Terça-feira, 30 de Julho de 2013

O fundo do caixote do lixo

Quando vivia na casa dos meus pais, às vezes [muitas vezes] ia às bolachas e escondia a embalagem vazia no fundo do caixote do lixo para a minha mãe não dar conta. Não adiantava de nada: ela não sabia onde estava o pacote vazio, mas lembrava-se que havia um cheio. Agora, dou comigo a comer os Häagen-Dazs de doce de leite [que se trazem do supermercado mas não se diz aos miúdos que estão lá em casa] e a esconder a embalagem vazia no fundo do caixote do lixo. O resultado é ainda pior do que quando estava solteiro: “Quem comeu o gelado todo?”, grita o mais velho, quando descobre que desapareceu o gelado do congelador [que eu nem sabia que ele sabia que estava lá…].

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Sexta-feira, 26 de Julho de 2013

Não há férias sem malas (parte 4)

Hoje apetece-me continuar a saga das férias do típico português. Chegados a Portugal, aquele ar meio aparvalhado de quem está de férias, passa-nos logo. O motivo é simples: acabamos de nos lembrar que estouramos as poupanças todas. Ou seja, prevejo que vamos ficar uns dias [vá lá, umas semanas… quer dizer… uns meses, para aí meio ano, pronto!] sem sair de casa porque não temos dinheiro. É nesta altura que ganhamos tempo para ler todos aqueles livros que levamos para as férias [e nem lhes tocamos]. Estão a ver como as férias só óptimas e nos enriquecem culturalmente? Bom fim-de-semana!

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Quinta-feira, 25 de Julho de 2013

Voltamos à Grécia Antiga

Ser mensageiro na Grécia Antiga era uma coisa complicada: se a mensagem que ele transportava era positiva, faziam-lhe uma grande festa; Se, pelo contrário, a mensagem era negativa, matavam-no. Neste período quente da política local, sinto que trabalhar num jornal é algo muito semelhante à Grécia Antiga.

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Sábado, 20 de Julho de 2013

Não há férias sem malas (parte 3)

Ora, já vos falei dos preparativos para as férias e também já vos tinha falado da chegada ao resort. Bem, hoje vamos às actividades no resort. Sim, o bom turista português não desperdiça nada: traz todos os frascos do gel banho, a touca e os sabonetes disponibilizados pelo hotel. E, claro, vai a todas as actividades proporcionadas pelo hotel.  Vai às caminhas pela selva (uns 30 km!); vai à hidroginástica (que é aquela coisa que se faz aos berros na piscina quando estamos apenas a querer aproveitar o sol e a descansar); e aproveita o ginásio do hotel para fazer uma hora de passadeira, fechado numa sala e virado para uma parede (quando há quilómetros e quilómetros de terreno ao ar livre ali ao lado). Quando chegamos ao avião, sentamo-nos, apertamos o cinto e pensamos: estou mesmo a precisar de descansar. De tão cansados que vimos das férias, dormimos a viagem toda até Portugal.

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Sexta-feira, 19 de Julho de 2013

Ser político

Nos dias que correm, a palavra “político” parece estar algo desprestigiada, quer porque está associada a conflitos e a discussões sem sentido, quer porque aparece agregada a alguns escândalos financeiros. Talvez por isso, algumas pessoas, quando convidadas a integrar as listas para as eleições autárquicas do próximo dia 29 de Setembro, hesitem em aceitar o convite.

 

A propósito disto, lembrei-me do que disse há umas semanas o Papa Francisco numa das suas audiências gerais. O Papa lembrou que “o envolvimento da política é uma obrigação para um cristão”. E explicou porquê: “Os cristãos não podem fazer como Pilatos, lavar as mãos. Devemos implicar-nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum. […] Dir-me-ão: a política é demasiado suja. Mas é suja porque os cristãos não se implicaram com o espírito evangélico. É fácil atirar culpas… mas eu, que faço? Trabalhar para o bem comum é um dever de cristão”.

