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alinhamentos

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Sex | 11.01.13

Pornografias

fcrocha

Pornográfico I. Confesso que tenho muita dificuldade em compreender os raciocínios usados para cobrar impostos neste meu país. Cada vez que faço uma refeição num restaurante, o Estado cobra-me 23 por cento de IVA. No entanto, esta semana fiquei a saber que, se tivesse ido ver umas galdérias ao Salão Erótico, o mesmo Estado ter-me-ia cobrado apenas seis por cento de IVA. Sou obrigado a concluir que há quem acredite que ir ao Salão Erótico é uma necessidade primária e alimentar-me é um luxo. Numa altura em que pagamos impostos sobre tudo, não há um político – um único só – que tome a diligência de sugerir o fim desta pouca-vergonha?  

 

Pornográfico II. Durante três dias, o “Jornal de Notícias” destinou seis páginas a contar uma história que pode ser condensada em poucas linhas. Em 2009, Domingos Barros foi o mandatário da candidatura de Artur Penedos (à altura, assessor de José Sócrates) à Câmara Municipal de Paredes. Nesse mesmo ano, a Auto-Estradas do Douro Litoral pagou à empresa de Domingos Barros mais de meio milhão de euros por um terreno com menos de mil metros quadrados. A mesma empresa pública pagou ao vizinho de Domingos Barros apenas 35 mil euros por um terreno que tem mais do dobro do tamanho do que aquele que este tinha vendido. Domingos Barros recebeu metade do seu meio milhão um mês antes das eleições autárquicas e a outra metade no mês seguinte a essas eleições. O vizinho recebeu no ano seguinte. Eu não sei se isto é ilegal – é um assunto para os tribunais decidirem –, mas é decididamente imoral.

 

Pornográfico III. Glória Araújo também teve direito a honras de notícia nacional, também pelos piores motivos. A deputada de Paços de Ferreira foi detida, de madrugada, numa operação-stop no centro de Lisboa, por conduzir com excesso de álcool no sangue, 2,41 gramas por litro, quase cinco vez mais do que o consentido por lei. A deputada faz parte da Comissão de Ética e participou em várias acções sobre segurança na estrada. Na verdade, a única coisa que surpreende nesta notícia é o facto de ela não ter entrado em coma alcoólico com aquela taxa de alcoolemia.

 

Ânimo! Por tudo isto que acabei de escrever, acredito cada vez mais no povo do meu país. É que ser governado por gente deste calibre e sobreviver, não é para qualquer país europeu. O país aguenta-se porque é constituído por uma massa anónima de gente boa e trabalhadora. Ou como dizia o outro ministro: “Somos o melhor povo do mundo!”.

 

 

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