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alinhamentos

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Qui | 19.06.14

Liberdade de escolha

fcrocha

Há quem desconfie da liberdade de escolha das famílias com o mesmo tipo de pensamento que os sindicalistas da CGTP desconfiam de todos os patrões. Vem isto a propósito dos exames nacionais que estão a decorrer e do ranking que a seguir se há-de fazer com base nesses mesmos resultados.

 

Vivemos num país cheio de contradições. Por exemplo, num mesmo noticiário televisivo conseguimos ver pessoas a defender tudo o que é público como sendo muito bom (desde o ensino à saúde) e tudo o que é privado como sendo um grande mal. No entanto, essas pessoas são as mesmas que, no mesmo noticiário, são capazes de atribuir todas as culpas do país a quem nos governa. Mas, afinal, o que é público não é gerido por quem nos governa? Como é que uma coisa pode ser boa e má ao mesmo tempo?

 

Um dos assuntos em que esta contradição aparece vezes sem conta é na discussão sobre a escola pública. Justifica-se a escola pública para dar oportunidades iguais a alunos mais desfavorecidos, depois justificam-se os maus resultados nacionais com o facto de essas mesmas escolas serem frequentadas por alunos de classes desfavorecidas. Ou seja, admite-se que a escola pública não cumpriu a missão que justificava a sua existência.

 

A cada ano que passa, os rankings elaborados pelo próprio ministério mostram um fosso cada vez maior entre escolas públicas e escolas privadas. Por exemplo, no último ranking a escola pública mais bem colocada aparecia no 32.º lugar. Paradoxalmente, foi na escola pública que foi gasto mais dinheiro nos últimos anos. Basta que nos lembremos dos milhões e milhões gastos pela Parque Escolar.

 

Podemos encontrar inúmeras justificações para esta discrepância de resultados, mas, no meu entender, isto acontece por uma razão principal: a escola privada tem de mostrar resultados aos pais para conseguir atrair mais alunos, a escola pública só presta contas a um Ministério, uma coisa distante lá em Lisboa, e não tem que se preocupar em conseguir mais alunos.

 

Apesar de tudo, continua a gastar-se dinheiro a rodos na escola pública e não é dada a liberdade de escolha aos pais. Esta liberdade de escolha seria possibilitar que cada família diga onde quer que o seu filho estude, subsidiando as famílias pobres com o mesmo dinheiro que o Estado gasta com os seus filhos na escola pública.

 

Quando isso acontecer, a escola pública estará em pé de igualdade com as escolas privadas. Nessa altura, deixarão de estar preocupadas com prestar contas ao Ministério, mas sim em prestar contas aos pais, tentando convencer os pais, pelos resultados escolares, a manterem os seus filhos na escola pública. 

 

Enquanto isso não acontecer, vamos continuar a ter uma escola pública cada vez pior, gerida por conselhos executivos nomeados de acordo com a cor política do momento e, ao mesmo tempo, excelentes professores desmotivados e manietados por um sistema de ensino que não reconhece o mérito do seu trabalho.

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