 

As palavras do Papa Francisco fazem cair por terra a tese dos que afirmam que a política não é para pessoas sérias. Hoje, mais do que nunca, a política precisa de pessoas que sejam movidas por um afã recto e nobre de melhorar a sociedade. A política precisa de pessoas dispostas a servir, pessoas que quando chegarem aos seus cargos sejam verdadeiros servidores de quem os elegeu. Fazem falta pessoas que tenham a humildade de se desprender dos próprios projectos e, mais do que ficarem presas ao que querem fazer, perguntem o que necessitam aqueles que os elegeram e em que os podem servir.

 

Parece-me conveniente eleger políticos que estejam mais disponíveis para ouvir os cidadãos comuns para perceberem onde decidir gastar o tempo e o dinheiro que lhes corresponde administrar. Em geral, diz-me a experiência que as pessoas, as famílias, querem coisas simples, mas concretas e muito importantes. As pessoas querem ter trabalho, segurança nas ruas e em casa, acesso à saúde, boa educação para os filhos e estabilidade.

 

Como afirmou o Papa Francisco, a política tomada como serviço público não é um trabalho sujo.

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Segunda-feira, 15 de Julho de 2013

O Prof. Marcelo matou a criança

Liguei a televisão na TVI para ver o comentário do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Às duas por três, para ilustrar a actual situação política, o comentador conta a episódio bíblico do Rei Salomão. Conta a Bíblia que o Rei Salomão, diante de duas mulheres que afirmavam que uma mesma criança lhes pertencia, determinou que se dividisse ao meio o menino, usando, para isso, um golpe de espada. Uma delas, então, desistiu da contenda e disse que preferia perder o filho a vê-lo morto. Salomão, sem dúvida, concluiu que aquela era a verdadeira Mãe.

 

Segundo o Prof. Marcelo, perante as duas mulheres que reclamavam a criança, o Rei Salomão puxou da espada, cortou a criança ao meio e entregou metade a cada uma delas. Conclui o comentador, ficaram a perder as duas.

 

Quando se fala de tudo em geral sem saber nada em concreto, dá asneira. Não há paciência para continuar a aturar opinião de quem acha que sabe de tudo sem saber de nada.

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Sexta-feira, 12 de Julho de 2013

A rendição do Comandante Supremo das Forças Armadas

Tenho um amigo com quem troco umas ideias sobre a vida política. Hoje, estivemos a conversar sobre a comunicação ao país de Cavaco Silva e chegamos a uma conclusão diferente da maioria das opiniões dos comentadores políticos. É essa opinião que quero partilhar convosco.

 

Na comunicação que fez ao país, o senhor Presidente da Republica cometeu, no meu entender, duas falhas graves. Comecemos pelo menos grave.

 

Perante a proposta do Primeiro-ministro, Cavaco Silva não apresenta uma única justificação para não a aceitar. Na verdade, ele nem diz se aceita ou não aceita. Ele simplesmente apresenta outra solução: quer o consenso entre o PSD, PS e CDS-PP, justificado com o cumprimento dos objectivos do memorando com a Troika.

 

Ora, mas esse já não havia sido assinado pelos três partidos? O que é aconteceu de novo que indicie a necessidade de uma maioria alargada? O Presidente da Republica acha que é necessário alterar a Constituição? Não me parece que isso esteja para acontecer neste momento. Há alguma reforma que não tenha avançado por causa do Partido Socialista e que seja necessária neste momento? Não. Há conflitualidade social exagerada acicatada pelos socialistas? Não, o PS até se tem portado bem nessa matéria. Afinal, para que quer um consenso a três? Fiquei sem entender.

 

Agora, aquela que para mim é a parte mais grave do discurso do Presidente da Republica.

 

Cavaco Silva deveria ter começado por equacionar se justificava-se ou não a realização de eleições. Acredito que não devia haver eleições, mas não é pelos motivos apresentados pelo Presidente da Republica.

 

Para fugir a essa discussão, para não entrar no detalhe se havia ou não a necessidade de realização de eleições legislativas antecipadas, Cavaco Silva vem simplesmente dizer que não se pode. Não se pode porquê? A resposta do Presidente da Republica é que é gravíssima!

