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alinhamentos

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Sex | 12.04.13

É preciso crescer

fcrocha

Suponho que todos os portugueses têm consciência de que vivemos a maior crise das últimas décadas. Embora possa parecer que é apenas uma crise financeira, esta crise é muito mais grave porque é também uma crise social e de valores, a que se juntam as crises orçamental, bancária, de competitividade e a da dívida externa. Tudo isto, ao mesmo tempo, é uma mistura explosiva.

 

Há aqui dois factores que são a causa e a consequência de grande parte dos problemas de Portugal: a falta de crescimento económico, que resulta num endividamento excessivo. Importa recordar que o nosso país já não cresce economicamente há várias décadas. Desengane-se quem pensa que isto é um problema dos últimos anos. Este problema nacional é crónico. Há dezenas de anos que políticas erradas criam sucessivos problemas de competitividade.

 

Não é apenas o Estado que está endividado (antes fosse!); é o país. Por vezes, quase nos esquecemos de que, por exemplo, o endividamento das famílias portuguesas é superior à totalidade do PIB ou que as empresas portuguesas são as mais endividadas da Europa. Por muito que o Estado ponha as contas dele em dia, não é possível crescer com famílias e empresas endividadas desta forma.

 

É bom que o Estado esteja preocupado em conseguir equilibrar as suas contas, mas não se pode esquecer que, se as empresas e as famílias não tiverem boas contas, o país não cresce. Ou seja, são as empresas que criam emprego e não o Estado.

 

Parece-me que, para sair desta crise, para além do equilíbrio orçamental, Portugal precisa que o Governo coloque a economia e o emprego no centro das suas preocupações. Enquanto não houver crescimento económico, não há dívida que se resolva, por muitos cortes que se façam.

 

O futuro de Portugal e a resolução de grande parte dos nossos problemas passa pelo crescimento económico e pela criação de emprego. Isso só se consegue se houver investimento.