Quinta-feira, 09 de Outubro de 2014

Erro de palmatória

 

Na última campanha eleitoral para as eleições autárquicas, o Partido Socialista de Paços de Ferreira usou – até à exaustão – o tema da água. A principal bandeira eleitoral socialista, e a que parece ter sido determinante para a vitória de Humberto de Brito, foi a remunicipalização daquela que era considerada a água mais cara do país. Essa promessa eleitoral, no entanto, demonstra ser quase impossível de cumprir, por três motivos: primeiro, porque o contrato público defende muito mais os interesses da empresa concessionária do que os do Município, o que daria lugar, em caso de remunicipalização, ao pagamento de uma indemnização milionária; segundo, porque outras Câmaras Municipais tentaram fazer o mesmo e foram sentenciadas em tribunal ao pagamento das tais indemnizações, que têm o poder de ditar a bancarrota municipal; em terceiro, porque o Município de Paços de Ferreira se encontra numa situação financeira que não lhe permite comportar qualquer despesa suplementar que se apresente.

No entanto, desde que chegou à presidência da Câmara Municipal, Humberto de Brito nunca perdeu de vista o objectivo de conseguir que o serviço de água e saneamento retornem ao controlo do Município. Como não pode criar mais nenhuma empresa municipal, levou à última sessão da Assembleia Municipal uma proposta que previa a alteração do objecto social da empresa Gespaços, para que, caso se concretizasse o negócio, pudesse receber aqueles serviços.

O PSD não tem a maioria dos eleitos para a Assembleia Municipal, mas como tem mais presidentes de junta e estes têm voto naquele órgão autárquico, usou dessa condição para conseguir produzir a maioria e reprovar a proposta do PS. Ao fazê-lo, cometeu, em meu entender, um erro de palmatória.

Os sociais-democratas conhecem melhor do que ninguém todo este processo e as cláusulas do contrato. Por isso, sabiam que este era um processo quase impossível de materializar. Se se tivessem abstido, estariam a dar todas as condições para que o PS cumprisse a sua promessa eleitoral e na próxima campanha eleitoral estariam a cobrar uma promessa não cumprida.

Assim, ao reprovar esta proposta, o PSD resolveu o maior dos problemas de Humberto de Brito: executar aquela que foi a sua maior promessa eleitoral. A partir de agora, e até às próximas eleições, o PS vai poder dizer que a remunicipalização dos serviços de água e saneamento não foi possível porque o PSD, pura e simplesmente, a inviabilizou.

Há muito que se percebeu que o PSD não estava preparado para ser oposição. Prova disso são as intervenções vácuas e sem habilidade de resposta nas assembleias municipais. Agora, com esta postura, percebe-se que o partido ainda não descobriu uma estratégia política de futuro.

 

alinhado por fcrocha às 11:25

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