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alinhamentos

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Sex | 01.07.11

Explicar o que está torto para poder corrigir

fcrocha

A apresentação do Programa do Governo fez-nos despertar um pouco mais para a real situação do país. Acredito que as pessoas não estão prevenidas, nem mentalizadas, para o programa de austeridade que aí vem.

 

As medidas aprovadas pela Troika, provavelmente, não irão resolver o nosso problema, mas devem ser aplicadas na totalidade por este Governo. Embora possa parecer uma contradição, na verdade não o é. Se durante um ano houver um esforço de consolidação das contas públicas, um tentativa de relançamento da economia, é provável que tenhamos depois condições para renegociar o pacote de resgate e construirmos um plano adequado à nossa verdadeira situação, que é uma herança bem mais pesada e ruinosa do que a conhecida publicamente.

 

Há quem olhe para a Grécia e tente criar paralelismos com a situação portuguesa, tentando encontrar razões para a não aplicação do acordo com a Troika. As diferenças são muitas, a nossa situação não é, felizmente, igual à da Grécia.

 

Afinal, porque é que a Grécia está nesta situação? Para além de todo o despesismo louco dos gregos, é necessário perceber que a Grécia, ao longo dos últimos quatro anos, não aplicou as medidas de austeridade acordadas com a Troika. Para se ter uma noção do que a Grécia está a fazer, vejamos o que aconteceu na companhia ferroviária grega. O governo grego acordou em reduzir o número funcionários desta empresa pública que tem 5.800 pessoas a trabalhar. O que o governo grego fez foi retirar 1.800 funcionários desta empresa e transferi-los para uma outra empresa pública. Ou seja, o resultado desta medida foi zero.

 

Para que não nos aconteça o que está a acontecer aos gregos é essencial que o Governo português aplique as medidas na totalidade e sem ceder à teia de corporações.

 

A situação que vivemos é uma situação de excepção e todas as situações de excepção são perigosas. Para não corrermos riscos desnecessários, é indispensável que o Governo tenha a capacidade de fazer com que cada português perceba cada uma das medidas aplicadas e se sinta envolvido e participante neste projecto nacional.