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alinhamentos

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Qui | 04.11.10

Editorial de 29 de Outubro de 2010

fcrocha

Esta semana, o país assistiu a um autêntico "Big Brother" sobre as negociações entre o PS e o PSD, com vista à aprovação do Orçamento de Estado. As televisões passaram horas a cobrir o momento em que os políticos chegavam à Assembleia da República, o tempo que falavam, a que horas saíam, a que horas regressavam. Quem visse aquilo pela primeira vez poderia ser levado a pensar que dali dependia a sobrevivência da Nação.

 

No fim, deu para perceber que as diferenças entre PS e PSD não são muito grandes. O aparecimento do ex-ministro Eduardo Catroga tinha o objectivo de baixar as armas políticas e levar a discussão para o plano da razoabilidade. Fosse qual fosse o resultado das negociações, as diferenças nunca poderiam ser muitas. A função de Eduardo Catroga serviu apenas para colmatar uma série de desleixos de Passos Coelho, como por exemplo, o anúncio na Festa do Pontal, quando afirmou que não aprovaria um orçamento que aumentasse os impostos e até lançou um ultimato e uma data. O que ganhou o PSD? Nada. Pedro Passos Coelho tentou sair de um labirinto que foi construindo. Por isso, o PSD devia abster-se. Este orçamento é inútil.

 

Portugal precisa de um orçamento de contenção e disso ninguém tem dúvidas. Alguns especialistas afirmam que é como se tivéssemos o FMI, mas não é verdade. Com este orçamento temos algumas – poucas – medidas necessárias, mas nunca teremos o rigor imposto pelo FMI. Com o FMI ganharíamos estabilidade e a credibilidade dos nossos credores.

 

Eu não acredito na capacidade do Governo para executar este orçamento. A título de exemplo, convém lembrar que a despesa pública na Grécia – que é um mau exemplo – está a descer nominalmente 5%. Na Espanha 11% e na Irlanda 19%. Em Portugal, a despesa está a crescer 4%. Embora o Governos nos trate como parolos e continue a dizer que a despesa já está a descer, a verdade é que ela continua a crescer, só que cresce menos, o que ninguém compreende.

 

Importa relembrar que a não aprovação do orçamento só é impeditivo para o aumento de impostos. Para cortar despesas o governo não precisa do orçamento para nada. Por isso, seja qual for o resultado, pior que estamos não ficamos e até pode ser que a vinda do FMI ajude.