Quarta-feira, 06 de Maio de 2015

Os prejuízos da TAP e os dos seus passageiros

Escrevo este artigo na qualidade de passageiro da TAP prejudicado pela greve dos pilotos actualmente em curso: em vez do voo directo Porto-Berlim que eu tinha reservado, obrigaram-me a trocar de companhia aérea, fazer escala em Barcelona e gastar quase um dia para fazer uma viagem que, em circunstâncias normais, demoraria pouco mais de três horas. Como gozo do privilégio de escrever neste espaço, posso usá-lo como meio de exprimir a minha irritação, mas tenho a certeza de que há milhares de passageiros tão irritados ou mais do que eu, consoante a dimensão dos seus prejuízos particulares ou profissionais.

 

Fará algum sentido o Governo investir na promoção do turismo nacional, quando a primeiro contacto desses turistas com o nosso país é muitas vezes feito através de uma companhia aérea ligada a greves ou atrasos incompreensíveis? Dificilmente essa primeira impressão será a melhor.

 

Fará algum sentido manter uma companhia de bandeira, com todos os custos que isso acarreta para o país, quando na Europa isso já quase não existe? Por exemplo, países como a Suíça, Espanha e Itália abdicaram das companhias aéreas de bandeira porque não tinham capacidade financeira para as sustentar. Por outro lado, alguns dos argumentos usados pelos opositores à privatização são de um nacionalismo tal que faria corar o próprio Doutor Oliveira Salazar.

 

Até agora, os pilotos da TAP faziam greves alegando serem em defesa da empresa. Há duas semanas, ficámos a saber, através de um documento divulgado por um ex-governante, que os pilotos são contra a privatização da TAP, a não ser que lhes dêem 20 por cento das acções. Esta semana, ficámos a saber que o piloto da TAP que é simultaneamente assessor financeiro do sindicato dos pilotos recebeu, só pelo seu desempenho na organização desta greve, qualquer coisa como 170 mil euros.

 

A TAP tem hoje um passivo muito elevado, uma estrutura e um modelo empresarial impossíveis de manter, muitos vícios acumulados, necessita urgentemente de uma injecção de capital (uma conta que será a dividir pelos contribuintes) e, perante a actual chantagem exercida pelos pilotos, torna-se quase impossível de privatizar. O que restará ao Governo? Deixar de intervir na gestão da TAP, deixando-a, pura e simplesmente, fazer o percurso natural de uma empresa nesta situação, a falência?

alinhado por fcrocha às 22:24

4 comentários:

Claro que faz sentido investir no turismo de Portugal! A TAP não é a única empresa de aviação que faz greves.... Quanto às comparações aqui feitas, isso não justifica nada, a não ser a forma pessoal de embarcar numa onda negativista, só porque foi um dos lesados.
Quanto aos opositores da privatização, apenas [e penso] constatam que é uma moda que não leva a lado nenhum, salvo para deixar o Estado apenas dependente dos impostos de quem trabalha, esquecendo os lucros que as empresas desviam para fora do erário público através das offshore! Será uma moda estar ao lado de quem quer enriquecer à custa de quem trabalha, na expectativa de daí retirar algum proveito pessoal? Ou convirá (antes do mais) ser uma pessoa isenta, criticando o que deve ser criticado?
Quanto aos pilotos e as justificações de ex-governantes, ou atuais governantes, convirá dizer que todos sabiam e sabem, mas faziam e fazem de conta que uma forma de calar essas pessoas, passa por lhes fazer um ataque. João Cravinho sabia ou não que o presidente da TAP aceitou transformar os complementos salariais (devidos aos pilotos) em ações da TAP e até um limite de 20% do capital dessa empresa? Sabiam, aceitaram, mas (ao que parece) não pagaram nem uma coisa nem outra depois de terem dito que o fariam.
Os atuais governantes, que estão com imensa pressa de entregar a empresa (“a algum amigo”) resolvem entrar no ataque ao assessor do sindicato dos pilotos. E por acaso já repararam quanto pagam estes governantes ao cabaz de assessores para andarem a fazer asneiras, e que nos sai do nosso bolso e não do bolso dos pilotos?! É bem mais de 170.000,00 euros!
Quanto aos prejuízos da TAP, algum governante teve a coragem de dizer quando começaram verdadeiramente os prejuízos da TAP e quem a está a enterrar, com milhares, de milhões, de prejuízo? Pelo que foi dado ouvir e ver a demonstração da “negociata” feita pelo atual presidente da TAP com a empresa brasileira de manutenção, a TAP que estava a dar lucros passou a dar prejuízos de cerca de três mil e tal milhões de euros! Note-se que não estamos a falar de milhões de euros, como aqueles que agora se fartam de todos os dias, e a toda a hora, enumerarem pelo resultado desta greve.
Acho que toda esta poeirada está a esconder algo que não interessa aos portugueses tomar conhecimento, mas que deviam ser esclarecidos e não são!
Matos Ferreira
Matos Ferreira a 7 de Maio de 2015 às 10:45
Os pilotos não querem a privatização porque sabem perfeitamente que vão perder muitas regalias.
E deve saber muito bem organizar uma greve de modo a que não tenha de trabalhar e ganhar 170 mil €, por esse dinheiro eu até organizava era uma greve de um mês ou mais no meu local de trabalho.
A Miúda a 8 de Maio de 2015 às 08:44
Eu expressei também a minha opinião no blog, por mim a TAP era privatizada e pronto acabava com o Lobby destes pilotos e mais uns quantos que andam afundar uma empresa destas que já foi muito boa.
Os pilotos não tem falta de emprego, se tivessem mesmo descontentes com a sua situação saiam para outra companhia, mas não saem porque, porque na TAP tem melhores condições e melhores horas de descanso que noutras companhias. São contra a privatização porque sabem perfeitamente que os seus rendimentos vão cair porque iram deixar de ser pagos exageros e balúrdios por subsídios de voos transatlânticos e afins.... Já não há paciência nenhuma para eles e as suas greves parvas que estão a comprometer o país, sim porque havendo uma privatização irá render menos ao estado do que se a empresa ainda mantivesse uma boa reputação. E se for mesmo a falência já viu quantos desempregados especializados na aviação ficamos?
Niki a 8 de Maio de 2015 às 09:33
Pense apenas em duas coisas: 1ª todos falam da TAP, claro porque é quem dá mais nas vistas, mas qual foi a politica de transportes implementada por este governo??? 0,0,0 nada. veja como estão as restantes empresas de transportes públicos, a única politica foi desvalorizar, desencentivar, e embrulhar para vender. Já agora todos sabemos que a gestão dos transportes é uma medida de gestão dos países que convém preservar.
2º refere "Fará algum sentido manter uma companhia de bandeira, com todos os custos que isso acarreta para o país, quando na Europa isso já quase não existe?", então os privados querem essas empresas para ter prejuizos??? Faz falta é uma gestão séria dos transportes e não a demagugia que o governo nos tem servido
Anónimo a 8 de Maio de 2015 às 12:29

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