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Sex | 15.11.13

Cunhal e o comunismo.

fcrocha

 

 

Esta semana fomos quase que invadidos na imprensa com a efeméride comunista da passagem dos 100 anos sobre o nascimento de Álvaro Cunhal. Não há televisão ou jornal que não tenha uma grande reportagem biográfica sobre o ex-líder comunista. Olhando para tudo isto, parece-me anedótica a forma como o jornalismo nacional transforma o totalitarismo vermelho numa grande democracia. Talvez por falta de memória jornalística, esqueceram-se de que Álvaro Cunhal lutou toda a sua vida contra a democracia. Por isso, parece-me oportuno recordar aquilo que não aparece nas biografias oficiais do Partido Comunista.

 

A primeira coisa que o PCP omite nas suas biografias é que Cunhal apoiou o pacto de não-agressão germano-soviético de 1939. A fazer prova disso estão os vários artigos de opinião que escreveu no jornal “O Diabo” em que defende que este pacto [entre a URSS e a Alemanha de Hitler] podia ser benéfico para a internacional comunista. Em 1940 chegou mesmo a escrever o seguinte: “Mas haverá alguma diferença entre a Alemanha do Sr. Hitler e a França do Sr. Daladier ou mesmo a Inglaterra do Sr. Chamberlain?”. Ora, quando Cunhal escreveu isto, já 15 anos antes Hitler tinha escrito o “Mein Kampf”, onde defendia a perseguição aos judeus.

 

Outro dado que não deve ser omisso e muito menos esquecido é que em 1956, no XX Congresso do PCUS, quando Krushchev apresentou um relatório a denunciar os crimes de Hitler, Estaline opôs-se ao relatório de Krushchev e Cunhal manifestou apoio a Estaline.

 

Outro dado importante é que, já depois do 25 de Abril de 1974, Álvaro Cunhal continuou a lutar contra a democracia. Como não conseguiu ganhar as eleições de 1975, avançou para o golpe do 25 de Novembro, que, se tivesse tido sucesso, teria transformado Portugal numa ditadura comunista.

  

Tentar branquear uma ideologia através da imagem simpática de um líder é pura má-fé. Importa recordar que todos os países que adoptaram o regime marxista tiveram e têm matanças eloquentes. A título de exemplo, a política perseguida por Mao Tsé-Tung para tornar a China num país “socialista” terá sido responsável pela morte de cerca de 65 milhões de pessoas. Esta semana, o jovem líder da Coreia do Norte mandou matar mais 80 pessoas porque tinham uma Bíblia em casa ou porque viam filmes sul-coreanos.

 

Um outro exemplo, já numa dimensão mais moderada, vem da Venezuela, onde estão muitos portugueses da nossa região: o Presidente Maduro mandou as tropas invadirem lojas e supermercados – num país que produz petróleo, não há sequer papel higiénico à venda.

 

Compreendo que os comunistas celebrem os 100 anos de Cunhal. Não compreendo que a imprensa nacional se esqueça de que no comunismo o totalitarismo é a regra.

 

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