Quinta-feira, 20 de Maio de 2010

Cavaco: Em que se distingue de Soares e Sampaio?

Escrevo este texto dois dias antes do Presidente da Republica visitar o concelho de Paços de Ferreira e dois dias depois de ter promulgado a lei do casamento homossexual. Por isso, considero oportuna uma reflexão sobre a atitude do Presidente da Republica.

 

Na sua declaração toda pomposa ao país, Cavaco Silva começou por enumerar uma série de argumentos lógicos contra a lei do casamento homossexual. Um desses argumentos é o da possibilidade de se legalizar a união entre duas pessoas do mesmo sexo sem lhe atribuir o estatuto de casamento. Ao atribuir-lhe o estatuo de casamento, Cavaco Silva abriu uma brecha grave na sociedade portuguesa: vai permitir que os homossexuais adoptem crianças e não vai conseguir impedir que as crianças aprendam na escola que o casamento entre um Joaquim e um Manuel é uma coisa normal. Cavaco Silva deu um passo para o lado errado.

 

Argumentar que não vetava a lei porque, provavelmente, ela voltaria a passar e ele teria que a promulgar, é uma falsa questão. Primeiro, porque não é necessariamente verdade que o Governo a voltasse a apresentar; Segundo, caso a Assembleia da Republica insistisse na lei, o Presidente teria sempre a possibilidade de renunciar ao mandato, para não ser obrigado a assinar uma lei que viola a sua consciência. Neste caso, estou certo, os portugueses o reelegeriam com uma maioria muito forte. Assim, ao dizer que não vetou a lei porque ela voltaria ao Palácio de Belém e aí teria que a promulgar, Cavaco Silva deu um sinal de desânimo aos portugueses. É o mesmo que dizer à selecção nacional: “Não vão ao mundial, porque dificilmente vamos ganhar o torneio”.

 

Cavaco Silva conseguiu, em apenas um mandato, promulgar a lei do aborto e do casamento homossexual. Afinal, em que se distinguiu dos outros presidentes de esquerda?

 

O Presidente da Republica evocou a crise económica para não fazer uso do veto, porém, antes de ser económica, a crise que Portugal atravessa é uma profundíssima crise de valores. As crises de valores são mais importantes que as crises financeiras.

alinhado por fcrocha às 12:26

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