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Qui | 08.08.13

Cuidados suavizantes

fcrocha

A administração de cuidados paliativos no nosso país teve início no final da década de oitenta, com a atenção a doentes terminais ao domicílio e alguns nos hospitais. Nessa altura, cerca de 80 por cento das pessoas morriam em casa. Hoje, 85 por cento das pessoas morrem num hospital ou numa unidade de cuidados paliativos.

 

Se no inicio do século XX a esperança média de vida de uma pessoa era de 30 anos, agora ela é de mais de 80. Embora vivamos muitos mais anos do que antes, todos acabamos por morrer. Este aumento da esperança média de vida, associado a um envelhecimento acelerado da população, obrigou ao desenvolvimento científico da medicina não só para curar o doente, mas também para cuidar dos últimos momentos da sua existência. Por isso, a importância cada vez maior dos cuidados paliativos.

 

À primeira vista, pode parecer-nos estranha a importância que se dá cada vez mais aos cuidados paliativos, uma vez que o objectivo da medicina parece ser a de curar. No entanto, a medicina sempre teve o dever de cuidar, isso mesmo estava no Juramento Hipocrático que os médicos faziam. O aumento da importância desta especialidade deve-se à necessidade de analisar os vários sintomas de um doente terminal e dar respostas às suas necessidades, de forma a conseguir devolver-lhe um pouco mais de vida com qualidade. Se a um doente em fase avançada se consegue aliviar a dor, isso é como lhe devolver um pouco de vida.

 

Por tudo isto, os cuidados paliativos podem ser um travão à eutanásia. Por vezes, pode acontecer que um doente em fase terminal peça para morrer. É uma coisa normal, tendo em conta as dores insuportáveis que enfrenta. No entanto, se a intervenção médica for no sentido de aliviar a dor e outros sintomas que incomodem o doente, ao mesmo tempo que se lhe dá apoio humano e psicológico por parte do pessoal médico e dos familiares, a maioria deles voltar a ter vida nessa etapa final. Acreditar que a eutanásia alivia a dor na fase final da vida é uma falsidade. Na verdade, escolher o momento em que se vai morrer gera uma dor maior na maioria dos casos.

 

Os cuidados paliativos, com um bom tratamento dos últimos momentos da nossa existência, associados ao amor da família, são o melhor caminho para uma morte digna.