Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2013

Grande promoção!

Acabei de meter combustível num posto Galp. Ao olhar para o talão descobri que ganhei um desconto de €2,06 para utilizar no Continente a partir do dia… 32 DE JANEIRO DE 2013. Eu ganhei um desconto e Janeiro ganhou mais um dia.

 

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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2013

Ironia das ironias

O secretário de Estado da Administração Local e da Reforma Administrativa, Paulo Júlio, demitiu-se porque foi acusado de ter passado para quadro, enquanto esteve na Câmara de Penela, um funcionário que estava com contrato a termo certo há mais de 20 anos. Ironia das ironias: Paulo Júlio é secretário de estado do ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas. Que diferença de comportamentos!

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Sábado, 26 de Janeiro de 2013

Parecemos romanos

Às vezes sinto que vivemos uma nova era romana. Durante seis anos fomos governados por políticos que nos aliciaram com pão e circo. Agora, somos governados por políticos sem pudor que me fazem lembrar o teatro romano no fim do império, quando as cenas pornográficas eram representadas ao natural à vista do público.

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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2013

Autárquicas

Autárquicas I. Avizinham-se as eleições autárquicas. As oposições começaram já a apresentar os candidatos, quem está no poder começa a usar essa faculdade para ter mais visibilidade. Este é um período particularmente difícil para o nosso jornal. Quem está no poder quer ver toda a sua actividade espelhada nas páginas do VERDADEIRO OLHAR, como se de uma caixa de ressonância se tratasse. Quando isso não acontece, lá se vai a (pouca) publicidade que vamos tendo. A oposição, por seu lado, entende que o jornal deve dar voz a tudo o que dizem e fazem. Quando isso não acontece, e como ainda não nos podem cortar nada, acusam-nos de fazermos fretes a quem está no poder a troco de publicidade. Foi assim no passado e, não tenho dúvidas, será assim até às autárquicas de Outubro.

 

Autárquicas II. Este ano, no VERDADEIRO OLHAR, trataremos as eleições autárquicas de forma diferente. Ao contrário do que aconteceu em 2009, não iremos às múltiplas conferências de imprensa de apresentação de candidatos às juntas de freguesia. Quando estiverem todos apresentados, informaremos os nossos leitores, de uma só vez, de quem são.

 

Autárquicas III. Em regra, as disputas eleitorais são uma competição de promessas, sem a mínima adesão à realidade. Isto é um princípio que não estamos dispostos a aceitar! Quem prometeu tem que cumprir! Por isso, nas próximas semanas, analisaremos o que foi prometido em 2005 e o que foi cumprido.

 

Autárquicas IV. Nesta fase em que os candidatos já começam a preparar as suas campanhas, é desejável que não prometam aos eleitores mais do que aquilo que, com a informação que têm ao seu alcance, sabem que podem concretizar. A todos é fácil prometer e imaginar outras realidades. Mas, neste tempo de dificuldade, é preciso que as propostas que vão ser feitas estejam em concordância com a realidade: trabalhar com o que têm, no tempo de que dispõem. Às vezes, os políticos esquecem-se de que os eleitores votam de quatro em quatro anos, não votam para uma geração. E não votam, sobretudo, para alimentar toda uma geração que não consegue sequer articular um projecto para quatro anos.

 

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Sábado, 19 de Janeiro de 2013

Há ditaduras com mais liberdade.

Confesso que esta caso [Tribunal tira-lhe 7 filhos por recusar laqueação de trompas] me deixa muito preocupado. Esta mãe passava dificuldades, como qualquer mãe nos dias de hoje, mas os filhos não passavam fome. No processo não há qualquer referência a maus-tratos físicos ou psicológicos ou a outro tipo de abusos. Inclusive, a sentença afirma que há laços de afectividade fortes na família e refere que as filhas mais velhas têm sucesso escolar e estão bem integradas no seu ambiente social. A decisão do Tribunal de Sintra sustenta-se apenas no facto de a mãe recusar-se a laquear as trompas. A mãe deixou claro ao juiz que, por ser muçulmana, não se poderia submeter a essa operação, mesmo assim ficou sem todos os seus filhos.

