Quinta-feira, 05 de Fevereiro de 2015

Editorial: Novas competências, velhas práticas.

 

 

 

Às juntas de freguesia foram atribuídas mais algumas competências. No entanto, alguns presidentes de junta da nossa região criaram uma outra que não está na lei: a de promover rastreios gratuitos, em especial aos cidadãos com mais de 60 anos, mas com implicações comerciais.

 

Nas últimas semanas, algumas juntas de freguesia têm cedido as suas instalações para que empresas promovam rastreios gratuitos de prevenção de AVC (acidente vascular cerebral), auditivos ou oculares. Todos estes exames são efectuados por empresas com interesses comerciais na área e por pessoal que não é médico. Os rastreios oculares não são feitos por oftalmologistas, mas por técnicos que têm como missão vender óculos. Os rastreios auditivos são feitos por técnicos de empresas que vendem aparelhos auditivos cujo preço é variável, consoante a condição financeira da potencial vítima do ataque comercial. Dizia-me um amigo otorrinolaringologista que, provavelmente, se a maioria dessas pessoas tivesse consultado um médico da especialidade, teria sido informada de que não precisa de nenhum daqueles aparelhos, que podem custar “os olhos da cara”.

 

Mas, de todos os rastreios, o mais escandaloso é o rastreio da prevenção de AVC feito nas sedes das juntas de freguesia. A empresa que promove o rastreio trata de ligar às pessoas com mais de 60 anos, dizendo que estão a fazer um “rastreio do AVC” na sede da junta de freguesia, que é uma iniciativa do senhor presidente da junta e que é totalmente gratuito. Depois de marcarem uma hora, mandam ir ter com o “dr. Fulano” (que, em regra, é um técnico sem curso superior e com uma bata branca). Quando a vítima lá chega, o rastreio resume-se a uma pesagem e à indicação da gordura corporal, do índice de massa muscular e do metabolismo. Em consequência disso, descobre-se que a pessoa é hipertensa e que a solução para o problema é comprar um colchão ou uma poltrona de massagens que custam uma verdadeira fortuna, reduzida a “suaves prestações” ao longo de quatro anos.

 

A situação é grave, por dois motivos: primeiro, porque se trata de empresas que usam práticas desleais e vendas agressivas para enganar as pessoas; segundo, porque não se compreende o que leva os presidentes das juntas de freguesia a compactuar com essas práticas reprováveis.

 

 

 

alinhado por fcrocha às 12:36

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