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Qui | 20.02.14

A gravidez e a crise

fcrocha

 

 

Na tarde da passada sexta-feira, fui ao Porto, a uma reunião de trabalho. Como a reunião era na Baixa da cidade, fui – como habitualmente – de comboio. Na viagem de regresso, a meio da tarde, quando o comboio parou na estação de Campanhã, subiu uma jovem bonita, elegante e visivelmente grávida. Sentou-se no banco à minha frente e ao lado de uma senhora que deveria ter uns 60 anos. A senhora olhou-a com um sorriso e rapidamente meteu conversa com ela. Como a conversa era mesmo em frente a mim, fiquei a saber que a jovem, embora não parecesse ter idade para isso, estava já na terceira gravidez e que o seu filho se iria chamar João Pedro. Quando o comboio chegou a Cete, a senhora mais velha saiu, acariciou de forma amável a enorme barriga da jovem e desejou-lhe as maiores felicidades. Eu saí em Paredes e a jovem seguiu viagem.

 

O que mais me chamou a atenção, neste pequeno episódio, foi a amabilidade e a alegria da senhora mais velha. A alegria com que falava da gravidez, dava conselhos e o gesto bonito e carinhoso como expressava abertamente o amor pela vida e o respeito e admiração pela jovem grávida.

 

Tudo isto me fez pensar que apoiar a maternidade é uma medida eficaz para sair da crise. Confesso que me dá pena que o Governo não olhe para uma mulher grávida como uma mais-valia para o país que pode ajudar a prevenir crises futuras. Custa-me perceber que se continuem a fazer cortes nos apoios à maternidade, cortes esses que deixam muitas mulheres grávidas vulneráveis e em risco de exclusão social, ao mesmo tempo que esses cortes não afectaram num único cêntimo a política de financiamento do aborto nos hospitais públicos e o apoio dado às mulheres que o decidem fazer (recorde-se que uma mulher que faça um aborto tem direito a um subsidio de maternidade). O país faz cortes na saúde, nas pensões, obriga as famílias a passar por necessidades, mas não cortou no financiamento do aborto público.

 

Uma sociedade só se consegue aguentar se existir crescimento geracional. No entanto, no nosso país há um défice de crianças e não se fomenta a natalidade. Parece-me necessário que a natalidade seja reconhecida como um bem social a proteger e um factor imprescindível de progresso e bem-estar social. Esse apoio à maternidade não se faz apenas com dinheiro – é necessário que se criem políticas laborais que não façam com que uma mulher grávida seja obrigada a escolher entre a profissão e o filho. É preciso conciliar o trabalho com a vida familiar.

 

Quem dera que os nossos governantes tivessem pela maternidade o mesmo olhar carinhoso e alegre que aquela senhora mais velha teve para com aquela jovem grávida...

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