 

 

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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013

Uma proposta

Fruto das consequências da grave crise económica que afecta o nosso país, o número de famílias desfavorecidas tem aumentado significativamente. São cada vez mais as pessoas que não têm trabalho e, consequentemente, não têm dinheiro para sustentar a sua própria família. Provavelmente, os leitores também conhecem alguém próximo nessa situação.

 

Numa altura em que a palavra austeridade faz parte do vocabulário corrente, proponho que sejamos austeros connosco próprios. Aplicando um pouco de austeridade à nossa vida corrente, por solidariedade com os menos afortunados, sentiremos voluntariamente na nossa pele a pobreza que outros, por necessidade, têm obrigação de aceitar. Esta minha proposta não é masoquismo, mas apenas uma forma de estar mais perto dos que precisam. Pode ser que consigamos poupar alguma coisa, destinar uma parte para ajudar quem está em pior situação do que a nossa e guardar outra parte como precaução para um futuro que é incerto. Se formos capazes disto, estaremos a transformar austeridade em solidariedade.

 

 

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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2013

O exemplo que chega da Hungria

Há uns dias, li uma interessante entrevista a Viktor Orban, o primeiro-ministro da Hungria, na qual defende que se os países europeus não implementarem mudanças radicais, estão condenados a desaparecer. Orban, que tem sido criticado por muitos dirigentes europeus, afirma que Bruxelas não pode ser igual a Moscovo no tempo da URSS: “Em Bruxelas, tem que haver debate, e as nações têm que representar os seus interesses. Se há interesses comuns, pomo-nos de acordo. Se não há interesses comuns, não pode ser Bruxelas a ditar o que temos que fazer”. E acrescentou: “Sempre que há uma crise, Bruxelas impõe a mesma receita”. Viktor Orban explica que é possível fazer com que a crise não caia apenas sobre as pessoas. Por isso, e entre outras medidas, o seu Governo controla o preço da electricidade, da água e dos combustíveis. “Não permito que se aproveitem das pessoas”, justifica. Também baixou os impostos às pessoas com baixos rendimentos e aumentou os impostos aos bancos e às multinacionais que têm monopólio. O certo é que, em 2010, altura em que assumiu o Governo, a Hungria estava pior do que a Grécia e, hoje, apresenta uma recuperação admirável.

 

 

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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2013

Ainda bem que é de esquerda

O senhor Hollande montou uma operação militar no Mali. Até agora, não há imagens de crianças mortas ou feridas, não há imagens de pessoas a queimar a bandeira francesa ou a espezinha-la nas ruas do Mali. Deus Nosso Senhor nos livre se em vez do senhor Hollande estivesse no poder o senhor Sarkozy! Como foi um presidente de esquerda, foi uma intervenção no Mali. Se fosse um presidente de direita, teria sido uma invasão ao Mali.

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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2013

A política nacional bateu no fundo.

Ontem, o PS saiu em peso a demarcar-se do coordenador socialista para a área da saúde por este ter proposto o fim da ADSE. Terão feito isto porque não concordavam com a proposta do camarada de partido? Tudo leva a crer que não. O deputado José Lello, no seu Facebook, sem qualquer pudor, explicou os motivos: O PS tem que ser contra o fim da ADSE porque a maioria dos beneficiários da ADSE, os funcionários públicos, são eleitores socialistas. Isto é trágico!

 

O PS começa a dar sinais que está à espera que o poder lhe caia no colo. António José Seguro farta-se de dizer que “sabe que não vai por ali”, mas nunca diz por onde vai. Para isso, já temos o PCP e o BE.

 

Quem quer governar pode dizer que não ia por ali, mas tem que dizer o que faria de diferente.

 

 

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Domingo, 13 de Janeiro de 2013

Que horrorosos!

Não sou amigo da Pépa Xavier. É verdade que a forma da miúda falar é “à tia de Cascais”. Mas o que disse de errado a Pépa para ser motivo de troça nacional? Disse que queria trabalhar para juntar o dinheiro suficiente para conseguir comprar uma carteira Chanel. O que tem isto de mal? Ela não disse que se ia endividar e muito menos endividar as gerações futuras. Será que querer comprar algo com o seu próprio dinheiro é errado?

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Sábado, 12 de Janeiro de 2013

Olha para o que eu digo...

