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Qui | 13.02.14

A ESPERANÇA DE PODER TER ESPERANÇA

fcrocha

À semelhança de muitos dos leitores, senti – e sinto – na pele o que é a crise. Por exemplo, no jornal, fomos obrigados a ajustar-nos à crise, com consequências para cada uma das pessoas que aqui trabalham. Em casa, a minha família sentiu com a crise e tivemos que nos adaptar a uma realidade diferente. Por isso, sei muito bem que tudo isto provoca más notícias. Mas também sei que nem tudo são más notícias. Por isso, custa-me ver diariamente as más notícias de sempre a receberem destaque de abertura dos telejornais e as boas notícias que vão aparecendo a serem ignoradas ou silenciadas. Choca-me ainda mais quando essas boas notícias são fruto dos sacrifícios que a maioria dos portugueses têm passado. É como se as boas notícias provocassem mal-estar a quem tem obrigação de as divulgar. Um exemplo: é certo que o desemprego se mantém elevado, mas cai há 10 meses consecutivos; há meio ano, dizia-se que o défice seria um descalabro, mas há poucos dias a Direcção-Geral do Orçamento veio dizer que o défice ficará abaixo da meta imposta pela troika; há um ano, anunciava-se a espiral recessiva da economia portuguesa, mesmo que hoje todos os indicadores económicos mostrem um crescimento económico. É certo que continuaremos a sentir na pele as consequências da crise, mas não é menos verdade que Portugal está a recuperar. Esconderem-nos isto é roubar a esperança a milhares de portugueses que sofrem diariamente.

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