Sábado, 07 de Julho de 2012

Trafulhice e doutorice

Trafulhice. John Major sucedeu a Margaret Thatcher e foi primeiro-ministro inglês. Não era licenciado em nada, ninguém lhe exigiu uma licenciatura, nem os ingleses acharam que isso era importante para o desempenho das funções de primeiro-ministro. Tanto é que todos sabiam que o senhor não era licenciado e ninguém achou que isso era relevante. O que os britânicos não toleram é a trafulhice. Vem isto a propósito da licenciatura duvidosa do ministro Miguel Relvas. Já tivemos um primeiro-ministro que inventou uma licenciatura em engenharia tirada ao domingo, agora temos um ministro que frequentou apenas quatro “cadeiras” das 36 exigidas no curso e é licenciado. O problema não está no facto de o senhor ter ou não ter licenciatura. O problema é a trafulhice que esta gente faz para conseguir o canudo. E quem faz isto, faz muito mais com toda a certeza. Era conveniente recordar a Miguel Relvas que por muito menos demitiu-se o Presidente da Alemanha. Há pouco mais de um ano, um jornal alemão levantou a suspeita de que o então presidente alemão tinha plagiado uma parte da sua tese de doutoramento e, imediatamente, o senhor pediu a sua demissão. A permanência de Miguel Relvas no Governo vai descredibilizar o trabalho de outros ministros.


Doutorice. Toda a gente fala em tirar um curso. Os pais querem, à força toda, que o filho tire um curso. Que seja doutor. Os filhos vão todos para psicólogos, jornalistas, gestores e engenheiros de coisas estranhas. Quer dizer, eles não vão. Eles tiram esses cursos e depois para onde vão – mas vão mesmo – é para o desemprego. Na última Assembleia Municipal de Lousada, a vereadora Cristina Moreira, em jeito de lamento, lá foi dizendo que naquele concelho existem dezenas de ofertas de emprego que estão por preencher. Mas também disse que conseguiu que fossem leccionados alguns cursos profissionais na escolas do concelho e que não têm alunos, porque os pais não deixam os filhos frequentar esse tipo de cursos. Os números do desemprego revelam que um diploma na mão não é garantia de emprego certo, mas os pais continuam a apostar em licenciaturas que não servem para nada, hipotecando o futuro dos filhos. Saber escolher a profissão é o melhor trunfo para escapar ao desemprego.

alinhado por fcrocha às 11:01

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