O Partido Comunista vive a acusar e a reclamar de tudo. Cada vez que se quer mexer neste podre sistema de reformas que nos vai levar à falência, o PCP levanta-se num berreiro. O sistema de pensões defendido pelos comunistas é o mesmo que permite que esta autarca comunista se reforme aos 47 anos de idade, com quase dois mil euros por mês.

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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2013

Pornografias

Pornográfico I. Confesso que tenho muita dificuldade em compreender os raciocínios usados para cobrar impostos neste meu país. Cada vez que faço uma refeição num restaurante, o Estado cobra-me 23 por cento de IVA. No entanto, esta semana fiquei a saber que, se tivesse ido ver umas galdérias ao Salão Erótico, o mesmo Estado ter-me-ia cobrado apenas seis por cento de IVA. Sou obrigado a concluir que há quem acredite que ir ao Salão Erótico é uma necessidade primária e alimentar-me é um luxo. Numa altura em que pagamos impostos sobre tudo, não há um político – um único só – que tome a diligência de sugerir o fim desta pouca-vergonha?  

 

Pornográfico II. Durante três dias, o “Jornal de Notícias” destinou seis páginas a contar uma história que pode ser condensada em poucas linhas. Em 2009, Domingos Barros foi o mandatário da candidatura de Artur Penedos (à altura, assessor de José Sócrates) à Câmara Municipal de Paredes. Nesse mesmo ano, a Auto-Estradas do Douro Litoral pagou à empresa de Domingos Barros mais de meio milhão de euros por um terreno com menos de mil metros quadrados. A mesma empresa pública pagou ao vizinho de Domingos Barros apenas 35 mil euros por um terreno que tem mais do dobro do tamanho do que aquele que este tinha vendido. Domingos Barros recebeu metade do seu meio milhão um mês antes das eleições autárquicas e a outra metade no mês seguinte a essas eleições. O vizinho recebeu no ano seguinte. Eu não sei se isto é ilegal – é um assunto para os tribunais decidirem –, mas é decididamente imoral.

 

Pornográfico III. Glória Araújo também teve direito a honras de notícia nacional, também pelos piores motivos. A deputada de Paços de Ferreira foi detida, de madrugada, numa operação-stop no centro de Lisboa, por conduzir com excesso de álcool no sangue, 2,41 gramas por litro, quase cinco vez mais do que o consentido por lei. A deputada faz parte da Comissão de Ética e participou em várias acções sobre segurança na estrada. Na verdade, a única coisa que surpreende nesta notícia é o facto de ela não ter entrado em coma alcoólico com aquela taxa de alcoolemia.

 

Ânimo! Por tudo isto que acabei de escrever, acredito cada vez mais no povo do meu país. É que ser governado por gente deste calibre e sobreviver, não é para qualquer país europeu. O país aguenta-se porque é constituído por uma massa anónima de gente boa e trabalhadora. Ou como dizia o outro ministro: “Somos o melhor povo do mundo!”.

 

 

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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2013

É pornográfico

Confesso que tenho muita dificuldade em compreender este país. Cada vez que faço uma refeição num restaurante o Estado cobra-me 23 por cento de IVA. No entanto, seu tivesse ido ver umas gajas ao Salão Erótico, o mesmo Estado ter-me-ia cobrado apenas seis por cento de IVA.

 

Concluo que ir ao Salão Erótico é uma necessidade primária e alimentar-me é um luxo.

 

Numa altura em que pagamos impostos sobre tudo, não há um político que tome a iniciativa de propor o fim desta pouca vergonha?   

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Quarta-feira, 09 de Janeiro de 2013

Não é para qualquer um

As notícias dos últimos dias sobre a classe política têm sido verdadeiramente aterradoras. Desde deputados que participam em negócios de favores, que lesaram o Estado em milhões de euros, até deputados a conduzir completamente embriagados.

 

Por tudo isto, acredito mesmo que Portugal é um país resistente. Ser governado por gente desta e resistir não é para qualquer país da Europa.

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Terça-feira, 08 de Janeiro de 2013

Ficção e realidade

Por: João César das Neves

DN 2013-01-07

 

 

Nas últimas semanas o País viveu o interlúdio cómico de um suposto especialista da ONU divulgando um relatório alegadamente produzido por "uma equipe de sete economistas, que trabalhou no tema durante mais de um ano" (Expresso Economia, 15/Dez, p.12). Com alguns corados de vergonha e outros vermelhos de tanto rir, poucos se debruçaram sobre o aspecto interessante do episódio: como pode acontecer uma coisa destas? Como foi possível pessoas inteligentes, cultas e informadas serem enganadas desta maneira, aceitando como boa a análise de um ignorante? Há aqui um mistério que merece investigação.

