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Qui | 03.07.14

Amarrados pela “heroína”

fcrocha

Todos os Governos, sejam de direita ou de esquerda, têm uma tendência natural para fazer com que o número de pessoas dependentes do Estado aumente o mais possível. Os subsídios do Estado, mesmo para as empresas, têm um efeito parecido com o da heroína. A maioria das pessoas, depois de estar amarrada, permanece amarrada a essa dependência e nem se apercebe disso. Mesmo algumas empresas, como é o caso das de comunicação social, interiorizam que têm direito a esses subsídios. Isto acontece porque os Governos também são, eles próprios, dependentes – não dos subsídios, mas do poder. Para aumentar o poder, têm que aumentar cada vez mais os subsídios. Na maioria das vezes nem interessa se o país tem ou não capacidade para os conceder, mas continua a contrair empréstimos, a endividar o país, para manter a “heroína” a funcionar. Parece ser um círculo vicioso que se tornou autónomo.

 

Esta semana, o ministro Poiares Maduro anunciou seis novas formas de subsidiação para a comunicação social local e regional. Embora aparentemente seja uma coisa boa, não passa disso mesmo: aparência. Subsidiar empresas privadas é, para além de instituir o sistema de dependência a que me referi, uma forma de deturpar a concorrência natural entre empresas num mercado.

 

Na semana passada, celebrámos o nosso sétimo aniversário. Na altura em que foi fundado o VERDADEIRO OLHAR, existiam vários semanários nesta região. Todos beneficiaram de subsídios, fosse através do porte pago ou de outras formas de subsidiação estatal. À medida que os subsídios foram terminando, foram desaparecendo, um a um.

 

Outro exemplo mais recente é o caso dos subsídios atribuídos a órgãos de comunicação social locais pela associação intermunicipal Ader-Sousa, através de um qualquer programa europeu para o desenvolvimento rural. Em alguns casos, os subsídios chegaram a cerca de duas centenas de milhares de euros, mas não conheço uma dessas empresas que tenha criado um posto de trabalho para um jornalista e algumas delas até já desapareceram de circulação.

 

Se o Governo quer mesmo ajudar a comunicação social local e regional, basta que faça cumprir a lei: que feche os jornais que não cumprem a periodicidade de publicação anunciada e aqueles que nem sequer têm jornalistas; que obrigue os jornais a certificarem a sua tiragem; que impeça os jornais de publicarem publi-reportagens como se fossem notícias.

 

Se o Governo fizer cumprir a lei, estará a ajudar verdadeiramente as empresas de comunicação social sem, com isso, interferir na concorrência normal e saudável do mercado.