Quarta-feira, 28 de Setembro de 2016

Só falta fazer um desenho

Está aberta a época. Não a futebolística, embora esta também se faça de equipas, jogos e rasteiras, mas a das eleições autárquicas.

O pontapé de saída foi dado, em Paredes, por Rui Moutinho. Perguntará o leitor: por quem? Por Rui Moutinho. Pode parecer um ilustre desconhecido, mas já perceberá que o assunto tem mais importância do que parece.

Rui Moutinho é o actual Director Financeiro do município e ontem apresentou a sua candidatura à presidência da Câmara Municipal de Paredes, sem o logótipo de qualquer partido, o que, à partida, poderia aparentar uma candidatura independente. Mas não é.

A sala onde decorreu a apresentação da sua candidatura estava repleta de figuras públicas, todas ligadas ao PSD local. Para além de Celso Ferreira, o actual presidente da autarquia, estava o vereador Manuel Fernando Rocha, o líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal, José Manuel Outeiro, a maioria dos elementos da Comissão Política Concelhia do PSD e, não menos relevante, 12 dos 13 presidentes de Junta de Freguesia eleitos por aquele partido, para além de outras figuras relevantes na vida do partido, como Maria João Fonseca, Filipe Silvestre Carneiro, José Mota, entre outros.

O símbolo do PSD não estava lá, mas o PSD real estava, quase na sua totalidade. Quem olhava para a composição da plateia percebia claramente que aquela era uma candidatura do PSD.

Tudo isto levanta uma questão: o que fará Pedro Mendes, o presidente da Comissão Politica Concelhia do PSD, perante tudo isto?

Antes de mais, importa salientar que o presidente de uma comissão política não tem que ser necessariamente o candidato à Câmara Municipal. Nas últimas eleições autárquicas em Paços de Ferreira, em Penafiel e em Lousada, só para referir os concelhos vizinhos, o presidente da comissão política não foi o candidato à Câmara Municipal.

Posto isto, a Pedro Mendes restam-lhe duas opções. A primeira, diria a mais inteligente, é saber interpretar o sinal que o partido lhe enviou através da maioria dos elementos da sua comissão política e de quase todos os presidentes de junta, desencadear o processo de apoio institucional ao candidato e tentar que durante o seu mandato o PSD volte a ganhar umas eleições autárquicas. Se assim for, sai reforçado no seio do partido. A segunda é, caso discorde da decisão tomada pela maioria dos seus colegas, abandonar a presidência da Comissão Política.

Há uns anos, os militantes mais influentes do CDS de Paredes decidiram que o já falecido José Manuel Oliveira seria o melhor candidato à presidência da Câmara Municipal. Na altura, Manuel Teixeira era o presidente do partido no concelho e discordava da opção. Mas, como essa era a vontade da maioria, saiu da presidência da Comissão Política, para não condicionar o processo autárquico.

Pedro Mendes pode optar por uma solução idêntica, mas isso pode deixá-lo à margem da vida partidária nos próximos anos. Pode também optar por criar obstáculos, como devolver pelouros ou dificultar a gestão do município, mas tais retaliações imaturas e pouco inteligentes não se coadunam com o perfil do vereador.

Dir-me-á o leitor: mas Rui Moutinho não é conhecido. Respondo: não era. Mas já não estamos a falar dele?...

alinhado por fcrocha às 16:39
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Sábado, 24 de Setembro de 2016

Um novo PREC

Na rentrée do Partido Socialista, a deputada bloquista Mariana Mortágua afirmou que era preciso “ir buscar dinheiro a quem está a acumular”. E o que fizeram os socialistas presentes? Aplaudiram efusivamente a ideia leninista da deputada do Bloco de Esquerda. Confesso que nesse momento fiquei preocupado. Como se não bastasse ter um Governo dirigido por um Primeiro-Ministro que perdeu as eleições, agora fiquei com a certeza de que quem manda no Governo é um partido da esquerda radical.

A ideia de ir buscar dinheiro a quem está a acumular é um roubo a todos aqueles que produziram riqueza com o seu trabalho. Vejamos: quando o leitor quer construir uma casa, independentemente do seu valor, tem de pagar impostos para fazer a escritura do terreno, sobre a venda do terreno, sobre os materiais que adquiriu, ao empreiteiro que a construiu e depois o IMI correspondente à casa. Quando, depois disto tudo, ainda lhe aplicam um imposto suplementar, apenas porque, com o seu trabalho, conseguiu construir uma casa maior do que a do vizinho, estão a roubar uma parte do seu rendimento já depois de ter liquidado todos os impostos.

Dou-lhe um exemplo real: tenho uns primos que emigraram para França ainda no início dos anos 70. Trabalharam de sol a sol, em mais do que um emprego, e de segunda a domingo. Enquanto lá estiveram, foram enviando dinheiro para Portugal e construíram duas grandes casas, para eles e para os filhos. Agora, que chegou à altura de se reformarem, regressaram a Portugal para desfrutar do rendimento que conseguiram obter com o seu trabalho honesto. Parece-lhe justo que venha uma qualquer visionária advogar que lhes retirem uma parte do que, com muito sacrifício pessoal, acumularam com o seu trabalho, já depois de terem pago todos os impostos aplicáveis?