 

Uma possibilidade é o economista, mesmo falso, ter dito coisas certas e sensatas. Assim não admiraria que até observadores atentos e informados fossem enganados. Mas se esta solução resolve o primeiro enigma, levanta outro pior. Será que um qualquer "chico-esperto", sem estudos ou diplomas, consegue nesta situação tão complexa dizer coisas equivalentes aos grandes especialistas internacionais? Afinal todas aquelas teorias, estatísticas, equações e modelos não servem para nada? Sendo assim, para quê perder tempo e dinheiro a escrever e ler esses relatórios? Bastaria perguntar ao taxista ou ao avô surdo para ouvir o mesmo.

 

Mas terá o homem dito mesmo coisas acertadas? De facto as suas afirmações foram disparates monstruosos: "Desemprego de 24% em 2014" (p.1), "41% do total da dívida soberana ... advém da obrigatoriedade do cofinanciamento pelo Orçamento de Estado português" (p.12); "340% do PIB de endividamento global" (p.13), etc., etc. São atoardas tão absurdas e dislates tão exagerados que facilmente seriam desmascarados numa consideração ponderada. Se o suposto especialista tivesse usado os relatórios verdadeiros de instituições internacionais, diria coisas opostas às que disse. Banco Mundial, FMI e OCDE (o PNUD não é conhecido pela qualidade das suas análises conjunturais de países desenvolvidos, por não ser essa a sua função) apresentam cenários muito diferentes.

 

As previsões da taxa de desemprego para 2014 andam entre 15,9% e 16,6%, ainda muito elevadas, mas já a descer. A economia portuguesa estará a crescer nesse ano, mesmo que muito pouco (0,8%-0,9%) e a enorme dívida bruta total do País ao exterior não deve atingir sequer os 250% do PIB, quanto mais 350%. Nenhuma organização séria sugeriria a Portugal repudiar ou renegociar a sua dívida externa, o que lhe destruiria a credibilidade junto dos credores e agravaria os financiamentos externos por muitos anos.

 

Assim a resposta simples não colhe: o relatório fictício nunca poderia ter passado por verdadeiro. Voltamos então ao problema inicial: como conseguiu ele aldrabar tanta gente boa? A resposta é fácil. Aquilo que constava nas suas conferências e entrevistas (porque parece não haver relatório) era uma asneira pegada, mas que não destoa das asneiras que andam a dizer-se por aí em comícios, jornais e conversas de café. O burlão da ONU foi recebido de braços abertos simplesmente por trazer credibilidade institucional às convicções exageradas que hoje dominam a opinião pública.

 

Assim, involuntariamente, o caso mostra como o rei vai nu. De repente vemos que o que discursos, notícias e comentários afirmam está ao nível das tolices de um falsário. Na raiva, ninguém quer uma análise séria e ponderada da situação. Ninguém lê os verdadeiros relatórios das organizações reputadas, e as reportagens sobre eles incluem frases soltas, enviezadas e fora do contexto apenas das secções mais negativas, porque é isso que o público quer ler. Todas as antevisões positivas são descartadas como ilusórias, empolando-se qualquer contorno mau. Os catastrofistas são aplaudidos, enquanto se troça e insulta de quem tentar estimular, confortar e serenar os ânimos.

 

Todos anseiam por ser confirmados na sua certeza macabra de que isto vai de mal a pior. A esperteza do impostor, como dos discursos, foi dizer aquilo que as pessoas querem ouvir. Preferem a ficção à realidade, mesmo que seja pior que a realidade.

 

 

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Sábado, 05 de Janeiro de 2013

Como nasceu a paz, como renascerá agora!

Homilia do bispo do Porto na solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, Dia Mundial da Paz


1.Amados irmãos: Neste primeiro dia de 2013, Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus e Dia Mundial da Paz, começo por vos saudar vivamente, a todos e cada um dos que viestes a esta Sé, imagem vetusta e acolhedora da Santa Madre Igreja, como se figura no Porto. Tanto quanto o possa fazer, desejo-vos do fundo do coração de Deus as maiores felicidades pessoais, familiares e sociais, para o ano que começa hoje. Felicidade que, para nós, significa graça divina e vida pascal, no Espírito de Cristo, que sempre desafia, corrige e alarga a simples expectativa humana. E, com isto mesmo, desejo-vos aquela paz que os anjos proclamaram no nascimento de Cristo e não deixam de bradar a quem os oiça: «Paz na terra aos homens!».

