Sábado, 29 de Agosto de 2015

É um suponhamos…

Vamos supor que o indivíduo detido pela Policia Judiciária no final de Julho era o ex-motorista do presidente de um clube de futebol do norte, por exemplo assim à sorte, do Futebol Clube do Porto.

 

Vamos supor ainda que por causa da apreensão dessa droga em estado puro, que depois de colocada no mercado tem um valor aproximado de três milhões de euros, a PJ fazia buscas nesse tal clube do norte.

 

Se este suponhamos tivesse acontecido:

 

1 – A notícia do JN, publicada no dia 27 de Agosto, estava mais do que desactualizada. Todos nós tínhamos assistido na SIC, no final de Julho e com ligação em directo, à chegada da PJ ao Estádio do Dragão para efectuar as buscas;

 

2 – A TVI já tinha questionado a direcção do clube do norte sobre em que dia é que o funcionário apanhado com droga tinha sido despedido: antes ou depois de ter sido detido pela PJ?

 

3 – No Telejornal da RTP, José Rodrigues dos Santos já teria posto o telespectador a pensar como é que, sendo um ex-funcionário do clube, o individuo foi detido enquanto conduzia um carro que é propriedade do clube do Dragão.

 

Mas isto é apenas um suponhamos.

Para que não se façam juízos desacertados, importa referir que sou sócio do Benfica com quotas pagas.

 

alinhado por fcrocha às 10:18
Quinta-feira, 27 de Agosto de 2015

Idosos, promessas e birras

Idosos protegidos por lei. Há uns dias, o Conselho de Ministros aprovou uma resolução que prevê criminalizar o abandono dos mais velhos. É verdade que há cada vez mais idosos maltratados e abandonados nos hospitais. Mas que raio de sociedade é esta em que é necessário passar a letra de lei que um filho não pode abandonar os pais? Que sociedade é esta em que é necessário fazer uma lei idêntica à que se fez para prevenir o abandono de animais para se aplicar aos mais velhos?

 

Promessas a que preço? Desde que iniciou a sua campanha, António Costa já nos prometeu a redução da TSU para empregadores e trabalhadores, o fim da sobretaxa do IRS, o complemento solidário para trabalhadores de menores rendimentos, as alterações ao RSI, alterações ao complemento solidário para idosos e ao abono de família e a eliminação dos cortes nos salários. Tudo somado, vai-nos custar (a si e a mim) qualquer coisa como 5 mil milhões de euros. Como se isso já não bastasse, António Costa começou por prometer a criação de 207 mil postos de trabalho, que depois passou de promessa a compromisso e de compromisso a estimativa.

 

Duas notas breves sobre este assunto: a primeira é que, à excepção dos países africanos subdesenvolvidos, somos o único país do mundo onde um partido promete criar postos de trabalho; a segunda é que, em tempos, houve um outro candidato do mesmo partido que ganhou as eleições prometendo criar 150 mil novos postos de trabalho. O resultado dessa e de outras promessas chegou em 2011, com a falência do país.

 

Birra. Há poucos dias, recebemos uma notificação da Comissão Nacional de Eleições (CNE) a advertir o VERDADEIRO OLHAR relativamente à cobertura jornalística feita nas últimas eleições autárquicas, com entrevistas apenas aos líderes dos partidos ou coligações que tinham assento nos executivos municipais. Entende a CNE entende que devíamos ter entrevistado todos os partidos concorrentes. No entanto, a mesma CNE autoriza as televisões e os jornais nacionais a fazerem cobertura jornalística e a organizarem debates apenas com os partidos ou coligações com assento na Assembleia da República.

A propósito de debates, não se compreende a birra da coligação de direita. Como a coligação estará representada pelo seu líder, Pedro Passos Coelho, parece-me não fazer qualquer sentido a presença de Paulo Portas nesses debates. Tem razão o PS quando afirma que a presença de dois membros da coligação seria colocar as outras forças políticas em desvantagem.

alinhado por fcrocha às 13:02
Quinta-feira, 13 de Agosto de 2015

As chamas do lucro e Sabem fazer o quê?

As chamas do lucro. O país está de novo a arder mas, apesar das condições climatéricas e o desordenamento florestal serem propícios aos incêndios, sabemos que por trás da maioria dos fogos está uma mão criminosa. O que a move? Será que a motivação de tanta destruição é o lucro? Será que vamos ter, em breve, Portugal de novo em cinzas apenas devido à eterna ganância gerada pelo vil metal?

