Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Protestos e simulações

Os cerca de 50 passageiros do autocarro alugado vinham de Braga, onde tinham acabado de cumprir uma missão com êxito, que se preparavam para repetir. Pararam no Porto, em frente a uma fábrica metalúrgica na zona da Boavista com cerca de 200 funcionários (um deles filiado num sindicato da CGTP), com salários em dia, considerada líder no seu segmento, mas, que, tal como muitas outras empresas portuguesas, para se adaptar às condições do mercado, precisa de fazer uma reestruturação, que pode passar por negociar o despedimento de algumas pessoas.

 

Os 50 passageiros desenrolaram as faixas do costume, agitaram as bandeiras do costume e começaram a gritar os chavões insultuosos do costume. A estes 50 juntou-se o tal funcionário sindicalizado da empresa. No lado de dentro, os restantes funcionários olhavam para todo aquele espectáculo sem perceberem o que se estava a passar.

 

No minuto seguinte, apareceram as câmaras das televisões, lentes apontadas, microfones estendidos e os 51 a gritarem cada vez mais alto. Apenas um deles era funcionário da empresa, os outros, embora pudessem ter alguma ideia sobre a actividade daquela empresa, não representavam nenhum funcionário, mas faziam número.

 

Era mais uma brigada do sindicato do Partido Comunista. Os operadores de câmara das televisões recolheram as imagens, desligaram as máquinas e foram-se embora. Os jornalistas ainda não deviam ter os cintos de segurança colocados e já os manifestantes estavam a entrar no autocarro alugado, provavelmente rumo a mais um protesto operário simulado. A missão no Porto estava cumprida.

 

À noite, o noticiário de uma das televisões dizia que “trabalhadores de metalúrgica vêm para a rua manifestar-se”. Nas imagens vêem-se dezenas de bandeiras vermelhas da CGTP e um cartaz com as inscrições do costume, ouvem-se as queixas de um dirigente sindical e do funcionário que representa o sindicato. A jornalista não ouviu um único funcionário da empresa. No entanto, para todos os efeitos, a falsa notícia é a dos funcionários daquela empresa a protestar à porta das instalações.

 

Com jornalismo assim, a quem chega a verdade dos factos?

alinhado por fcrocha às 09:45

mais sobre mim

Outubro 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
16
17
18
19
21
24
25
26
27
28
29
31

pesquisar

 

comentários recentes

  • Concordo plenamente com as criticas aqui apresenta...
  • Já não erraram tudo!
  • Aconselho a leitura deste texto.https://www.facebo...
  • Devo dizer que concordo com o artigo, excepto a qu...
  • Pense apenas em duas coisas: 1ª todos falam da TAP...