 

O Evangelho que escutámos começou com estas palavras: «Naquele tempo, os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura». De tantas vezes que foi apresentado, este quadro bíblico gravou-se na mente e no afeto de todos nós, evocando-nos o presépio em que Jesus nasceu. Já nem o imaginaríamos doutro modo e, na verdade, este mesmo é essencial e bastante.

 

Das várias e legítimas representações de Cristo, o presépio e a cruz são certamente as essenciais e, por isso mesmo, inultrapassáveis para os crentes que somos e queremos ser. E, assim sendo, são também as mais legítimas e atraentes, o que não deixa de constituir um profundo mistério, ou seja, uma inegável verdade. De facto, quem pensaria num estábulo para o nascimento divino e quem pensaria numa cruz para entronizar um rei? Ninguém os imaginaria assim, antes que acontecessem, porque, antes de serem conclusão nossa, são oferta de Deus, gratuita e, por fim, convincente. Verdade que é imprescindível fonte de paz, pois esta não se alcança nem perdura a não ser na coincidência que tivermos com a realidade das coisas, a maior realidade das coisas e das vidas, aquela que só da Fonte se recebe.

 

Assim sendo, “entremos” de algum modo no quadro que São Lucas ilustrou. Não o achemos desprovido demais, nem o enfeitemos com a fantasia ou o gosto, pessoais ou alheios. Aceitemo-lo, para já, na simplicidade e inteireza com que foi coado pelas primeiras gerações cristãs. Sem demasiadas palavras, pois se trata de Palavra incarnada do próprio Deus; não são precisas mais imagens, porque aquele Menino é a própria imagem do Deus invisível.

 

Concentremo-nos então em cada personagem. E, começando pelos pastores, diz-se que se dirigiram apressadamente para Belém… Não eram grande gente, nem muito considerada, aqueles pastores antigos. Viviam nos campos, tratavam de animais e eram gente pobre. Porém, não hesitaram em acorrer aonde os mandavam e “apressadamente” o fizeram, até verem o Menino, que adoraram também.

 

Mas isso mesmo nos levará a acorrer, urgentemente acorrer, a tudo o que for pequeno e frágil, aí mesmo onde Deus nos espera, fazendo-se pequeno para nos fazer pequenos, paradoxal tamanho do Reino dos Céus, isto é, da Cidade da Paz. Indica-o, sem margem de dúvida, outro passo evangélico: «Jesus chamou um menino, colocou-o no meio deles e disse: “Em verdade vos digo: Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no Reino do Céu. Quem, pois, se fizer humilde como este menino será o maior no Reino do Céu. Quem receber um menino como este, em meu nome, é a mim que recebe”» (Mt 18, 2-5).

 

2.Intitulada “Bem-aventurados os obreiros da paz”, a Mensagem do Papa Bento XVI para este dia oferece-nos um resumido mas substancial compêndio da Doutrina Social da Igreja, para quanto respeite à justiça e à paz. Com óbvio relevo para a defesa e a promoção da vida, dizendo assim: «Caminho para a consecução do bem comum e da paz é, antes de mais nada, o respeito pela vida humana, considerada na multiplicidade dos seus aspetos, a começar pela conceção, passando pelo seu desenvolvimento até ao fim natural. Assim, os verdadeiros obreiros da paz são aqueles que amam, defendem e promovem a vida humana em todas as suas dimensões: pessoal, comunitária e transcendente. A vida em plenitude é o ápice da paz. Quem deseja a paz não pode tolerar atentados e crimes contra a vida» (Mensagem, nº 4).

 

- Que oportunidade, irmãos, que responsabilidade tamanha, se verdadeiramente procuramos a paz! Estando Deus aí mesmo, na vida em gestação, dentro ou já fora do ventre materno, como se torna prioritária a promoção e salvaguarda de cada vida humana, no arco total da sua existência terrena!

