Quinta-feira, 27 de Setembro de 2012

Assim vai a comunicação social nacional.

Na passada terça-feira, dia 25, estes foram alguns dos títulos da comunicação social portuguesa:

 

RTP: “Mitt Romney defende que janelas dos aviões deveriam poder ser abertas”;

SIC: “Mitt Romney parece desconhecer porque não se abrem as janelas dos aviões”;

Expresso: “Mitt Romney não percebe porque as janelas dos aviões não podem ser aberta”;

TSF: “Mitt Romney quer abrir as janelas dos aviões”;

Público: “Há uma razão para que as janelas dos aviões não se abram, mas Mitt Romney parece ter dúvidas”;

Diário Digital: “Mitt Romney quer poder abrir as janelas dos aviões durante o voo”;

JN: “Romney indignado porque janelas dos aviões não abrem”.

 

Às tantas, dei comigo a pensar o que é que leva um homem que é Juris Doctor e MBA por Harvard, empresário de sucesso, governador do Estado de Massachusetts, CEO dos Jogos Olímpicos de inverno de 2002 e candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos da América a fazer uma declaração tão estupida. Mas o que mais me intrigou foi porque é que a imprensa americana, mesmo aquela que é hostil ao candidato republicano, não falou sobre este assunto e a imprensa portuguesa deu o destaque que se vê nos títulos que acabei de publicar. O jornal Público até se deu ao trabalho de falar com uma professora do Instituto Superior Técnico para ela explicar porque é que as janelas dos aviões não abrem.

 

A imprensa americana não deu destaque a esta notícia porque estava presente no jantar de angariação de fundos para a campanha eleitoral onde Mitt Romney, a propósito de um incidente com um avião em que viajava a mulher, contou uma piada sobre as janelas dos aviões não abrirem para arejar no caso de ficarem com fumo, como tinha sido o caso do avião que transportava a sua mulher. Na sala todos se riram porque perceberam a piada, inclusive a imprensa americana que não tratou do assunto por se tratar de uma piada.

 

De todas os órgãos de comunicação social que citei no início deste texto, apenas o jornal Público teve a dignidade de publicar uma rectificação e declarar que, afinal, tratava-se de uma piada contada por Mitt Romney.

 

Isto dá-nos uma ideia do ponto a que chegou o jornalismo que se pratica em Portugal.

 

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Terça-feira, 25 de Setembro de 2012

Regras do comentário político à portuguesa

(a). Estar calado enquanto um governo de esquerda enterra o país, mantendo, até ao fim, uma atitude de defesa ou de ambiguidade em relação à força mui progressista que está no poder.

 

(b). Lançar toda a violência verbal sobre o governo direitolas que lidera há ano e meio um país falido e dependente de credores externos. É o que se chama atacar o efeito depois de pactuar com a causa.

 

(c). Manuela Ferreira Leite não interessa na análise à causa (2009) , só interessa nas críticas ao efeito (2012). Ferreira Leite já não é a velhota que recusa vender sonhos, já não é a líder do "bota-abaixismo"

 

(d). Quando conduz um país à bancarrota, um primeiro-ministro de esquerda não é incompetente ou insensível em relação ao fardo que deixa para o futuro. É apenas alguém que se limita a seguir, ora essa, uma "política económica" assente nos "incentivos ao crescimento" pedidos por 90% da elite comentadeira. Então, por que razão estamos em crise? A culpa é da Merkel, da UE, do Euro, dos mercados.

 

(e). Quando tenta retirar o país da bancarrota, um primeiro-ministro de direita é um monstro de insensibilidade. 

 

(f). Quando não corrige um erro, um primeiro-ministro de esquerda não é  arrogante ou autoritário. É, isso sim, um "animal politico".

 

(g). Quando não corrige um erro, um primeiro-ministro de direita é arrogante, um pequeno líder autoritário ou um fascizóide que toma um chá das cinco "neoliberal". 

 

(h). Quando admite o erro e recua, o primeiro-ministro de esquerda revela uma enorme sensibilidade social e uma capacidade inata para ouvir o povo, para apalpar o pulso do país.

 

(i). Quando admite o erro e recua, um primeiro-ministro de direita perde a sua autoridade e a legitimidade do seu governo fica comprometida.

 

Henrique Raposo (www.expresso.pt) Segunda feira, 24 de setembro de 2012 

 

 

 

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Domingo, 23 de Setembro de 2012

Início de ano.

