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alinhamentos

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Qui | 25.08.11

Não estamos nos cuidados paliativos.

fcrocha

Toda a gente diz que está tudo muito mal. Dos debates televisivos às conversas de café: isto está muito mal e está cada vez pior. Mas será mesmo assim? Às vezes temos memória curta. Mesmo com o país mergulhado numa grave crise, os tempos que vivemos hoje não são comparáveis aos da miséria que se vivia em Portugal há pouco mais de 30 anos. Em 30 anos passamos por isto duas vezes e sobrevivemos. Portanto, há que deixar a lamúria e agir.

 

Eu acredito que esta crise tem solução, mas não acredito que o Governo seja a única solução. A solução não passa pelo Orçamento de Estado. Embora ajude em alguma coisita, a verdadeira austeridade será paga pelos trabalhadores e pelos pequenos e médios empresários. Quando os governos falam em rigor nas contas públicas, estão apenas a explicar-nos o quão empenhados estão em nos fazer pagar o défice orçamental.

 

A solução para esta crise vai passar pelas empresas. É certo que muitas já desapareceram, basta olhar para cada um dos nossos concelhos, mas também há muitos empresários que reinventaram o negócio, procuraram alternativas e estão a conseguir contornar a crise. Conheço alguns empresários que sobreviveram às duas crises anteriores e consideram esta como uma “chuva molha tolos”. Não quero aqui florear a inegável crise económica em que vivemos, é grave e deve ser tratada como tal, mas não é o fim do mundo. Custa-me ouvir diariamente os opinion maker a falar do estado de saúde grave em que estão muitas empresas nacionais, dedicando muito tempo e sabedoria a falar dos pormenores da autópsia e do funeral, em vez de falarem da cura.

 

Eu acredito que os homens crescem mais em tempos de dificuldade do que em tempos de tranquilidade. Os tempos que vivemos são uma oportunidade única para voltarmos a ter um país moderado nos gastos, capaz de trabalhar mais e melhor e com iniciativa. Para isso, basta que nos deixemos de ilusões, tentações e choradeiras.