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alinhamentos

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Qua | 28.07.10

Eles gostam de ingerir

fcrocha

A política lida com um valor que é muito cobiçado: o poder. O poder contém atributos sociais sempre associados, como o status, o prestígio social, as oportunidades de negócio, a condição de celebridade, a capacidade de fazer valer a sua vontade sobre os outros, para citar apenas os mais óbvios.

 

A politica, portanto, e o poder que dentro dela e por meio dela se conquista, atrai bajuladores para os seus círculos, da mesma forma que a luz numa noite de verão atrai as melgas. Para a maioria, a bajulação e o elogio, são o caminho mais curto e seguro para chegar ao coração de quem lida com poder. Na política autárquica a bajulação e a adulação imperam.

 

Não há como ignorar que são os políticos que geram os aduladores. Fossem eles mais resistentes e indiferentes às adulações e elas não seriam praticadas com tanta frequência. São porque, por certo, produzem os resultados desejados.

 

Um autarca prudente sabe que a maioria dos elogios que recebe são falsos. O Cardeal Mazarin, sucessor de Richelieu na Corte Francesa dizia que: «O governante prudente deve escolher homens sábios, que dele tenham permissão de dizer a verdade, mas somente a respeito daquilo que lhes é perguntado. (…) O governante deve aconselhar-se sempre, mas somente quando o deseje e não quando os outros queiram. Convém que se lhes tire o hábito de dar conselhos que não foram solicitados.»

 

 Cuidado, pois, com os elogios. Eles embriagam o espírito crítico. Além disso a equação – de 15 elogios, 14 são falsos – é sempre uma valiosa lembrança. Pode até parecer exagerada, mas está no caminho da realidade.

 

A bajulação e a adulação são um doce veneno que os políticos gostam de ingerir.