Este Domingo está a ser verdadeiramente de Outono. Esta é a estação do ano em que tudo me sabe a novo. É o cheiro a terra molhada, as folhas que começam a amontoar-se no chão, o regresso às aulas (que já foi só meu, depois só dos meus filhos e agora é de ambos) e o início de novos projectos. Faz-me falta esta estação intermédia para arrumar o que ficou para trás e preparar os próximos tempos que serão intensos com o arranque de novos projectos

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Sábado, 22 de Setembro de 2012

Quando não há pão...

Se a notícia de capa do Expresso estiver correcta, os milhares de portugueses que por estes dias se manifestaram vão chegar à conclusão que, mal por mal, mas valia ter deixado estar como estava. “Quando não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”.

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Sexta-feira, 21 de Setembro de 2012

O administrador do insolvência.



Assim de repente, parece que toda a gente resolveu chicotear o actual governo. Não pelas asneiras que este governo fez – fez algumas e graves! – mas pelo que foi feito pelo anterior governo. Isto faz-me lembrar aqueles funcionários das empresas falidas que protestam contra o administrador da insolvência, esquecendo-se de quem provocou a insolvência.


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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012

Janela de oportunidade

A inauguração do “Art on Chairs” no concelho de Paredes é, provavelmente, o maior evento mundial de arte e “design” centrado numa peça de mobiliário, neste caso, na cadeira. A autarquia espera que este evento possa potencializar as exportações de mobiliário do concelho de Paredes, mas isso só será possível se existir um casamento entre estes eventos e os empresários de mobiliário. À excepção da marca Antarte, não me parece que os empresários locais tenham percebido bem a janela de oportunidade que se abre com esta exposição.

 

A grande maioria das quase 800 empresas deste concelho não tem uma marca forte, mas esta exposição permite que cada uma delas se associe, sem custos, a duas marcas que terão uma projecção internacional: o “Art on Chairs” e Paredes. Estas duas marcas poderão servir de meio de diferenciação relativamente ao mobiliário de outras regiões. Mas isto só acontece se cada uma delas souber comunicar com os potenciais clientes. E comunicar é investir em publicidade junto dos clientes internacionais para formar uma imagem da empresa ligada à marca. Isto criará associações favoráveis, influenciará as atitudes e o comportamento de compra. O mercado ignora sempre os produtos que não são comunicados. Na hora de comprar mobiliário, a maioria das pessoas não terá em conta a qualidade intrínseca do mobiliário, mas sim o prestígio que lhe confere. Se tivermos em conta as personalidades que se associaram a este evento, rapidamente perceberemos que isto confere prestígio ao mobiliário de Paredes.

 

Assim, dei comigo a pensar no que é que eu faria se tivesse uma empresa de mobiliário com sede no concelho de Paredes. Por certo que convidaria os meus melhores clientes a visitar as exposições que estão patentes na cidade. Se tivesse possibilidades económicas, tentaria que a exposição fosse até às principais cidades europeias, junto dos meus clientes. Se tivesse menos recursos, optaria por contratar um bom fotógrafo, fazer um catálogo com todas as cadeiras expostas e enviava-o a cada um dos clientes, dando-lhes conta do que de melhor se faz nesta região. Há uma coisa que não deixaria de fazer, com toda a certeza, que era aproveitar o facto de figuras públicas como José Mourinho, Cristiano Ronaldo, Eduardo Souto de Moura, Luciano Benetton, Manoel de Oliveira, Maria Bethânia, Mia Couto, Mariza e Ramos Horta terem apoiado este evento para os associar ao melhor “design” de mobiliário e criar valor na minha marca pelo simples facto de estar sediada em Paredes.

 

Numa altura de crise, o “Art on Chairs” pode ser uma oportunidade única para os empresários locais. Mas, para isso, não basta ficar à espera dos resultados: é preciso comunicar bem.

 

alinhado por fcrocha às 09:48
Quarta-feira, 19 de Setembro de 2012

Os melhores e os piores.

A lei que impede os autarcas de se candidatarem a mais de três mandatos consecutivos tem coisas boas e más. Eu dou-vos dois exemplos. Uma coisa boa: impede que Luis Filipe Menezes continue a arruinar as contas da Câmara Municipal de Gaia. Uma coisa má: abre a possibilidade deste vir a fazer o mesmo na Câmara Municipal do Porto. Eu acredito que os melhores e os piores políticos são os autarcas. Rui Rio é um desses bons políticos e Luis Filipe Menezes um dos piores políticos.

alinhado por fcrocha às 19:35
Sexta-feira, 14 de Setembro de 2012

Motivos para sair de casa.

