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alinhamentos

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Sex | 12.07.13

Para corrigir, no futuro, o que houver para corrigir

fcrocha

Certa vez, ouvi um amigo contar que foi assistir a uma conferência dada por um médico norte-americano chamado Bernard Nathanson. Este senhor, que faleceu há pouco tempo, começou por pousar as mãos abertas sobre a mesa e dizer que aquelas mãos tinham feito muitos milhares de vítimas. Parecia estar muito arrependido, atormentado por remorsos, e percorria o mundo à procura de minimizar o enorme erro que cometera. A utilização de uma nova tecnologia para estudar o feto no útero, quando se tornou director de um grande hospital de obstetrícia, fê-lo compreender a enormidade do seu erro.

 

Pessoalmente responsável por 75 mil abortos, tinha sido pioneiro nessa prática nos Estados Unidos da América, fundando uma associação que tinha como propósito revogar as leis americanas que eram contrárias ao aborto. Em apenas cinco anos, de 1968 a 1973, apesar de a maioria dos americanos serem contra o aborto livre, conseguiu que este fosse legalizado até ao momento anterior ao nascimento, ou seja, até aos nove meses.

 

Como conseguiu? No seu livro “The Hand Of God” conta tudo:

 

A primeira táctica era ganhar a simpatia da imprensa. “Convencemos os meios de comunicação de que permitir o aborto era uma causa liberal. Nós simplesmente fabricámos resultados e sondagens fictícias – dizíamos que 60 por cento dos americanos eram favoráveis à liberalização do aborto. Poucas pessoas gostam de fazer parte da minoria. Enquanto o número de abortos ilegais era aproximadamente de 100.000, nós dizíamos incessantemente aos meios de comunicação que o número era de 1.000.000. A repetição de uma grande mentira convence o público. O número de mulheres que morriam em consequência de abortos ilegais era de cerca de 250. O número que dávamos constantemente aos meios de comunicação era de 10.000”.

 

A segunda estratégia era atacar o catolicismo. “Nós difamávamos sistematicamente a Igreja Católica e as suas ideias socialmente retrógradas, apresentávamos a hierarquia como o vilão que se opunha ao aborto. Divulgámos aos media mentiras como: todos sabemos que a oposição ao aborto vem da hierarquia e não da maioria dos católicos, as sondagens provam que a maioria dos católicos querem uma reforma. O facto de que as outras religiões, cristãs e não-cristãs, eram (e ainda são) completamente opostas ao aborto foi constantemente silenciado, assim como as opiniões dos ateus pró-vida.”

 

A terceira táctica era ofuscar e eliminar toda a evidência de que a vida se inicia na concepção. “Uma táctica favorita dos abortistas é a ideia de que é impossível saber quando se inicia a vida humana; que isso é uma questão teológica, moral ou filosófica; nada cientifica. Ora a fetologia tornou inegável a evidência de que a vida se inicia na concepção. Como cientista, eu sei – e não apenas acredito – que a vida humana se inicia na concepção”.

 

Foi desta forma que um pequeno grupo conseguiu, há quase 40 anos, enganar os americanos. É bom que se saiba história, para corrigir, no futuro, o que houver para corrigir.