Quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

Coincidências

 

Em regra, costumamos classificar como coincidência quase tudo o que de imprevisto e surpreendente nos acontece no dia-a-dia e que não conseguimos explicar de outro modo. À falta de melhor, ou porque não vimos que de uma determinada causa resultou um determinado efeito, conformamo-nos em não compreender a razão das coisas, bastando-nos organizar os fenómenos aparentemente inexplicáveis em dois grandes grupos: as coincidências felizes (sortes) e as infelizes (azares).

 

Tal como fazemos na vida pessoal, fazemos na observação da vida política, mas neste universo há tantas coincidências que já nos é mais fácil desconfiar de ser possível haver tantas. Se nos é familiar a máxima “em política não há coincidências”, isso deve-se à conclusão comum de que, em política, os actos são quase sempre provocados por interesses, o que nos deve levar a tentar perceber as razões que estiveram por trás de uma determinada ocorrência que seja relevante, no seu efeito, para a vida das populações.

 

Vem isto a propósito das súbitas mudanças de comportamento de alguns protagonistas da política local de Paredes. É certo que ainda faltam três anos até às próximas eleições autárquicas, mas o facto de o actual presidente da Câmara Municipal não poder recandidatar-se, por força da lei, tem provocado uma agitação fora do normal nos dois principais partidos.

 

Para um observador atento, há dois exemplos que poderiam ser dados de comportamentos políticos intrigantes, isto é, que desafiam explicações.

 

É o caso de José Henriques Soares, até há poucos dias militante do PSD, que foi presidente de um núcleo social-democrata e chegou mesmo a concorrer à presidência da Comissão Politica de Paredes do PSD. Hoje, aparece em todas as actividades do PS, tendo-se mesmo filiado naquele partido.

 

Outro caso é o de Joaquim Neves, que foi vereador do actual presidente da Câmara Municipal, tendo entrado em conflito com este ao final de dois anos. Desde essa altura desenvolveu uma oposição forte a Celso Ferreira, a ponto de este ter chegado a classificar as suas posições como sendo “autêntico terrorismo político”. Subitamente, tornou-se um defensor de Celso Ferreira.

 

Pois bem, estaremos perante duas fortes coincidências ou, pelo contrário, serão estas trajectórias imprevistas e surpreendentes explicáveis por incontornáveis interesses pessoais, com beneficiados e prejudicados identificáveis no presente ou a identificar num futuro próximo?

 

E, invocando outra máxima (é o mínimo que podemos fazer...), será que é avisado acreditar em que “o inimigo do nosso inimigo nosso amigo é”?... Aceitarmos alguém no nosso círculo de afinidades apenas pela capacidade que demonstra na destruição dos nossos adversários não será pormo-nos a jeito para sermos os próximos a serem destruídos? Bem, esse potencial está lá. Depois não digam que foi coincidência...

 

alinhado por fcrocha às 11:06
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