 Há uns tempos o jornalista José Gomes Ferreira escreveu um artigo intitulado “A indústria dos incêndios” onde garante que “há muita gente a beneficiar, directa ou indirectamente, da terra queimada”. Um artigo corajoso, que põe o dedo numa ferida sobre a qual poucos querem falar, onde são apresentadas várias questões incómodas sobre a realidade dos incêndios, ao que se segue uma série de propostas do que o Estado podia – e devia – fazer.

Há várias questões sem resposta, uma delas é Porque é que o combate aéreo aos incêndios em Portugal é totalmente concessionado a empresas privadas, ao contrário do que acontece noutros países da orla mediterrânica? Porque é que os testemunhos populares sobre o inicio de incêndios em várias frentes após uma passagem de aeronaves continuam sem investigação, após tantos anos de ocorrências? Outro dos dados conhecidos esta semana é que mais de 80 por cento dos fogos florestais começaram de noite. Ou há alguém a pegar fogo à mata ou o luar de Agosto está tórrido.


Sabem fazer o quê? “Se um partido não sabe fazer cartazes, sabe fazer o quê?”, perguntava-me um dia destes um amigo. Os cartazes podem não ter assim muita importância, mas é importante que um partido a sério, que quer ser poder, saiba fazer cartazes e, acima de tudo, que não se baralhe todo na forma de comunicar.

O PS tem sido uma desgraça completa no que toca a cartazes. Já não vou falar naquele cartaz que parece tirado de um anúncio do “Reino de Deus”. Colocar um cartaz com uma senhora desempregada há cinco anos, precisamente quando o mesmo PS era Governo, é muito mau. Que a senhora da foto não tenha dado autorização para que usassem a sua imagem é péssimo. Que a senhora que aparece como desempregada na verdade seja funcionária de uma junta de Lisboa liderada pelo PS é pouco sério.

A culpa não é do publicitário brasileiro que faz campanhas para o PS desde o tempo de António Guterres. A culpa é de quem lidera o PS. Para fazer cartazes é preciso ter ideias para o país. Compreendo que numa altura em que as exportações aumentam, o desemprego baixa e o país já não está na bancarrota, seja difícil ter ideias melhores.

alinhado por fcrocha às 13:05
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Quinta-feira, 06 de Agosto de 2015

Um bebé não vale mais do que um leão?

Certamente que o leitor já conhece a trágica história do “Cecil”, um leão do Zimbabué que foi caçado por um dentista americano. Parece que Walter Palmer, o tal dentista que costumava caçar com arco e flecha, depois de ter pago 50 mil dólares para garantir uma caça legal, apanhou o leão mais famoso daquele país, que era até a maior atracção turística do Parque Nacional de Hwange. O episódio chegou às redes sociais e, de repente, as atenções do mundo inteiro estavam concentradas no pobre leão. A notícia teve honras de destaque em todos os noticiários televisivos. Coitadinho do leão...

 

É certo que o leão morreu, mas o dentista parece que não ter tido melhor sorte, uma vez que, desde que a sua identidade se tornou conhecida, foi sujeito a uma espécie de julgamento popular. Há quem apele à sua extradição para o Zimbabué, há quem defenda que nestes casos se deva aplicar a pena de morte, há quem o persiga na localidade onde reside e até o forçaram a encerrar o seu local de trabalho. O caso tomou tal dimensão que, para espanto de todos, Barack Obama (sim, esse mesmo, que é Presidente dos EUA!…) mandou abrir um inquérito para se apurarem as responsabilidades e para que haja uma punição exemplar em casos semelhantes. Coitadinho do dentista...

 

Na mesma semana, foram divulgadas imagens, captadas através de câmaras ocultas, que mostravam a directora da Planned Parenthood – uma multinacional americana detentora de clínicas de aborto – a vender órgãos de bebés (não era pele de leão, eram mesmo órgãos humanos!), em troca de muitos milhares de euros ou de outros bens materiais como, por exemplo, um Lamborghini. Mas, desta vez, não houve nenhuma onda de indignação: as televisões fizeram de conta que isto não é assunto, os jornais tinham mais em que gastar papel, as indignadas redes sociais não ameaçaram a directora da Planned Parenthood, nem ela parece preocupada com o assunto. O tal Barack Obama (o que vive na Casa Branca e mandou abrir um inquérito à morte de um leão em Africa) também mandou abrir um inquérito sobre este assunto, mas não para apurar responsabilidades que dêem a lugar a uma justa punição – o inquérito que o Presidente americano mandou abrir – espantemo-nos todos outra vez! – destina-se a apurar a legalidade das imagens obtidas.

 

Que estranha sociedade esta, em que a morte de um leão em África vale infinitamente mais do que o tráfico de órgãos de bebés!...

alinhado por fcrocha às 11:50

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