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Qui | 09.04.15

“Feira Franca”? Francamente!...

fcrocha

O Parque José Guilherme é o parque mais antigo do concelho de Paredes. São cerca de 10 mil metros quadrados em pleno centro da cidade de Paredes, numa área que já foi de tranquilidade e confraternização e que é também um local de homenagem ao Comendador José Guilherme Pacheco, cidadão benemérito do concelho.

 

Ao longo dos anos, aquela que era considerada a sala de visitas do concelho sofreu várias alterações. Já lá existiu um rinque de patinagem que foi demolido para dar lugar a um lago com patos, e, há poucos anos, a Câmara Municipal decidiu requalificar aquele espaço, reconstituindo o formato original do jardim, típico do século XIX. Na altura da inauguração das obras de requalificação, Celso Ferreira apelidou o Parque José Guilherme de “jóia da coroa da cidade de Paredes”, realçando que havia sido devolvida à cidade a dignidade que esta merecia.

 

Há uns tempos, a Câmara Municipal decidiu ali promover a “Feira Franca” ao domingo de manhã. Confesso que o modelo me pareceu interessante: o Parque José Guilherme transformava-se numa feira onde era possível encontrar artigos de artesanato, produtos hortícolas e até bolos caseiros, tudo vendido directamente pelos respectivos produtores. Na verdade, o modelo funcionava e trouxe vida ao centro da cidade.

 

Infelizmente, assistiu-se a uma degradação progressiva desse modelo inicial: os artesãos quase desapareceram, os produtos hortícolas estão reduzidos a fruta vendida por comerciantes e grande parte do espaço disponível foi sendo ocupado de forma caótica por pessoas que tentam vender artigos em segunda mão que em muitos casos deixam muito a desejar. 

 

Por entre a desordem que actualmente se estende da escadaria do Tribunal até à entrada do edifício dos Paços do Concelho, é possível encontrar, entre outras bugigangas, guarda-lamas de motorizadas, rodas de bicicletas, chaves de rodas, toalheiros em ferro, telemóveis usados (em quantidades industriais), torneiras velhas, jantes de automóveis, telecomandos da MEO, antenas parabólicas da ZON, cartões de telemóveis da Vodafone, chaves de parafusos e até pneus usados. Os passeios, por seu lado, passaram a estar ocupados pelos veículos dos “feirantes”.

 

Parece-me ser forçoso reavaliar com urgência a validade da “Feira Franca”, a qual, tal como está, a continuar, deveria ser transferida para o parque da feira, com duas vantagens:  a feira funcionaria no local próprio e o Parque José Guilherme seria devolvido à cidade, com o seu prestígio recuperado.

 

Enquanto assim não for, a “jóia da coroa” está transformada na “rainha da sucata”.

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