 

Ele diz que há quem defenda a necessidade da realização de eleições antecipadas, mas ele próprio não se compromete a dizer se acha que devia haver eleições. Ele simplesmente diz que não pode haver eleições porque os senhores que nos emprestam dinheiro vão ficar chateados. Ou seja, Portugal, um país independente, está submetido a uma potência estrangeira de tal forma que condiciona o exercício da nossa soberania naquilo é há de mais sagrado em democracia: o povo pronunciar-se em eleições. Isto é a rendição do Presidente da Republica.

 

O Presidente da Republica, sem discutir se é necessário ou não a realização de eleições, diz logo que não pode haver porque os senhores da Troika zangam-se e deixam de nos emprestar dinheiro. O que significa que, naquilo que há de mais sagrado em democracia, que é a possibilidade do povo livremente se expressar quanto ao destino do país, Portugal está impedido de o fazer. Isto é a rendição do Comandante Supremo das Forças Armadas do meu país. Não se pode dizer que desertou, porque ele ainda lá está em Belém, mas rendeu-se.

 

Isto é a prova que quando as coisas estão mal, pode sempre acontecer algo bem pior.

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Sexta-feira, 12 de Julho de 2013

Para corrigir, no futuro, o que houver para corrigir

Certa vez, ouvi um amigo contar que foi assistir a uma conferência dada por um médico norte-americano chamado Bernard Nathanson. Este senhor, que faleceu há pouco tempo, começou por pousar as mãos abertas sobre a mesa e dizer que aquelas mãos tinham feito muitos milhares de vítimas. Parecia estar muito arrependido, atormentado por remorsos, e percorria o mundo à procura de minimizar o enorme erro que cometera. A utilização de uma nova tecnologia para estudar o feto no útero, quando se tornou director de um grande hospital de obstetrícia, fê-lo compreender a enormidade do seu erro.

 

Pessoalmente responsável por 75 mil abortos, tinha sido pioneiro nessa prática nos Estados Unidos da América, fundando uma associação que tinha como propósito revogar as leis americanas que eram contrárias ao aborto. Em apenas cinco anos, de 1968 a 1973, apesar de a maioria dos americanos serem contra o aborto livre, conseguiu que este fosse legalizado até ao momento anterior ao nascimento, ou seja, até aos nove meses.

 

Como conseguiu? No seu livro “The Hand Of God” conta tudo:

 

A primeira táctica era ganhar a simpatia da imprensa. “Convencemos os meios de comunicação de que permitir o aborto era uma causa liberal. Nós simplesmente fabricámos resultados e sondagens fictícias – dizíamos que 60 por cento dos americanos eram favoráveis à liberalização do aborto. Poucas pessoas gostam de fazer parte da minoria. Enquanto o número de abortos ilegais era aproximadamente de 100.000, nós dizíamos incessantemente aos meios de comunicação que o número era de 1.000.000. A repetição de uma grande mentira convence o público. O número de mulheres que morriam em consequência de abortos ilegais era de cerca de 250. O número que dávamos constantemente aos meios de comunicação era de 10.000”.

 

A segunda estratégia era atacar o catolicismo. “Nós difamávamos sistematicamente a Igreja Católica e as suas ideias socialmente retrógradas, apresentávamos a hierarquia como o vilão que se opunha ao aborto. Divulgámos aos media mentiras como: todos sabemos que a oposição ao aborto vem da hierarquia e não da maioria dos católicos, as sondagens provam que a maioria dos católicos querem uma reforma. O facto de que as outras religiões, cristãs e não-cristãs, eram (e ainda são) completamente opostas ao aborto foi constantemente silenciado, assim como as opiniões dos ateus pró-vida.”

 

A terceira táctica era ofuscar e eliminar toda a evidência de que a vida se inicia na concepção. “Uma táctica favorita dos abortistas é a ideia de que é impossível saber quando se inicia a vida humana; que isso é uma questão teológica, moral ou filosófica; nada cientifica. Ora a fetologia tornou inegável a evidência de que a vida se inicia na concepção. Como cientista, eu sei – e não apenas acredito – que a vida humana se inicia na concepção”.

