Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

Honradez e espírito de serviço

 

 

A propósito dos factos mediáticos dos últimos dias, lembrei-me de uma entrevista que li há uns tempos a Joaquín José Lavín, um engenheiro e político chileno que foi presidente da Câmara de Santiago, ministro da Educação e ministro do Desenvolvimento Social do Chile até ao ano passado.

 

Nunca como hoje a palavra “político” esteve tão desacreditada no nosso país. Se, até aqui, a associávamos a conflitos e debates sem sentido, agora também a associamos à prática de actos menos sérios. Mas a verdade é que os políticos são imprescindíveis para o funcionamento de um Estado democrático. O país precisa de políticos honestos, que se prestem ao serviço público, movidos por um afã recto e nobre de melhorar a sociedade.

 

Na citada entrevista, Joaquín José Lavín falou do melhor conselho que recebeu na vida, quando uma vez, em Roma, perguntou a um bispo o que deveria fazer um político que queria exercer o seu cargo inspirado nos valores cristãos. “Um político com inspiração cristã deve procurar sempre duas coisas: servir e unir”, respondeu o bispo

 

Em regra, a política não se entende assim e, por isso, não é fácil unir e muito menos servir. Muitos dos problemas da nossa democracia têm que ver com as pessoas que assumem cargos políticos aproveitando-se da autoridade inerente ao cargo para se servirem, desde o pequeno aproveitamento até actos maiores de corrupção.

 

Muitas vezes, a agenda dos políticos, sejam ministros ou presidentes de Câmara, é muito diferente das preocupações comuns e correntes dos cidadãos não porque andem especialmente distraídos, mas por falta de espirito de serviço. O que as pessoas e as famílias mais querem são coisas simples de entender, mas muito importantes, tais como trabalho, segurança, acesso à saúde, boa educação para os filhos e estabilidade. Por isso, a política tomada como serviço público não é um trabalho hediondo. Pelo contrário, é um serviço nobre, se desempenhado com integridade e honestidade e com a intenção de servir e unir.

 

Que os acontecimentos destes dias não nos desmoralizem nem nos levem a classificar todos por igual, já que continua a haver em Portugal pessoas honradas e qualificadas para o serviço público e essas devem ser, mais do que nunca, respeitadas e apreciadas. Acima de tudo, que estes tristes episódios que vemos desenrolar-se sirvam para que estejamos mais atentos e sejamos mais cuidadosos na escolha de quem merece o nosso voto, em actos eleitorais.

 

 

alinhado por fcrocha às 10:00
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