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Sex | 03.05.13

Privatizar a política

fcrocha

Com frequência, ouvimos alguns comentadores e especialistas em assuntos económicos a falarem da necessidade de privatizar mais alguns serviços do Estado. Ignoro os resultados das últimas privatizações que se fizeram em Portugal. Por isso, não quero discutir o que funciona melhor, se um serviço público gerido directamente pela Administração Pública, ou se um serviço público concessionado a um privado. No entanto, sempre que se quer privatizar qualquer coisa, parece ser em nome da ideia, que penso ser do senso comum, de que o privado consegue melhores resultados, com menos dinheiro.

 

Este assunto vem a propósito da vida política, mesmo que pareça que não tem nada que ver com privatizações. Qualquer pessoa, por pouco informada que esteja, já percebeu que a vida pública portuguesa está cheia de incoerências, oportunismo e hipocrisia: os políticos não cumprem as promessas que fazem; dizem hoje uma coisa e amanhã outra; quem está no Governo faz o que criticava enquanto estava na oposição. O pior de tudo: quando terminam os seus mandatos, não sofrem qualquer consequência pelos seus actos. Tenham tido um bom ou mau mandato, o resultado é sempre o mesmo: saltam para a administração de uma empresa pública; tornam-se comentadores especialistas em jornais e televisões; recebem reformas avultadas. Por isso, o que proponho é a “privatização” da vida política.

 

Se a vida política fosse “privatizada”, os administradores teriam respeito pelo cliente, pelos accionistas e teriam que administrar com responsabilidade. No final do mandato, se quem administrou levou a empresa à ruína (leia-se país, câmara municipal, empresa pública, etc.), enganou-se na estratégia, deixou famílias sem emprego ou enganou os accionistas, teria que responder por isso. Tal e qual como acontece hoje com qualquer empresário português. Esse tal administrador político não ia conseguir ser condecorado pelos accionistas, nem reeleito, nem ter pensões vitalícias. Ia responder judicialmente pela gestão que fez.

 

Na política, parece que não se passa nada em situações que são inadmissíveis no mundo privado. Por isso, é necessário que os políticos passem a ser responsabilizados judicialmente pela gestão que fazem. Para isso, é preciso que as pessoas tenham consciência de que, tal como disse Clint Eastwood na última campanha eleitoral americana, “o país é nosso e os políticos são nossos empregados”.

 

 

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