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Sex | 30.08.13

Aborto: o engano das palavras

fcrocha

Numa altura em que há uma petição para alterar a lei do aborto, parece-me pertinente entender o léxico utilizado pelos defensores do aborto.

 

Interrupção voluntária da gravidez - Talvez a forma mais inofensiva de alguém se referir ao aborto induzido. Mas a utilização das palavras neste caso não é a mais adequada. Interrupção pode significar, entre outras coisas, uma paragem temporária, após a qual se retoma ou recomeça o que se estava a fazer. Esta palavra deveria então ser substituída por uma cujo significado apenas poderia ser “terminal”. Esta afirmação frequente esconde ainda a trágica realidade de muitas mulheres que se submetem a um aborto legal contra a sua própria vontade. Esta prática corresponde muitas vezes a uma “interrupção involuntária da gravidez”, onde a violência é o método frequente de coacção para tornar a submissão a um aborto em algo de “voluntário”.

 

Clínicas de aborto - Forma mais inofensiva de rotular os locais onde os abortos são executados. Quando o aborto é legal, o termo é utilizado frequentemente. Quando o aborto é ilegal, este termo é geralmente substituído pela designação mais assustadora de “parteiras”.

 

Direito das mulheres ao aborto - Uma forma politicamente correcta de dizer “direito das mães ao aborto”. Frase muito utilizada por ter o poder de mobilizar o público feminino para a discussão sobre a legalidade do aborto, transmitindo-lhes a ideia de serem alvo de repressão quando tal direito lhes é negado.

 

Eu também já fiz aborto! - Acto de aprovar uma acção de outrem com base na sua própria conduta passada. Para a pessoa que utiliza este "argumento", o aborto deve ser encarado como uma prática normal porque ela também já o fez ou aprovou no passado. E se ela o fez, também outras o podem fazer. Se ela o fez, então é correcto fazê-lo. Também pode expressar uma procura inconsciente de ajuda ou uma tentativa de diluir o sentimento de culpa.

 

Aqui mando eu! - Frase utilizada por pessoas que não têm a mínima noção das suas funções biológicas. Demonstra uma disposição, consciente ou inconsciente, para um estado ilusório de falso controlo. Se ali (entenda-se no útero ou no próprio corpo) manda ela, porque motivo haveria de ter uma gravidez indesejada?

 

Feto - Palavra utilizada frequentemente; termo correcto apesar de abranger todos os mamíferos. “Feto humano”, apesar de ser ainda mais preciso, não é utilizado uma vez que transmite uma imagem do feto como um ser humano. Feto é um termo latim que significa “pequena criança”, “pequenino” ou “descendência”. Por este motivo, ao dizer-se que o aborto põe fim à existência do feto, está de facto a dizer-se “pôr termo à existência da pequena criança.” O termo “bebé em desenvolvimento” é também cientificamente e profissionalmente correcto. A palavra bebé é utilizada frequentemente por ginecologistas e obstetras quando estes se referem ao embrião ou feto em desenvolvimento dentro da barriga da mãe. Assim, se o objectivo é dar à luz, utiliza-se o termo “bebé”. Se é abortar, então “feto” é mais conveniente. Este termo tem ainda uma vantagem para os defensores da prática do aborto. É inconscientemente associado ao género masculino (o feto). Assim, a mulher que contempla o aborto como opção, encara a negação desta escolha como uma invasão dos direitos da mulher. O feto é associado a um homem que de certa forma frustra os planos da mulher ou a obriga a fazer algo contra a sua própria vontade.

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