Quinta-feira, 11 de Agosto de 2016

Confundir o essencial com o acessório

Ao aproximarmo-nos da época eleitoral, sentimos que muitas vezes a racionalidade dá lugar à demagogia. Parece ser isto o que está a acontecer no concelho de Valongo.

 

A mais recente polémica prende-se com um folheto que a Câmara Municipal enviou a toda a população no qual prestava contas sobre a actividade do ano anterior e que a oposição – leia-se PSD e CDU – diz faltar à verdade.

 

No tal folheto de prestação de contas é dito que a Câmara Municipal de Valongo paga aos seus fornecedores em seis dias, que baixou a dívida municipal em três milhões de euros, que executou 95 por cento do Orçamento, que a autonomia financeira do município subiu para mais de 70 por cento, etc. Nenhum destes dados é posto em causa, mas, ao que parece, o que indigna o PSD e a CDU é o facto de se dizer que a Câmara Municipal transferiu para as juntas de freguesia mais de um milhão de euros para estas fazerem, entre outras coisas, “varredura das ruas e passeios cinco vezes por semana”. E este “cinco vezes por semana” é que escandalizou a oposição.

 

Vamos por partes: existe um protocolo celebrado entre a Câmara Municipal e as Juntas de Freguesia que prevê que estas ficam responsáveis pela varredura das ruas e passeios das suas freguesias. No entanto, as ruas que são varridas cinco vezes por semana são apenas as centrais. O erro na comunicação da Câmara Municipal é dar a entender que esta periodicidade é de todas as ruas, quando, na verdade, é de apenas algumas.

 

No entanto, há pouco mais de um mês, o VERDADEIRO OLHAR publicou uma sondagem feita no concelho de Valongo. Um dos resultados desse estudo indica que o que mais preocupa a maioria dos valonguenses é a falta de limpeza nas ruas e passeios do concelho.

 

E é aqui que está o essencial: não é saber se o folheto diz que as ruas devem ser varridas cinco vezes por semana ou uma vez por mês, é que a maioria da população sente que elas não são varridas. Certamente que se as ruas fossem varridas, nem que fosse duas vezes por mês, este não seria a maior preocupação da população...

 

O essencial é saber por que é que a limpeza não é efectuada quando as Juntas de Freguesia recebem dinheiro para fazer esse serviço. Parece-me que a oposição deveria questionar o presidente da Câmara Municipal para saber se a delegação de competências que foi feita nessa área é benéfica ou não para os munícipes.

 

O assunto é sério, uma vez que preocupa a maioria da população. Por isso, não deveria ser sujeito à demagogia e ao populismo que procuram confundir o essencial com o acessório.

alinhado por fcrocha às 18:39
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