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Qui | 10.04.14

A estratégia do Coelho

fcrocha

No clássico de Lewis Carrol, “Alice no País das Maravilhas”, há uma passagem em que Alice chega a uma bifurcação e pergunta ao Coelho qual é o melhor caminho. Sabiamente, o Coelho pergunta-lhe para onde é que ela quer ir, ao que Alice responde que não sabe. O Coelho responde-lhe que, assim sendo, qualquer um dos caminhos serve. Recorro ao exemplo de Alice para fazer um paralelo com a estratégia seguida pelo município de Paços de Ferreira relativamente à indústria de mobiliário.

 

Durante alguns anos a estratégia para dinamizar a indústria local passou por enfiar um boné na cabeça do treinador do clube de futebol. Resultado: a maioria das exposições de mobiliário à face da estrada nacional faliram e o dinheiro gasto no boné do treinador dos “Castores” serviu apenas para financiar o futebol.

 

A seguir, investiram em zonas industriais. Tantas que deve ser o concelho do país que as tem em maior número. Resultado: as zonas industriais estão vazias e a empresa municipal respectiva está falida e com dezenas de milhões de euros de dívidas aos bancos e aos fornecedores.

 

Há duas semanas, o Vice-Primeiro-Ministro esteve na feira “Capital do Móvel” e disse que queria fazer de Paços de Ferreira a “capital europeia do mobiliário”. As declarações de Paulo Portas não surpreendem ninguém, é a táctica das frases feitas, mesmo que não saiba do que está a falar. Mesmo assim, o actual Presidente da Câmara apressou-se a anunciar que ia registar o título, como se isso fosse a solução para a indústria de um concelho que passa pelas ruas da amargura.

 

O concelho de Paços de Ferreira terá hoje, provavelmente, mais zonas industriais do que grandes empresas de mobiliário com capacidade para exportar. Antes de avançar por qualquer outro percurso ao acaso, parece-me que é necessário definir uma estratégia para depois poder escolher um caminho. Para que isso seja possível, primeiro é preciso estudar exaustivamente o assunto, talvez com a ajuda de uma ou outra universidade, e só depois traçar um objectivo e persegui-lo. Enquanto isso não for feito, corre-se o risco de continuar a gastar milhões de euros, como aconteceu até agora com a PFRInvest, endividando o município, ao mesmo tempo que se assiste à “Capital do Móvel” a definhar a olhos vistos.

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