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alinhamentos

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Qui | 25.04.13

Vale a pena ser austero

fcrocha

A actual situação económica colocou muitas pessoas – entre as quais me incluo – numa situação de dieta de consumo, ao mesmo tempo que muitas outras foram forçadas a reduzir os gastos ante a precariedade laboral em que vivem. Confesso que este tempo me tem ajudado a distinguir com maior rigor o supérfluo do necessário.

 

No entanto, apesar da grave situação económica em que o país está mergulhado, a publicidade e muitas “notícias” encomendadas continuam a bombardear-nos com a mensagem de que temos que consumir mais: temos que comprar o último smartphone, mesmo que o nosso telemóvel ainda funcione maravilhosamente; temos que comprar o último televisor de tecnologia LED, porque o lá de casa é demasiado volumoso, mesmo que nunca tenha avariado.

 

É certo que a crise tem forçado muitos a reduzir os gastos, mas podíamos aproveitar para nos darmos conta de que demasiadas vezes consumimos mais do que necessitamos, ao ponto de até acreditarmos que essas coisas que compramos a mais são imprescindíveis. A maioria das vezes, o consumismo torna-nos escravos do dinheiro e de produtos desnecessários e supérfluos.

 

Um dia destes, estive a ler um artigo sobre um movimento norte-americano chamado “Downshifting”. Este movimento é constituído por pessoas que trabalham não para enriquecer ou para satisfazer caprichos, mas para conseguirem ter uma vida digna com o dinheiro que ganham. No fundo, tentam praticar a virtude libertadora da sobriedade, ao defenderem que os valores materiais não são a nossa razão de ser, ou seja, que não estamos nesta vida para coleccionar bens, mas para viver.

 

O que pretendo sugerir àqueles que ainda têm uma folga para dispor do seu dinheiro não é que passem a ser forretas, mas que é possível ser feliz vivendo com menos. Acredito que não temos necessidade de comprar tudo só porque, aparentemente, está barato. Pelo contrário, devemos ser mais críticos da publicidade, quando nos induz a comprar aquilo de que verdadeiramente não precisamos. Devemos aproveitar os bens funcionais que temos até ao seu fim, em vez de os trocar apenas porque não são novos ou da mais recente tecnologia. No fundo, o que quero dizer aos felizardos a quem ainda sobra algum dinheiro ao fim do mês é que devemos todos aplicar austeridade à nossa vida. Ser austero não significa, por exemplo, ter falta de bom gosto a vestir; significa viver com sobriedade, pensando nas pessoas que nos rodeiam e nas dificuldades por que a maioria delas está a passar.