Quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Condicionar concelhias

 

 

Apesar de ainda faltarem três anos até às próximas eleições autárquicas, José Luís Carneiro, o líder da distrital portuense do Partido Socialista, lançou as candidaturas às câmaras municipais de Paredes e Penafiel.

 

Se em Paredes esta decisão não causa grande alarido, uma vez que o partido parece estar coeso em torno de Alexandre Almeida, o mesmo já não se pode dizer relativamente a Penafiel, onde André Ferreira continua a afirmar que “qualquer pessoa que obteve um resultado idêntico [àquele que ele obteve] tem uma perspectiva forte de vencer”, mostrando-se, assim, disponível para voltar a ser o candidato à câmara.

 

Esta perspectiva do candidato, que parece realista olhando apenas para o resultado eleitoral obtido, carece, contudo, de melhor interpretação, se se tiver em conta o contexto em que decorreram as eleições.

 

Antes de mais, é preciso relembrar que André Ferreira foi candidato no ano em que Alberto Santos saiu. Para além disso, o candidato da coligação de direita foi Antonino de Sousa, até então líder do CDS-PP, o partido mais pequeno da coligação e que, a poucos dias do início da campanha eleitoral, deu uma cambalhota para se tornar candidato independente pela coligação Penafiel Quer. A tudo isto podemos ainda acrescentar uma facção do PSD, encabeçada pelo deputado Mário Magalhães, que discordava da escolha de Antonino de Sousa e passou todo o tempo a tentar condicionar a campanha eleitoral.

 

Importa não esquecer, igualmente, que as eleições autárquicas decorreram numa altura em que o Governo de direita estava com a pior popularidade de sempre, contribuindo para alguns desastres eleitorais em concelhos que eram considerados bastiões sociais-democratas, como Paços de Ferreira ou Valongo. No entanto, apesar de todo este cenário aparentemente favorável, André Ferreira não conseguiu evitar que a coligação de direita obtivesse em Penafiel o segundo melhor resultado do distrito.

 

Por tudo isto, ao anunciar com três anos de antecedência a candidatura de André Ferreira às próximas eleições autárquicas, José Luís Carneiro está ilegitimamente a condicionar a decisão dos órgãos concelhios, a quem compete indicar os candidatos.

 

Quem estiver minimamente atento à política local já há algum tempo percebeu que, para chegar a cabeça de lista do PS nas próximas eleições autárquicas, André Ferreira vai ter que medir forças com Nuno Araújo e Fernando Malheiro. Parece-me até que terá poucas possibilidades em relação ao segundo.

 

Por isso, anunciar neste momento André Ferreira como candidato é, para além de precipitado e desajustado, condicionar e predeterminar de forma ilegítima a capacidade da concelhia socialista e ofende certamente a dignidade e o prestígio de quem a preside.

 

 

alinhado por fcrocha às 19:13
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