Quinta-feira, 07 de Agosto de 2014

Ser cristão no Iraque

 

 

Há umas semanas, um muçulmano da cidade iraquiana de Mosul, chamado Ali, alertou o mundo, através da sua conta no Twitter, para o que estava a acontecer aos cristãos da sua terra. Os milicianos do Estado Islâmico ameaçam e matam os cristãos nas áreas que ocupam. Em Mosul, começaram por marcar as casas com uma letra equivalente ao N, que quer dizer Nazareno, a forma como são conhecidos os cristãos do Iraque. Ali, que é muçulmano, grafitou na porta da casa dele a mesma letra N, acrescentando: “Todos somos cristãos”. Depois disso, começou uma campanha no Twitter, convidando todos os iraquianos a fazer o mesmo que ele. São muitos os que seguiram o conselho de Ali.

 

A perseguição aos cristãos do Iraque começou no mês passado, assim que os rebeldes do Estado Islâmico – uma organização mais extremista do que a Al-Qaeda, de onde saiu por essa razão – ocuparam uma grande parte do Norte do Iraque. Nessa altura, intimaram os cristãos a uma de três coisas: converterem-se ao islamismo, pagarem um exorbitante imposto religioso ou encararem a morte.

 

Hoje, o mundo testemunha uma verdadeira atrocidade no Iraque: há uma perseguição em massa e o genocídio da população cristã. No entanto, a comunidade internacional tem tido uma actuação quase passiva de ajuda a estas populações. Só no último mês, quase duas mil pessoas foram levadas de casa, colocadas de joelhos em filas e assassinadas com um tiro na cabeça.

 

Os cristãos que optaram por sair de Mosul não têm para onde ir e tornaram-se refugiados, os que decidiram ficar e renunciaram ao islão foram assassinados. Dos mais de 60 mil cristãos que existiam em 2003, antes da invasão norte-americana, não resta nem um.

 

Não se compreende como é que a comunidade internacional, de forma negligente, não reage a esta perseguição religiosa em forma de genocídio que se está a estender a outras cidades iraquianas.

 

Nesta altura de férias, em que todos temos um pouco mais de tempo livre, aconselho-o a escrever um email à ONU e à Liga Árabe a pedir que intervenham na defesa daquelas pessoas. A sobrevivência delas pode depender disso.

 

 

 

 

 

alinhado por fcrocha às 09:49

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