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Qui | 17.04.14

Editorial: Sem ovos não há omeletas

fcrocha

Esta semana, foram muitos os que ficaram escandalizados com um documento de Bruxelas que sugeria ao Governo português que ligue as pensões de reforma aos factores económicos e demográficos. Ou seja, o valor das pensões de reforma que vamos receber no futuro deverá estar indexado à demografia e à economia. Se assim não for, as pensões deixam de ser pagas pelo que se desconta e passam a ser pagas à custa do aumento de impostos.

 

Foram muitos os políticos, sindicalistas e comentadores que se apressaram a comentar este documento de Bruxelas, ao mesmo tempo que vociferavam contra a troika e contra o Governo português. Uma coisa é certa: se não indexarmos as reformas à realidade, dentro de pouco tempo não recebemos mesmo nada. E isto tudo explica-se facilmente.

 

Há algumas décadas que Portugal presencia uma calamidade demográfica. Para garantir o equilíbrio demográfico do nosso país era necessário garantir que cada mulher tivesse 2,1 filhos. Ora, os últimos dados conhecidos dizem-nos que a taxa de natalidade está nos 1,28 por mulher, ou seja, temos uma das piores taxas de natalidade do mundo.

 

Em 2012, os nascimentos não chegaram aos 90 mil e morreram quase 108 mil portugueses. Para além destes dados há outro que importa reter: a esperança média de vida aumentou. Quer isto tudo dizer que há cada vez mais pessoas a receber reforma, e por mais anos, do que pessoas a trabalhar e descontar para alimentar o sistema da Segurança Social. Portugal avança para o abismo.

 

Para solucionar este problema parece-me que só há duas alternativas: primeiro, é preciso ajustar o sistema de pensões à realidade; segundo, é preciso fazer uma aposta forte no futuro, com a implementação de medidas sérias de incentivo à natalidade.

 

Certamente que um dia destes irei contar aos meus filhos, com nostalgia, que ainda sou do tempo em que o meu pai tinha a reforma calculada a partir das últimas folhas de vencimento.

 

 

SOBE E DESCE

 

Sobe: Folia  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pelo 14.º ano consecutivo, a Câmara Municipal de Lousada e a Companhia de Teatro Profissional Jangada organizam o FOLIA – Festival Internacional de Artes do Espectáculo de Lousada. A partir do dia 24, e durante 10 dias, a vila assiste a um verdadeiro festival de teatro, musica e dança. Há espectáculos gratuitos e para os restantes o preço do bilhete é simbólico. Numa altura em que os cortes atingem todas as autarquias, o Município de Lousada continua a apostar num evento cultural que, de ano para ano, continua a crescer em programação e em auditório.

 

 

 

Desce: Dom Roberto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O facto de alguém pensar de maneira diferente da minha em assuntos que fazem parte da liberdade de opinião, não justifica de modo nenhum que lhes tenha hostilidade ou até que as trate com desinteresse (como o podem comprovar alguns dos meus melhores amigos). No entanto, quando se trata de notícias, referindo-se apenas a acontecimentos indesmentíveis, não estamos no campo da opinião, mas sim da informação. Por isso, não se compreende que, perante a notícia que foi a manchete da edição da semana passada, baseada em factos concretos e acompanhada dos documentos que a suportam, o vice-presidente de um município se tenha transfigurado em Dom Roberto, figura centenária do teatro de fantoches português caracterizada por uma “voz de palheta”, vocabulário rasteiro e injurioso e vontade de resolver tudo à traulitada.

 

O problema está na falta de educação, que é inaceitável, e no estilo, que é obsoleto. Para modernizar um concelho, têm de se modernizar as atitudes dos seus agentes políticos. Talvez esteja aí a primeira falha.