 

A fragilidade da vida uterina ou a fraqueza e enfermidade que a atinjam depois, são outros tantos apelos a que acorramos céleres – como os pastores do Evangelho – ao seu cuidado preciso, solidário e eficaz. Qualquer hesitação neste ponto, qualquer amolecimento cultural ou legal em relação a ele, é absolutamente um atentado à paz. À paz das consciências, que, quanto a isto, nunca adormecerão tranquilas, antes somarão pesadelos; e à paz das famílias e de sociedades inteiras, se contemporizarem com qualquer tipo de antinatalismo ou reducionismo existencial.

 

A tão mencionada “qualidade de vida”, deve significar, antes de mais, o reconhecimento da qualidade que ela essencialmente tem e sempre conserva, mesmo quando física ou mentalmente atingida. A paz – enquanto harmonia íntima e global de tudo quanto representa a verdade das coisas, começando pela verdade das pessoas – é obra e fruto da justiça, que nos manda dar a cada um o que lhe é devido e pertence. E a vida é a primeiríssima pertença de cada ser humano.

 

3.Também aqui não havemos de ter medo, nem de nos sentirmos esmagados por uma responsabilidade aparentemente incomportável, face à insensibilidade de outros em relação a este ponto fundamental. Quando o cristianismo nasceu, no Menino do Presépio, toda a grandeza do céu era pequeníssima na terra, e em grande contraste com o que se fazia naquele imponente Império Romano, no respeitante à vida humana. A escravatura era uma realidade geral e aceite; o aborto prática corrente; e o próprio bebé já nascido estava sujeito à vontade paterna, para continuar ou não a viver…

 

Alguma reflexão filosófica, como a dos estoicos, já criticava estas últimas práticas; mas foi, inegavelmente foi, a progressiva expansão evangélica nas inteligências e nos costumes que, pouco a pouco, conseguiu modificar positivamente as coisas, na legislação inclusive. É por isso muito estranho que alguém se lembre de apresentar hoje em dia como “progressos civilizacionais” autênticas regressões de dois mil anos, desprotegendo a vida em todo seu verdadeiro percurso, pré e pós natal. Sobretudo, quando a ciência nos demonstra agora, com toda a evidência, o desenvolvimento duma mesma vida desde o momento da sua conceção. - Há muito o faz a liturgia cristã, celebrando a Anunciação do Senhor em cada 25 de março, nove meses precisos antes do seu Natal!

 

Não tenhamos receio de, também neste ponto, «confessarmos Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da nossa esperança a todo aquele que no-la peça; com mansidão e respeito…» (cf. 1 Pe 3, 15). Ofereçamo-la mesmo a quem não a peça ainda, certos como estamos de que a verdade que nos chama a nós também chama a todos, como os pastores o foram ao pleno presépio de Cristo. Façamo-lo com atitudes concretas de salvaguarda e proteção da vida, respondendo da melhor maneira aos casos que surjam e apoiando todas as iniciativas nesse sentido, como já existem e hão de aumentar na nossa sociedade.

 

Há aqui muita urgência, semelhante à pressa com que os pastores acorreram ao pobre lugar onde Deus nascia no mundo. E convençamo-nos da verdade sempre comprovada: a decisão certa que tomamos hoje abre o amanhã que Deus nos oferece. Também aqui poderíamos aplicar a passagem bíblica: «Como deve ser santa a vossa vida e a vossa piedade, enquanto esperais e apressais a chegada do dia de Deus; […] nós esperamos uns novos céus e uma nova terra, onde habita a justiça» ( 2 Pe 3, 11-13).

 

4.Outras figuras nos mostrou o Evangelho ao redor daquele Menino em que nascia a paz, o «eterno menino de ainda agora», como magnificamente lhe chamou um escritor seiscentista (Padre Manuel Bernardes): Maria e José, luminosamente. Com eles e nos sentimentos que tiveram em relação a Jesus, encontraremos a paz e a maneira dela acontecer, nos corações e no mundo.

