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alinhamentos

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Sab | 11.12.10

Editorial de 10 de Dezembro de 2010

fcrocha

Durante três décadas construi-se de forma anárquica, sem qualquer preocupação com uma política de ordenamento do território correcta. A prova disso é o facto da soma das áreas urbanizáveis dos nossos PDM’s ser de 40 milhões de pessoas, quando totalizamos apenas 10 milhões. Na nossa região, o concelho onde este desordenamento é mais visível é em Paredes. Durante anos assistimos a uma construção desordenada, ao sabor do acaso, ou dos interesses particulares dos construtores civis. Durante anos, Paredes não teve uma estratégia própria de desenvolvimento para o concelho, o que levou a uma cidade permeada de grandes blocos habitacionais, uns quase em cima dos outros, como são exemplo os existentes na Avenida Dr. Francisco Sá Carneiro. Durante muito tempo, Paredes foi um paraíso para alguns (poucos) construtores, que construíram de forma desgarrada, e um pesadelo para os moradores (muitos) que viram a sua qualidade de vida irremediavelmente perdida. Agora, é preciso intervir enquanto vamos a tempo.

 

E uma das formas de intervir poderá passar pelos projectos da Cidade Criativa. Este projecto irá afectar toda a cidade e é necessário que se ouça quem faz a cidade, ou seja, as pessoas. Temos que acabar com esta visão linear de que elegemos os representantes e eles decidem tudo por nós. Os cidadãos devem participar na vida e nas decisões do município. Não chega ir a votos e esperar que os eleitos correspondam às promessas feitas. È preciso que os cidadãos, em vez de se desinteressarem, interfiram directamente nos problemas que lhes dizem respeito.

 

Estamos num momento de uma ambiguidade muito grande, onde é preciso fazer escolhas em relação do futuro. Pode-se escolher continuar a construir com o objectivo de criar uma grande cidade, mas também pode-se escolher manter Paredes como uma cidade pequena, com carinha e jeitinho de província (sem nunca ser provinciana), onde as pessoas tenham a sua sociabilidade, tenham laços comunitários e onde o espaço de cada pessoa seja garantido.