Ter a sorte de viver numa das zonas mais dinâmicas do país é uma felicidade. Ora vejam lá o que se pode fazer de hoje até Domingo à noite. Hoje, podemos ficar por Paredes e assistir à inauguração da maior exposição mundial de design centrado na cadeira, o "Art on Chairs". Depois disso, dá tempo a ir jantar a Penafiel à “Festa do Caldo de Quintandona”. Amanhã é dia de vestir as cores de Portugal e ir até Lordelo assistir ao último jogo do Campeonato Europeu de Hóquei em Patins. O Domingo é um excelente dia para passear pelas ruas da cidade de Penafiel e participar na feira “Doces e Sabores”. São dezenas de barraquinhas, cada uma mais provocadora que a outra. Como vêem, este fim-de-semana não têm motivos para ficar em casa.

alinhado por fcrocha às 15:41
Quinta-feira, 13 de Setembro de 2012

Erro de comunicação.

Na passada sexta-feira, em apenas alguns minutos, o Primeiro-Ministro destruiu todo o capital político que ainda lhe restava. Pedro Passos Coelho cometeu o maior e mais flagrante erro de comunicação política dos últimos anos.

 

Primeiro: não se entende por que é que a comunicação ao país foi feita minutos antes de um jogo de futebol da selecção nacional. Se as medidas são para constar no Orçamento do Estado de 2013, não poderiam ter sido anunciadas noutro dia, à hora dos noticiários?

 

Segundo: anunciar que a redução da Taxa Social Única (TSU) para as empresas vai criar emprego é um engano crasso. Numa altura de crise internacional, em que os potenciais mercados das nossas empresas estão de rastos, nenhuma empresa se atreverá a criar mais postos de trabalho. Para além disso, as maiores empresas nacionais não vão criar empregos, os bancos, a PT, a EDP ou a GALP não vão criar postos de trabalho. A essas empresas saíu-lhes um jackpot gordo, porque o que vão poupar na TSU servirá apenas para aumentar os seus lucros. As que poderiam criar postos de trabalhos são as pequenas e médias empresas, mas para isso não precisam da redução da TSU, precisam de acesso ao crédito, que continua bloqueado pelos bancos. Por isso, a redução da TSU neste momento é injusta.

 

Terceiro: os trabalhadores vão ver o seu ordenado reduzido em sete por cento. No entanto, o Primeiro-Ministro não foi capaz de dizer para onde vai esse dinheiro, quando todos sabem que esse dinheiro não servirá para acautelar a reforma dos que agora descontam.

 

Quarto (o mais grave dos erros): Pedro Passos Coelho apareceu na televisão a anunciar mais impostos, mas esqueceu-se das medidas de redução da despesa pública. Num ano, o Governo não fez praticamente nada para reduzir a despesa pública e isso é muito preocupante. Ao contrário do que prometeu em campanha eleitoral, o Governo não cortou nas “gorduras” do Estado. Não houve nenhuma reforma estrutural no domínio da despesa pública. Para fazer esta comunicação, o Primeiro-Ministro deveria ter começado por dizer, por exemplo, quantos milhões cortou com as rendas das ex-SCUT, quantos milhões cortou com as rendas da energia, quantos milhões cortou às fundações, quantos milhões poupou com a extinção dos milhares de institutos públicos ou quantos milhões poupou com as parcerias público-privadas.

 

Na comunicação ao país, o que o Primeiro-Ministro disse foi que transferiu capital das famílias para as empresas. As medidas anunciadas não vão criar emprego, mas vão criar a verdadeira contestação. Confesso que, para além de desiludido, fiquei chocado.

 

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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2012

Mais uma equivalência.

Há uns dias, o ministro Miguel Relvas andava por Timor. Hoje, está no Brasil reunido com empresários portugueses. Ora, se o homem é Ministro dos Assuntos Parlamentares, ou seja, o lugar dele é junto do Parlamento, deduzo que estas viagens estão relacionadas com a equivalência a Ministro dos Negócios Estrangeiros.

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Terça-feira, 11 de Setembro de 2012

Coisas que não se compreendem.

