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alinhamentos

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Sex | 05.04.13

Vida em Marte

fcrocha

Por estes dias, os meios de comunicação nacional deram ênfase a uma descoberta feita pelo robot da NASA em Marte. Pelos vistos, o Curiosity [é assim que se chama o tal robot] analisou uma rocha daquele planeta e descobriu sinais de vida microbiana. Os comentadores da especialidade e os jornalistas, excitados, tiraram logo uma conclusão: há vida em Marte. Isso mesmo: é só do tamanho de um micróbio, mas já se pode dizer que há vida no planeta vermelho.

 

Cum caneco! Então um sinal microbiano é vida e aquela coisa que cresce dentro da barriga de uma mulher, durante nove meses, não é vida? Mesmo que essa tal coisa seja membro de uma espécie biológica humana, único e diferente de todos os outros, com 46 cromossomas humanos em cada célula? A coisa que, se tudo correr de forma natural, vai nascer passados nove meses, tem um coração que começa a bater ao décimo oitavo dia após a concepção, ou seja, mais ou menos ao quarto dia de atraso menstrual da mãe, que, passados três dias, já está a bombear sangue diferente do da mãe, não é vida? Então é o quê? Para alguns, o bebé que está na barriga da mãe não é vida, mas sim um feto. Porque, se fosse vida, não se poderia matar. Como é um feto, passa a ser uma coisa estranha que pode ser atirada para o lixo.

 

Vem isto a propósito de grave crise que o nosso país atravessa, à qual se junta, neste momento, uma outra: a baixa taxa de natalidade. Esta pode fazer com que, antes dos portugueses se extinguirem, não cheguem a sair da crise económica.

 

Os últimos dados disponíveis revelam um envelhecimento demográfico da sociedade portuguesa. O principal factor natural responsável pelo envelhecimento demográfico foi o declínio da natalidade. Associado a isto, nota-se ainda um aumento da esperança média de vida. O aumento da esperança média de vida tem por consequência o crescimento do número de indivíduos entre as gerações mais idosas, fazendo aumentar a relação de dependência, porque aumenta a percentagem de inactivos idosos em relação à população adulta em idade activa.  Ou seja, com cada vez menos pessoas a nascer e com idosos que vivem cada vez mais, não há sistema de segurança social em parte alguma que se aguente. Nem há país que se aguente.

 

Para contrariar esta tendência de envelhecimento da população portuguesa, será necessário adoptar algumas medidas, como o incentivo à natalidade, seja através de uma maior conciliação entre trabalho e família, seja através de incentivos à fecundidade em idades mais jovens, ou o aumento da idade da reforma, uma vez que as condições de higiene e saúde contemporâneas proporcionam melhores condições de vida na velhice e tornam-nos activos mais tempo.