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alinhamentos

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Qui | 05.05.11

Um povo anestesiado.

fcrocha

Esta edição trata particularmente de saúde. Noticiamos a falta de saúde financeira das câmaras municipais e os cortes nos serviços de saúde aos utentes.

 

Há quase um ano, noticiámos e alertámos para a redução do horário de funcionamento do Serviço de Atendimento de Situações Urgentes (SASU) de Paredes. Na altura, e depois de assistir ao encerramento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP), escrevi aqui neste mesmo espaço que, mais dia, menos dia, o SASU também iria fechar. Infelizmente, o tempo acabou por me dar razão: o SASU fechou.

 

É importante referir que, desde a extinção do SAP até ao encerramento do SASU, não houve um único político, do executivo municipal à oposição, que tomasse uma postura sobre este assunto. Na Assembleia Municipal de Paredes, realizada na passada sexta-feira, o presidente da autarquia anunciou a construção de um auditório com 500 lugares, “o maior da região”, segundo o autarca. Fico com a ideia que os 500 lugares do novo auditório, que a Câmara disse que vai construir com verbas de um projecto de financiamento aprovado (mesmo que não saiba dizer quanto vai custar, qual é o montante financiado, onde vai ser construído e quando vai estar pronto), servirão para os utentes do SASU passarem a noite, enquanto aguardam pela abertura do centro de saúde no outro dia de manhã. O povo continua a ser tratado como estúpido.

 

O encerramento do SASU vai sobrecarregar, ainda mais, a urgência do hospital. É lamentável que o Ministério da Saúde retire serviços às populações, sem lhes dar alternativa e tentando fazer-lhes crer que a retirada de serviços médicos melhora o seu acesso aos cuidados de saúde. Fechar a porta de entrada no sistema de saúde é socialmente injusto, tecnicamente insensato e moralmente absurdo. Os resultados financeiros podem ser os melhores, mas serão conseguidos à custa do sofrimento dos doentes. Prometem-nos mais rapidez, mais qualidade, mais segurança para iludir a compulsão pelos cortes cegos, pela poupança forçada a qualquer preço.