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Seg | 08.02.10

Jorge Malheiro: 17 anos depois de ter sido presidente de Câmara durante 17 anos

fcrocha

Comecei a minha actividade profissional participando na realização do primeiro Plano Director Municipal de Paredes, numa altura em que Jorge Malheiro era o presidente da Câmara Municipal.

 

A minha vida voltou a cruzar-se com a de Jorge Malheiro em 2004, desta vez por razões políticas.

 

Dele, guardo a imagem de um homem coerente. A ele se deve uma grande parte do desenvolvimento do concelho de Paredes e algumas das principais obras municipais.

 

De Jorge Malheiro pode-se dizer tudo, mas é de justiça que se diga que, durante 17 anos, serviu sem nunca se ter servido.

 

Por isso, partilho convosco um texto publicado na última edição do nosso Jornal, escrito pela jornalista Emília Maia.


"Tem 69 anos, três filhos, vive numa casa de família construída há 87 anos, e exibe com orgulho o brasão cuidadosamente colocado em cima da parede branca e virado para a extensa vinha de onde sai o néctar baptizado com o nome da quinta – A Quinta D'Além. É essa a 'menina dos olhos' de Jorge Malheiro, a que se dedica hoje inteiramente, porque quer assim, porque acha que ela (a quinta) merece, ao contrário da outra actividade que já o fez vibrar e perder muitas horas de sono, a política e a presidência autárquica.

 

Mudaram-se os tempos e com eles vieram novas realidades que Jorge Malheiro não entendeu, mas apenas porque não quis. Tal como a casa e a quinta, preserva o essencial: os valores de um tempo que não quer ver mudar. E consegue, porque na quinta consegue tudo, até esquecer a crise, a política e os problemas dos outros. Mantém-se a par só do que quer, através de amigos ou dos jornais.

 

Jorge Malheiro é assim, de trato simples, modos cavalheirescos e firme no que pensa, diz e faz.

 

São, certamente ainda resquícios dos seus antepassados.

 

O historiador Belmiro Augusto de Oliveira escreveu que 'os Malheiros de Coura descendem dos Malheiros da Costilha e estes descendem e representam os Malheiros de Vila Nova de Cerveira que eram cavalleiros proffessos na Ordem de Christo em 20 de Maio de 1737…'. O historiador vai mais longe, até ao século XV, onde surge Álvaro Pitta, escudeiro fidalgo por El-Rei D. João I.

 

Regressando à actualidade, Jorge Malheiro, teve dois irmãos (Jorge e Maria) que morreram. Nasceu no Porto, 14 anos após a última gravidez da mãe. Alguns anos depois, o pai costumava dizer que tinha dois filhos: o Jorge Maria (herdou o nome dos falecidos irmãos) e a Quinta D'Além.

 

Durante vários anos viveu entre Paredes e o Porto, onde tinha a sua vida profissional.

 

Foi presidente da Câmara Municipal de Paredes durante 17 anos, desde 19 de Agosto de 1977 até 30 de Dezembro de 1993.

 

Quando foi eleito já vivia, permanentemente, na Quinta D'Além, uma casa que teima em preservar, rodeada por extensos terrenos, com uma área total de 10 hectares, uns cultivados, outros embelezados por árvores frondosas e recantos de flores.

 

'Vim para cá viver definitivamente passados oito ou nove meses do 25 de Abril, quando se formaram aqueles grupos comunistas para tomar conta das quintas. Nessa altura vim para aqui para a defender. E consegui, não só esta como outras', diz, com olhar perdido no tempo.

 

Entrou para a política logo após o 25 de Abril, durante a formação do CDS.

 

Diz ter lutado intensamente pela liberdade em Portugal, 'porque o 25 de Abril foi uma revolução de cravos que veio a transformar-se numa revolução de espinhos', afirma.

 

E explica que Portugal esteve na eminência de cair no regime comunista: 'por isso lutei com quantas forças tinha, eu como muitos outros que me acompanharam'.

 

Antes de entrar para a política, era gestor de uma empresa, italo-portuguesa, mas, assim que foi eleito, decidiu dedicar-se apenas, e só, à actividade autárquica. 

 

'Nunca aceitei nenhum lugar que me foi oferecido.Por exemplo pelo Dr. Freitas do Amaral para secretário de Estado da Administração Interna e depois, em vários mandatos, fui convidado para deputado da Assembleia da República e também não aceitei. O meu fim era de facto trabalhar por Paredes para lhe dar o lugar que o concelho merecia'.

 

Mesmo assim, a quinta nunca foi esquecida e foi sempre Jorge Malheiro quem a geriu."

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