 

Sobretudo nas famílias, de dificuldades acrescidas nos tempos que correm. Não lhes falte a esperança, com a fé e a caridade em que a vida divina se faz sua também, nelas continuando o que o Evangelho nos deu a contemplar. Nas dificuldades que atravessarem, nunca estarão sós, recorrendo – sempre e além do mais – à lembrança viva e à companhia certa daqueles que primeiro viveram com o Filho de Deus feito homem. Como escreveu o Beato João Paulo II, na exortação apostólica que tão oportunamente dedicou ao pai adotivo de Jesus: «Um tal vínculo de caridade constituiu a vida da Sagrada Família; primeiro, na pobreza de Belém, depois, durante o exílio no Egito e, em seguida, quando ela morava em Nazaré. A Igreja rodeia de profunda veneração esta Família, apresentando-a como modelo para todas as famílias. […] Juntamente com a assunção da humanidade, em Cristo foi também “assumido” tudo aquilo que é humano e, em particular, a família, primeira dimensão da sua existência na terra» (Redemptoris Custos, 21). Jesus, Maria e José não se pouparam a nada, para estarem connosco em tudo. É esta a razão mais profunda da nossa paz.  

 

De novo vos recordo, caríssimos irmãos e irmãs, que o Papa Bento XVI nos dirigiu uma Mensagem para este Dia Mundial da Paz, oferecendo-nos um autêntico compêndio das principais propostas da Doutrina Social da Igreja em relação à vida, à família, à economia e à sociedade em geral. Bom será e também urgente que a leiais e estudeis, pessoalmente e em grupo, nas famílias e comunidades cristãs. Neste momento complexo e exigente que vivemos, no país e além dele, temos responsabilidades irrecusáveis, até pelo facto do continente europeu e da sua União em curso denotarem uma essencial contribuição cristã, que não há de faltar agora.

 

- Para todos e para as vossas estimadas famílias, desejo-vos um feliz 2013, que seja verdadeiramente, em cada dia e ocasião, pleno da graça e da paz de Nosso Senhor Jesus Cristo!

 

Sé do Porto, 1 de janeiro de 2013

D. Manuel Clemente, bispo do Porto

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Sexta-feira, 04 de Janeiro de 2013

A Personalidade do Ano 2012

João Paulo Baltazar é a “Personalidade do Ano” do Jornal VERDADEIRO OLHAR.

 

Assumiu a presidência da Câmara Municipal de Valongo a meio do ano, mas rapidamente se destacou entre os seus colegas autarcas. Consciente das dificuldades económicas que o município atravessava, aplicou um verdadeiro plano de austeridade, com resultados muito positivos: o município saiu da lista dos mais endividados, diminuiu o passivo de 25 milhões para 16 milhões de euros e registou a maior redução de funcionários no país.

 

Por outro lado, o facto de estar a menos de um ano das eleições autárquicas não o impediu de tomar medidas menos populares: encerrou duas piscinas municipais e anunciou que não ia gastar os mais de cinco milhões de euros necessários para cumprir uma promessa feita pelo seu antecessor, Fernando Melo, de dotar o Ermesinde com um campo de futebol.

 

Já na última semana do ano, mesmo estando em minoria no executivo e na Assembleia Municipal, conseguiu ver aprovado o primeiro orçamento deste mandato. Um orçamento magro, mas realista: apenas 32 milhões de euros para um concelho que tem 33 milhões de receitas certas.

 

Este orçamento devia fazer corar de vergonha a maioria dos autarcas dos concelhos vizinhos e seus colegas de partido. Por tudo isto, João Paulo Baltazar é a nossa personalidade do ano.

 

 

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Quarta-feira, 02 de Janeiro de 2013

Mais de 100 mil mártires

Numa altura em que se fazem balanços sobre o ano que terminou e se publicam números que ilustram o ano de 2012, há um número que importa não esquecer: o número de cristãos mortos por causa da sua fé.

 

Segundo o Observatório da Liberdade Religiosa, sediado em Itália, pelo menos 105 mil cristãos perderam a vida por causa da sua fé.

 

É incompreensível que em pleno século XXI, em apenas um ano, tenham morrido mais de 100 mil pessoas pelo simples facto de demonstrarem publicamente a sua fé católica.

 

O documento apresentado no início da semana revela três zonas principais de risco: Os países onde o fundamentalismo islâmico é mais forte; os regimes totalitários comunistas; e onde existem nacionalismos étnicos.

 

Há países onde o simples facto de ir à missa ou à catequeses pode ser algo perigoso.

 

Numa altura em que a liberdade é direito quase universal, a liberdade religiosa é muitas vezes esquecida.

 

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