Um ano de política autárquica: os poderes

fcrocha

Se há duas semanas fazíamos um breve balanço sobre as oposições, chegou a altura de passar os olhos por este primeiro ano de mandato dos executivos municipais da região.

 

Comecemos por Lousada. Este primeiro ano foi tranquilo no que respeita à governação. No entanto, parece-nos que Pedro Machado poderá ter chamado a si demasiados pelouros trabalhosos. Desse modo, ao não delegar alguns desses pelouros nos seus vereadores, reduz o seu tempo disponível para estar mais próximo da população. Isto deveria preocupar o PS de Lousada, pois a vitória pouco expressiva nas últimas eleições e o aparecimento de um adversário que é político de carreira poderão dificultar uma eventual reeleição.

 

Em Paços de Ferreira, depois da reeleição pelo resultado mais expressivo de toda a região, Humberto Brito tem tudo para passar um mandato tranquilo. No entanto, neste primeiro ano, o tarifário da água para o pequeno comércio – que permite que comerciantes que gastam água paguem menos do que os que não gastam água nenhuma – ganhou contornos mediáticos desnecessários. É de realçar, neste primeiro ano, a intenção de criar uma empresa municipal para a recolha do lixo, numa tentativa de resolver aquele que é, neste momento, o problema maior daquele concelho.

 

Por Paredes, é tudo novo: quer o presidente, quer o partido que governa. Neste primeiro ano, Alexandre Almeida parece ter gasto mais tempo na caça às bruxas e nos ajustes de contas com algumas pessoas ligadas ao anterior executivo do que propriamente a governar. A verdade é que, um ano depois, a única mudança sentida pela população foi o aumento do número de festas, que decorrem umas atrás de outras. Isto só não é mais grave para o PS porque, neste momento, não tem uma oposição forte. Embora o povo diga “quem muda, Deus ajuda”, os resultados deste primeiro ano de mandato deixaram muito a desejar, certamente fruto da inexperiência do novo executivo. Por isso, espera-se que o adágio popular se torne verdade daqui para a frente.

 

Em Penafiel, Antonino de Sousa passou este primeiro ano com o seu trabalho escondido por algumas nuvens. Uma delas foi o relatório da Direcção-Geral das Autarquias Locais (DGAL) que atirou o município de Penafiel para os piores lugares da região no que toca ao aumento da dívida e ao prazo médio de pagamento a fornecedores. É certo que estes resultados são fruto do não-cumprimento, por parte do Estado, do pagamento dos fundos comunitários, mas, mediaticamente, essa explicação parece não ter chegado à população. Se é verdade que tudo isto assombrou o início do mandato, também é verdade que este primeiro ano terminou com o anúncio da criação de captação de novas empresas para o concelho e a criação de cerca de mil novos postos de trabalho. É de realçar que, na região, foi o único município a prestar contas, de forma concreta, do primeiro ano de mandato.

 

Quanto a Valongo, depois de um primeiro mandato em que esteve refém de uma oposição em maioria e pouco colaborativa, o PS local conseguiu a maioria absoluta e José Manuel Ribeiro deixou de depender de reuniões de executivo semanais e condicionadas. De forma hábil, tratou de fazer no início do mandato todos os aumentos de preços de bens e serviços que havia para fazer – por exemplo, na água e na recolha do lixo –, provocando todo o ruído mediático daí resultante enquanto dispunha do chamado “estado de graça” e deixando para uma fase seguinte o anúncio das medidas que lhe são mais favoráveis. O certo é que, ao final de um ano, a estratégia funcionou: as várias medidas positivas que tem vindo a apresentar apagaram qualquer ruído que ainda existisse das reacções aos aumentos dos preços do início do mandato.