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alinhamentos

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Sex | 07.06.13

A qualquer preço

fcrocha

 

 

 

Há muito tempo que os partidos políticos portugueses deixaram de ter uma matriz ideológica, para se transformarem em catch-all parties, o que se pode traduzir por “partidos apanha-todos”. Hoje, é difícil encontrar traços distintivos entre PSD, PS e CDS-PP. Nos últimos anos, estes partidos renunciaram ao enquadramento intelectual e moral dos seus quadros, para se dedicarem exclusivamente à conquista do eleitorado, enveredando por uma estratégia agressiva e competitiva. Percebe-se assim o descontentamento geral das pessoas com os partidos. Na verdade, eles representam uma ambiguidade ideológica, com programas bastante vagos, baseados unicamente no sucesso eleitoral.

 

Se a nível nacional isto é visível, a nível local assistimos a um fenómeno ainda mais grave: os líderes locais dos partidos a renegarem as suas origens. Porque se aproximam as eleições autárquicas, são muitos os políticos que se esqueceram onde estão e de onde vieram. Vou dar alguns exemplos:

 

Em Valongo, o candidato do PSD começou a fazer campanha eleitoral ignorando completamente o símbolo do seu partido, de cuja comissão política local é presidente. O mesmo acontece em Lousada, onde o candidato da coligação de direita se esqueceu de colocar os logótipos dos partidos nos cartazes. Em Paredes, o presidente da câmara eleito pelo PSD, de quando em vez, desata a bater publicamente no Governo do seu partido. Em Paços de Ferreira, o presidente da câmara, também do PSD, ainda sente saudades do dinheiro que Sócrates desbaratou. Em Penafiel, o agora candidato do PSD esqueceu-se de que chegou a vereador por ser o líder do CDS-PP de Penafiel, e trocou de partido num piscar de olhos.

 

As eleições autárquicas não justificam tudo. Não justificam certamente a falta de lealdade que os líderes locais do PSD têm para com o Governo do seu partido nestes tempos difíceis, imensos, dolorosos, mas necessários. Da mesma forma que também não justificam a forma como o ex-líder do CDS-PP de Penafiel rasgou o compromisso com o partido que o colocou no poder.

 

Na verdade, parece-me que qualquer um destes candidatos poderia muito bem ser candidato do Partido Socialista.