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alinhamentos

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Seg | 30.12.13

Se numa noite de inverno, uma pessoa morre, isto não é notícia*

fcrocha

 

 

Percorrer os dias do ano 2013 leva-me ao encontro de muitos acontecimentos que não foram notícia. E deveriam ter sido…!


Vejamos: “se numa noite de inverno, uma pessoa morre, isto não é notícia”; “ hoje encontrar um sem-abrigo morto de frio não é notícia”; “se em muitas regiões do mundo há crianças que não têm que comer, isto não é notícia, parece normal”; se “pessoas desabrigadas morram de frio na rua, isto não é notícia”; “alguém que morre não é notícia”.


As afirmações parecem redundantes. Elas repetem uma circunstância cada vez mais “comum” na atualidade. Talvez por isso foram reiteradas, vezes sem conta ao longo deste ano, pela mesma pessoa.


As frases acima citadas foram ditas pelo Papa Francisco. E correm o risco de não ficar na história do ano 2013. No entanto, elas traduzem o realismo do ano que termina…


A eleição do cardeal argentino para sucessor de Pedro marca o ano 2013.


O pontificado do Papa Bergoglio avalia-se entre opiniões de quem lhe retira qualquer originalidade, numa referência à repetição de certezas doutrinais de muitas gerações, até aos que nele descobrem o primeiro percursor do Reino, mesmo que anunciado há 2000 anos.


Serão posições extremadas que evidenciam, também por isso, a excecionalidade do que estará a acontecer, nestes meses.


Não há dúvidas que o pontificado inaugurado pelo cardeal que foram buscar “quase ao fim do mundo” está a transformar a concretização da experiência crente na atualidade. Não apenas no âmbito do catolicismo, na Igreja Católica. Também na interpelação que essa dimensão coloca a todas as pessoas, mesmo que distantes de qualquer enquadramento institucional.


Francisco é um líder que desafia todas as pessoas. Pequenos gestos fortemente mediatizados oferecem-lhe alcance global desde a primeira hora. E sempre surpreendentes, com atitudes e palavras novas, aparentemente inesperadas.


Um facto para a história de 2013 que se deixou dominar por outros acontecimentos bem diferentes, mas que ocuparam as redações na escrita das notícias deste ano, como também o referiu o Papa Francisco: “a diminuição de dez pontos na bolsa de valores de algumas cidades constitui uma tragédia”; “hoje é notícia talvez um escândalo… Ah, isso é notícia”.


Será? O ano 2013 ficará na história pelo que a crise económica e financeira provocou? Pelos escândalos revelados?


Mais do que esses indicadores, são as pessoas que fazem a História do ano que termina. Aí tanto se inclui o protagonismo global do Papa Francisco, por muito que encontre resistências, como o anonimato de mulheres e homens que estão a contribuir para uma sociedade mais justa e pacificadora. É com esses cidadãos que se faz História!


*Paulo Rocha
Agência ecclesia.pt