Há coisas que não se compreendem e ninguém trata de esclarecer. Uma dessas coisas que não se compreendem é qual foi o destino dado aos milhões que os bancos receberem de fundos públicos e do BCE para se recapitalizarem? Se eles não emprestaram aos particulares para comprarem casas e carros, nem emprestaram às empresas para poderem exportar, onde é que param os milhões de euros?

 

Infelizmente, esse dinheiro serviu para financiar as empresas públicas e comprar divida do Estado a juros chorudos. Segundo o SOL, nos últimos quatro anos, os bancos estouraram 37 mil milhões de euros em dívida pública.

 

Os bancos deixaram de financiar a economia para poderem financiar o Estado. As PME não precisam da redução da TSU, precisam de financiamento para poderem comprar matéria-prima e, com isso, para poderem exportar.

alinhado por fcrocha às 19:47
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Sábado, 08 de Setembro de 2012

Quatro vezes?

Nestas coisas do futebol sou meio despassarado. Só há pouco é que percebi que, daqui até ao final do ano, a selecção nacional de futebol vai jogar quatro vezes. Confesso que estou aterrorizado com a possibilidade do Primeiro-Ministro fazer uma comunicação ao país antes de cada um dos jogos.

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Sexta-feira, 07 de Setembro de 2012

A herança.

Provavelmente, D. João V terá sido o primeiro governante a mostrar preocupação com o património edificado, pois é dele o primeiro documento legislativo sobre a protecção dos monumentos nacionais. Em 20 de Agosto de 1721, fez publicar um alvará onde se lia que “daqui em diante, nenhuma pessoa de qualquer estado, qualidade e condição que seja, desfaça ou destrua em todo, nem em parte qualquer edifício que mostre antiguidade, ainda que em parte esteja arruinado”. Como se pode constatar, a preocupação com o património tem vários séculos.

 

O património edificado e de interesse histórico e cultural é um dos grandes legados da história. Essa consciência comunitária é cada vez maior e o património é visto como um factor de identidade cultural e o ex-líbris da identidade nacional. Para além disso, os monumentos têm uma vocação pedagógica, didáctica e turística, contribuindo para um desenvolvimento sustentável, favorecendo a manutenção de um conjunto de valores intrínsecos ao património.

 

Esta região tem o privilégio de possuir um património edificado notável. Por isso, faz todo o sentido o investimento na recuperação e conservação desse património, de forma a tirar dividendos. Poucos terão dúvidas de que o património, daqui a uns anos, representará uma das maiores fontes de rendimento do país.

 

Nesse sentido, esta semana inauguramos uma nova secção em que fazemos uma visita guiada a um dos 58 monumentos da Rota do Românico, sempre conduzidos por uma personalidade local que nos falará do monumento e da sua ligação a ele.

 

O objectivo desta nova secção é promover os monumentos e convidar os leitores a uma participação activa na descoberta de uma herança cultural comum, reforçando o sentimento de identidade cultural e nacional, sensibilizando-o para a importância da sua preservação, salvaguarda e valorização. Aproximar a população dos monumentos fá-la valorizar esta herança comum. Por isso, depois de ler estas visitas guiadas ao nosso património, convide a família ou os amigos e vá comprovar por si mesmo no local. Garanto-lhe que fará grandes descobertas.

 

 

alinhado por fcrocha às 18:46
Segunda-feira, 03 de Setembro de 2012

Há males que vêm por bem.

Admito que faço parte daqueles que nunca tinha ouvido falar do fresco Ecce Homo, de Elías Garcia Martinez, até que a senhora Cecília Giménez resolveu restaura-lo. Também nunca me tinha apercebido da existência do Santuário da Misericórdia, em Borja, Saragoça.

Isto para dizer que, depois da operação de restauro instantâneo (levou apenas duas horas) que a velhinha de 80 anos fez, o fresco que era desconhecido e que não tinha quase qualquer valor, passou a ser conhecido em quase todo o mundo e ganhou um enorme valor.

Cecília Giménez fê-lo por amor. É certo que o resultado não foi o melhor (para não dizer desastroso), mas fê-lo por amor à Virgem. O certo é que os habitantes de Borja acreditam que esta velhinha fez um grande milagre: o reitor do santuário afirma que nunca tiveram tantas visitas; Os comerciantes dizem que desde o restauro do Ecce Homo que são milhares e milhares de pessoas a visitar a pequena localidade. Há males que vêm por bem.

alinhado por fcrocha às 19:33

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