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alinhamentos

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Sex | 10.02.12

Os sindicatos

fcrocha

Sindicatos I. Em Outubro de 2009, duas empregadas da Misericórdia de Penafiel foram suspensas e alvo de um processo disciplinar. Eram acusadas de justificar falsamente as suas faltas ao trabalho e de roubar alimentos da Misericórdia. Isto só foi notícia porque uma das funcionárias era a delegada sindical e, como tal, teve direito ao show-off armado pela estrutura sindical. Agora, o caso volta a reaparecer. Desta vez, foi o sindicato a comunicar que a sua delegada sindical havia sido readmitida. Neste momento, o leitor deve estar pensar que a senhora foi reintegrada porque se provou a sua inocência. Nada disso! Segundo um comunicado do sindicato, a delegada sindical foi reintegrada porque “o actual Provedor aceitou a reivindicação do sindicato de integrar sem mais a nossa Delegada”. Mas diz mais, atesta que o novo Provedor “preferiu evitar mais custos para a instituição e evitar ter que enfrentar o julgamento no Tribunal do Trabalho”. Ou seja, o sindicato não fez questão de provar que as denúncias que caíam sobre a sua sindicalista eram falsas; o Provedor não resistiu à pressão do sindicato e cedeu.


Sindicatos II. Não quero, nem posso, tecer juízos de valor sobre as acusações que foram feitas à delegada sindical, mas não posso deixar de estranhar o deleite do sindicato pelo facto de ter conseguido a admissão da empregada por via da coacção, em vez de ter conseguido comprovar a sua inocência. A postura deste sindicato afecto à CGTP é a mesma de outros: conseguir os seus objectivos através da pressão, nunca pela razão.


Sindicatos III. Falar de sindicatos é falar da CGTP e, consequentemente, do PCP. A CGTP é o braço armado do PCP, com os discursos sempre ajustados com a orientação comunista. A CGTP luta por conseguir cada vez mais Estado, porque a sua força está nas áreas da administração pública e nas empresas públicas, essencialmente nas empresas de transportes públicos. É aqui que os sindicatos mostram a sua força, paralisando os serviços essenciais, acarretando prejuízos aos utentes e ao país. É surpreendente que, num país europeu e democrático, um partido que tem uma expressão eleitoral marginal seja detentor de um instrumento que provoca tantos danos aos portugueses e a Portugal. Um dia desses, pode valer a pena fazer contas quanto à relação entre o valor auferido pelos delegados sindicais e a sua produção. Facilmente se chegará à conclusão que são, provavelmente, a classe dependente menos produtiva do país.