Quinta-feira, 21 de Maio de 2015

De pequenino…

Estas últimas duas semanas têm sido férteis em notícias de crimes, agressões e vandalismo. Ao contrário do que acontecia há uns anos, esse tipo de notícia deixou de estar associado quase exclusivamente aos bairros problemáticos, aparecendo agora um pouco por todo o lado.

 

O novo mapa do crime é hoje muito mais do que a grande cidade. O novo perfil da delinquência é, em parte, o reflexo de uma educação permissiva e da demissão do exercício de paternidade. A omissão da família na educação das crianças começa a tornar-se visível não só por novas práticas de criminalidade, mas também pelo comprometimento, talvez irreversível, de grande parte de uma nova geração.

 

Javier Urra, um psicólogo forense de Espanha, escreveu o livro “O Pequeno Ditador”, que já vendeu 20 mil exemplares no nosso país. O livro ajuda os pais a evitarem que os seus filhos se transformem em pequenos ditadores, estabelecendo limites aos seus comportamentos e revelando regras fundamentais na educação. Na perspectiva de Javier Urra, as crianças de hoje olham para os pais como uma caixa Multibanco: dão-lhes dinheiro para tudo, compram-lhes todas as novidades e, quando não as compram, exigem-nas, seja em casa, seja na loja ou no supermercado.

 

A maioria dos pais parece não se aperceber de que isto se passa. Alguns apercebem-se, mas acham que é uma fase que vai passar, que é uma situação que vai melhorar. Mas, se os pais não fizerem nada, só vai piorar.

 

A valorização do sucesso sem limites éticos, a apresentação de desvios comportamentais num clima de normalidade e a consagração da impunidade têm ajudado ao aparecimento dos pequenos delinquentes. A cada dia que passa, há a sensação de que há mais jovens a cometer crimes. Por exemplo, no ano passado, houve mais de três mil denúncias contra menores que agrediram os pais. Mas creio que este número possa ser maior, uma vez que, em regra, as mães não denunciam os filhos. Quem denuncia é o médico, o vizinho…

 

Para resolver o problema da delinquência é preciso ir às causas profundas e a vigente pedagogia da concessão, da desestruturação familiar e da crise de autoridade pode conduzir-nos a um futuro pouco pacífico.

alinhado por fcrocha às 09:20

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