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alinhamentos

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Sex | 10.05.13

Descrédito

fcrocha

 

Há umas semanas, fiquei atónito com a notícia do encerramento da empresa de um conhecido e prestigiado construtor civil de Paredes. Parecia impossível que uma empresa com 43 anos, gerida por um empresário com fama de honestidade, falisse de um dia para o outro. A resposta para esta falência está nas primeiras páginas deste jornal. O empresário não conseguiu sobreviver aos sucessivos atrasos no pagamento por parte de uma das câmaras municipais da região.

 

Vem isto a propósito da notícia que faz manchete. Olhando para os números, é difícil de compreender como que é que entre dois concelhos vizinhos possa existir esta diferença abismal no tempo médio de pagamento: a Câmara Municipal de Lousada demora aproximadamente um mês e meio a pagar as facturas aos seus fornecedores; a de Paços de Ferreira precisa de mais de três anos e meio para fazer o mesmo. Não se compreende.

 

No ano passado, o Governo propôs a algumas autarquias com dificuldades financeiras o Programa de Apoio à Economia Local (PAEL). Através deste programa, as autarquias poderiam pagar as suas dívidas com mais de 90 dias. Pretendia-se que as autarquias que aderissem, conseguissem reabilitar a sua credibilidade, promovendo uma reestruturação financeira que ajudaria a estimular a economia local, promovendo a manutenção de postos de trabalho e o reforço da tesouraria das empresas. Na prática, o Governo emprestou dinheiro às câmaras municipais, a 14 e a 20 anos, com uma taxa de juro baixa, para poderem cumprir com as suas obrigações. A Câmara Municipal de Paços de Ferreira aderiu ao PAEL, pedindo pouco mais de seis milhões de euros. Não pretendo discutir o valor da divida da Câmara de Paços de Ferreira; não sei se são os 50 milhões que a autarquia afirma ou os mais de 170 milhões que a oposição garante. Mas uma coisa parece certa: estes seis milhões de euros estão longe de serem suficientes para liquidar as dívidas do município.

 

Descontando todas as dificuldades do momento presente, é difícil de compreender como é que uma câmara municipal demora mais de três anos e meio a pagar aos seus fornecedores. Isto é intolerável do ponto de vista político e promove o descrédito do poder local democrático junto da população.