 

Foi desta forma que um pequeno grupo conseguiu, há quase 40 anos, enganar os americanos. É bom que se saiba história, para corrigir, no futuro, o que houver para corrigir.

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Quarta-feira, 10 de Julho de 2013

Não há férias sem malas (parte 2)

Estava a falar-vos de férias, não era? O português passa o ano todo a sonhar com elas, a poupar para elas. Gasta um balúrdio para ir para um destino exótico e conhecer novas culturas. Só que quando lá chega descobre que existem mais 500 tipos que também falam português e têm uma pulseira igualzinha à dele. De repente, aquilo parece a Amadora, mas com palmeiras e areia (que não é para usar nas obras). Confinados ao espaço permitido pela cor da pulseira, conhece-se imenso da cultura exótica, principalmente o pior que eles têm de gastronomia. Todos os anos é a mesma coisa, só que o português esquece-se de um ano para o outro.

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Segunda-feira, 08 de Julho de 2013

Não há férias sem malas (parte 1)

Com este calor apetece-me falar de férias. Como não há férias sem malas, fico-me pelas malas. Português que é português faz duas semanas de férias, mas leva roupa para um mês. Uma mala por pessoa. E se lá faz frio? E se chove? Duas malas por pessoa. Às tantas, vamos querer comprar algumas coisas lá. E como é que as trazemos? Três malas por pessoa. E o que vamos fazer nos tempos livres? Toca a enfiar na mala mais cinco livros do que os que conseguimos ler num ano. Quando chegamos ao aeroporto já levamos excesso de bagagem. Ora, como temos que estar no aeroporto quase meio dia antes da hora do voo, vamos passear até ao free shop, que é mais barato. Na hora de embarcar, já levamos quatro malas e dois sacos plásticos em cada mão. Fiquei cansado com tantas malas! Na próxima falo das férias.

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Sábado, 06 de Julho de 2013

O que é irrevogável?

Irrevogável é um adjectivo que deriva do latim irrevocabilis, quer dizer que não se pode revogar, que não torna atrás e é sinónimo de irrecorrível, inapelável, definitivo, irrevocável e imprescritível. Se enquanto escrevia a carta Paulo Portas tivesse um dicionário à mão, tinha conseguido um brilharete com esta jogada sobre o PSD. Assim, arrisca-se a passar por um incoerente, que também é um adjectivo e quer dizer contraditório, dissonante, inconsequente, incongruente e disparatado.

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Sábado, 06 de Julho de 2013

Jornalices

No final do primeiro trimestre deste ano, os dados do Instituto Nacional de Estatística revelaram que a taxa de desemprego tinha aumentado. Estes dados fizeram as manchetes dos principais jornais nacionais e abriram todos os telejornais. No dia 1 de Julho, ou seja, na segunda-feira, os indicadores do Eurostat anunciavam um recuo na taxa do desemprego. Foi a primeira vez em dois anos que a taxa de desemprego desceu. Supostamente, isto seria uma boa notícia. Se assim é, por que é que não fez a manchete dos jornais, nem abriu os telejornais?

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Quinta-feira, 04 de Julho de 2013

Guardar notícias

Vitor Gaspar demitiu-se na segunda-feira, dia 1 de Julho. Ontem, o Diário de Noticias trazia esta notícia: "Clientes de supermercado cuspiram em Vítor Gaspar". Parece que o então Ministro das Finanças tinha ido, sem seguranças, às compras com a mulher e na caixa do supermercado foi insultado, cuspido e até o tentaram agredir. O que há de estranho nesta notícia para além da má educação e da falta de respeito de quem insultou o ex-ministro? Apenas o facto de este episódio ter acontecido há duas semanas e só ontem ter sido noticiado. Se os jornalistas sabiam disto há duas semanas, o que os motivou a guardar este episódio até ontem? Porque é que isto não abriu os telejornais há duas semanas?

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