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alinhamentos

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Sab | 06.10.12

Um doce veneno.

fcrocha

O Cardeal Mazarin, sucessor de Richelieu e primeiro-ministro de França, escreveu um livro que deveria ser lido pela maioria dos autarcas desta região: “O Breviário dos Políticos”. Uma das máximas mais conhecidas deste livro é: “Em cada 15 que elogiam, pelo menos 14 mentem”. Mazarin conhecia bem quem o rodeava e resolveu escrever o seguinte conselho aos seus aduladores: “Fala sempre com um ar de sinceridade, e faz crer que cada frase saída da tua boca vem directamente do coração, e que a tua única preocupação é o bem comum. Afirma, além disso, que nada te é mais odioso do que a bajulação (…) Exercita-te em simular cada um dos sentimentos que pode ser útil manifestares, até estares como impregnado deles. Não mostres a ninguém os teus sentimentos reais. Disfarça o teu coração como se disfarça o rosto. Que as palavras que pronuncias, as próprias inflexões da tua voz participem no mesmo disfarce. Jamais esqueças que a maior parte das emoções se lê no rosto”.

 

Vem isto a propósito da bajulação, da adulação e da falsidade da vida política local. São poucas as actividades humanas que se prestam tanto ao exercício destas atitudes de subserviência interesseira como a política.

 

No interior deste mundo encontram-se os poderosos pontos focais dos agrados, da lisonja interesseira, da busca de acesso e proximidade, tanto pela capacidade de usar o poder para gratificar, escolher, promover, prestigiar, como para prejudicar, para perseguir, punir ou excluir pessoas. Para a maioria, a bajulação e o elogio são o caminho mais curto e seguro para chegar ao coração de quem lida com poder.

 

Não há como ignorar que são os políticos que geram os aduladores. Fossem eles mais resistentes e indiferentes às adulações, e elas não seriam praticadas com tanta frequência. São-no porque, por certo, produzem os resultados desejados.

 

A um ano das eleições autárquicas, começam a ver-se as bajulações e os efeitos delas. Aos políticos locais, convinha não esquecer o axioma de Mazarin – de 15 elogios, 14 são falsos – para não deixar embriagar o espírito crítico. O axioma pode até ser exagerado, mas não estará muito longe da realidade.

 

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