Este é apenas um exemplo dos disparates que estão a acontecer na governação do país. Não deixa de ser preocupante quando os partidos que defendem um novo PREC mandam num dos partidos fundamentais para o funcionamento do sistema democrático.

alinhado por fcrocha às 15:51
Sábado, 17 de Setembro de 2016

Quase cheia

DSC08835-1.JPG

 Tirei esta fotografia ao início da noite a partir da minha casa. A Lua ainda não estava totalmente cheia, mas deve ter sido assim que António Caeiro a viu quando escreveu este poema:


“O luar quando bate na relva
Não sei que cousa me lembra...
Lembra-me a voz da criada velha
Contando-me contos de fadas.
E de como Nossa Senhora vestida de mendiga
Andava à noite nas estradas
Socorrendo as crianças maltratadas...
Se eu já não posso crer que isso é verdade,
Para que bate o luar na relva?”

alinhado por fcrocha às 14:39
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Quarta-feira, 14 de Setembro de 2016

No mapa da cultura portuguesa

Depois de Urbano Tavares Rodrigues, José Saramago, Agustina Bessa-Luís, Mia Couto, António Lobo Antunes, Mário de Carvalho, Lídia Jorge e Mário Cláudio, é a vez da escritora Alice Vieira ser homenageada no Escritaria, o festival literário de Penafiel que presta tributo à vida e obra de escritores de língua portuguesa.

Quem passar pelas ruas de Penafiel entre os dias 6 e 9 de Outubro irá encontrar uma cidade transformada na casa temporária da escritora de livros juvenis. Haverá teatro, música, exposições, conferência, encontros com a escritora, lançamento de livros e, pela primeira vez, uma feira do livro com títulos dos autores anteriormente homenageados. Para além de tudo isto, a cidade será contaminada com objectos e frases que lembrarão os mais distraídos que, por esses dias, Penafiel é a cidade de Alice Vieira.

 

No ano passado, depois de terminada mais uma edição do Escritaria, o escritor Mário Cláudio resumia desta forma o festival literário: “É um evento que coloca Penafiel no mapa da cultura portuguesa, da cultura mais viva”. Na verdade, o contágio que se pretendia para Penafiel estendeu-se ao país e o evento que, aparentemente, era regional rapidamente transformou-se num dos mais importantes episódios literários do país.

 

Numa altura em que os autarcas são tantas vezes vistos com desconfiança e desprestígio, importa recordar que o Escritaria não é, nem nunca foi, uma iniciativa do Ministério da Cultura ou de qualquer outra entidade do Governo central. O Escritaria é uma iniciativa concebida e promovida pelos autarcas de Penafiel.

 

É relevante reconhecer e enaltecer publicamente este tipo de acontecimentos, pois mostram-nos a face dourada do poder que contribui para o desenvolvimento das nossas parcelas de território.

 

Publicado no Jornal Verdadeiro Olhar

 

escritaria1.jpg

 

alinhado por fcrocha às 11:47
Quarta-feira, 07 de Setembro de 2016

Boçalidade sem limites

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 Qual é o limite para o humor? Será que o limite é não ter limite?

 

O humorista João Quadros, conhecido por escrever os textos para Bruno Nogueira, usa as redes sociais para insultar tudo o que se mexa e lhe pareça que não alinha com os seus ideais de extrema-esquerda. Em regra, usa um tipo de linguagem que nos faz regressar às tabernas da Idade Média.

 

João Quadros, que gosta de pensar que é um génio, é uma espécie de Fernando Rocha, só que mal-intencionado e, ao contrário de Fernando Rocha, que apenas tenta fazer rir, tem uma agenda política bem definida, recorrendo ao vernáculo para se referir àqueles que tenta atacar, numa espécie de humor fácil para pessoas que não gostam de pensar muito.

 

Vem isto a propósito da contratação de João Quadros pela Antena 3, a rádio pública. Não lhe parece questionável que a estacão pública contrate uma personagem para fazer rir algumas pessoas chamando “vaca”, “puta” ou “bicha bêbada” a políticos, jornalistas e gestores de empresas privadas? Será que há algo de engraçado no meio desta malícia azeiteira?

 

João Quadros não tem piada, é um tosco mal-educado que a partir de agora será pago por todos os contribuintes.

alinhado por fcrocha às 14:53
Sábado, 03 de Setembro de 2016

Desculpe lá

O “Desculpe lá” é uma coisa muito nossa, que está na moda. “Desculpe lá” é tipo peço desculpa, mas ao mesmo tempo afirmo. Peço desculpa por afirmar o que penso e peço desculpa por pensar assim. O “Desculpem lá” é característico de pessoas que não têm o hábito de definir posições, que preferem ficar caladas, ser evasivas do que confrontar a ideia de outra pessoa com a sua. Depois, como somos todos muito finos, achamos que isto de não ter opinião ou pelo menos não ir contra a maré é saber viver. Tudo porque achamos que discutir é falar aos gritos; que criticar é apenas dizer mal. No fundo, temos opinião sobre tudo, desde que isso não nos comprometa. Desculpe lá se fui contra a sua opinião. Só não quero é arranjar chatices.

alinhado por fcrocha às 14:53

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