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alinhamentos

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Qua | 03.10.12

É preciso mais.

fcrocha

Há quase 30 anos, tal como agora, o nosso país recorreu à ajuda externa. Dessa vez foi o FMI a amparar o país, desta vez foi a “troika”. Há 30 anos, era a esquerda que aplicava as medidas de austeridade e a direita que reclamava; hoje, é ao contrário. As políticas de austeridade estão a dar os mesmo resultados que deram das outras vezes: as contas públicas começam a equilibrar-se.

 

Mas esta crise não se resolve apenas pondo as contas públicas em dia. A origem de todos os problemas é a falta de produtividade do país. Se o país chegou a esta situação de falência, foi porque não produz praticamente nada. É certo que tivemos Governos que gastaram dinheiro como se não houvesse amanhã, mas a causa de tudo isto é o facto de não produzirmos nada. De nada nos servirá ficar com as contas públicas liquidadas se entretanto não começarmos a produzir para exportar. A não ser que deixemos todos de comer, as contas vão voltar a desequilibrar-se, vamos voltar a pedir dinheiro emprestado, a gastar o que não é nosso e, certamente, voltar a ficar a dever a quem nos emprestou o dinheiro.

 

Já vem do tempo em que Cavaco Silva era o primeiro-ministro o país cometer erros descomunais no tecido produtivo. A enxurrada de dinheiro barato que recebemos desde então serviu apenas para fazer prosperar negócios que não produzem nada, em sectores de actividade que não passam de serviços, e afectou de forma catastrófica toda a economia nacional.

 

Como seria fácil de perceber, um país que há mais de 20 anos anda a destruir os sectores produtivos, rapidamente deixa de ter o que vender. E como não vende, não recebe. Como não recebe, pede emprestado. Quem pede emprestado, tem que pagar. Foi isto que nos aconteceu.

 

Nas três vezes que o país precisou de ajuda financeira internacional, o Estado comprometeu-se a fazer reformas estruturais e a liberalizar a economia, para não sufocar quem ainda produz alguma coisa. Receio que, como há 30 anos, os resultados sejam os mesmos. Se assim for, é uma questão de tempo até precisarmos novamente de ajuda.