Sexta-feira, 29 de Abril de 2011

Isto ainda vai correr mal

Já aqui escrevi uma vez que um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, mostrava, entre outras coisas, que a maioria dos inquiridos aceitaria um governo autoritário que apresentasse solução para os actuais problemas económicos.

 

A pesquisa, realizada em países da América Latina, diz que 55% dos entrevistados declarou preferir um governo autoritário a um democrático, desde que resolvesse os problemas económicos. Importa aqui referir que esta novidade não é assim tão nova, pois resultados idênticos foram obtidos noutros estudos recentes em países europeus e desenvolvidos.

 

Acredito que se o mesmo estudo fosse realizado em Portugal, o resultado seria bem mais grave. Nos últimos anos temos assistido a PS e PSD delimitados por um interdito político absoluto: evitar a impopularidade. Faz-se qualquer concessão e evita-se qualquer decisão que possa provocar impopularidade. Inversamente, são capazes de aprovar qualquer medida, mesmo que se revele prejudicial no médio prazo, desde que ajude a fazer votos na próxima eleição.

 

O disparate é de tal forma grave que, mesmo numa época tão difícil como a que vivemos, estes dois partidos não se coíbem de continuar a brincar à política. O PS integrou nas suas listas a deputados um ex-concorrente do Big Brother e o PSD um Fernando Nobre que, pela primeira vez na história portuguesa, é candidato a presidente da Assembleia da República!

 

Esta semana, li uma entrevista de Otelo Saraiva de Carvalho em que este afirmou que Portugal precisa "de um homem com inteligência e a honestidade como Salazar" para resolver a crise que atravessa. Estas declarações são graves, principalmente vindas de quem dirigiu uma revolução contra a ditadura. Mas o que é certo é que estas palavras reflectem aquilo que muitos portugueses vão dizendo “à boca pequena”.

 

Parece-me que problema não está na democracia como forma de governo. O povo valoriza, deseja-a e pratica-a da melhor forma que sabe e pode. O problema está no PS, no PSD e na crónica resistência para governar. Um dia a factura vai sair cara!

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Quinta-feira, 28 de Abril de 2011

Sugestão de Leitura: "O Cientista Disfarçado - Investigando os pequenos acidentes do dia-a-dia"

Todos nós sabemos como as coisas podem correr mal: nódoas de vinho, torradas queimadas, computadores avariados… Mas quantos de nós param para pensar porque é que estes acidentes acontecem?

 

O Cientista Disfarçado, de Peter Bentley, é fascinado pela ciência do dia-a-dia, e neste livro esclarecedor, organizado num daqueles dias em que tudo parece correr mal, investiga a ciência por detrás de cada acidente, desde o fatídico episódio de não ouvir o despertador, a deixar a torneira da banheira a correr até inundar a casa de banho.

 

Ao fazê-lo, explica de forma clara o que acontece quando colocamos um objecto de metal no micro-ondas (as ondas eléctricas fazem com que o metal aqueça como o filamento de uma lâmpada) e o motivo pelo qual o suco da malagueta nos causa um ardor insuportável nos olhos (as malaguetas contêm um químico que faz com que as nossas terminações nervosas reajam como se se tratasse de uma queimadura). A partir destas questões, vai mostrar-nos como estes acontecimentos tão simples fazem parte de um padrão de princípios científicos que regem o mundo à nossa volta. Se quiser saber como é que um motor a diesel consegue funcionar com óleo alimentar ou porque é que um raio nunca cai duas vezes no mesmo sítio, O Cientista Disfarçado tem resposta para tudo.

 

Autor: Peter J. Bentley
Editor: Europa-América
Preço: €20,09

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Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

Sugestão de Leitura: "A Morte Tem Cura"

Já pensou porque é que os bebés chupam no dedo ou porque preferem os homens as loiras? Quer saber como os chuveiros podem fazer mal ao cérebro ou descobrir por que razão as mulheres gemem durante o sexo? Ou tem curiosidade em saber como a depilação aumenta o risco de cancro ou apenas como curar os soluços? Gostaria de saber exactamente a data em que vai morrer?

 

Durante anos, centenas de investigadores independentes apresentaram novas respostas e explicações para quase tudo. Cem dessas teorias foram reunidas em A Morte Tem Cura, livro baseado numa das mais polémicas publicações médicas do mundo: a Medical Hypotheses. Abordando cada tema sob uma perspectiva inovadora, o autor chega a conclusões que podem chocar o senso comum, até porque podem fazer sentido - muito sentido.

 

Autor: Roger Dobson
Editor: Casa das Letras
Preço: €15,00

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Quarta-feira, 20 de Abril de 2011

Não perder o norte

Havia quem dissesse que o número do apocalipse era o 666, mas pelo que vejo nos noticiários televisivos deve ser o 2011. Ui que medo! Já não se pode ligar a televisão sem que nos apareçam os assustadores jornalistas, economistas e políticos a lembrarem-nos da desgraça em que o país se encontra e do anunciado “fim do mundo” à escala nacional. Eu sei que o jornalismo vive o presente, sempre obcecado com a actualidade, mas tudo tem limites.

 

A crise é certa, é uma verdade, mas de nada adianta ficar a chorar e a repetir continuamente que o Estado não tem dinheiro. Há crise? Há, mas não é o fim do mundo. Podemos aproveitar esta crise para corrigir muitos dos erros que cometemos no passado e os vícios que herdamos.

 

Um dos erros que podemos começar por corrigir é o do código laboral, tornando-o mais justo. O código laboral português é um dos mais arcaicos do mundo e prejudica excessivamente a economia e os trabalhadores. Já repararam que ao longo dos anos as várias gerações foram produzindo leis para preservar os seus empregos à custa das gerações mais novas? Um funcionário incompetente que tenha dez anos de serviço na mesma empresa não pode ser despedido, porque os custos para a entidade patronal são tão elevados que, às vezes, é preferível deixa-lo vaguear pela empresa em vez de o substituir por um mais competente. E se o trabalhador tiver 20 anos de casa? É uma autêntica “vaca sagrada”. Isto impede o mérito. Impede as empresas de terem os melhores trabalhadores e afasta os investidores estrangeiros.

 

Também se pode aproveitar esta crise para acabar com um vício: o vício de receber sem trabalhar. Em Portugal, um trabalhador recebe 14 salários por dez meses de trabalho. Sim, dez meses, porque um é de férias e o outro é da palete de feriados, pontes e festas.

 

Se, de forma serena, formos capazes de corrigir erros, relançamos a economia e reconstruímos a esperança. E a esperança anda sempre ligada à confiança.

 

Ânimo! É preciso não perder o norte.

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Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

200 semanas

Até parece que foi ontem, mas já lá vão duzentas semanas sucessivas. Duas centenas de edições tornaram-nos no único semanário da região. Ao fim de dois milhões de jornais distribuídos, sobrevivemos a fenómenos bem piores que qualquer crise. Sobrevivemos a autarcas que, como forma de retaliação por noticiarmos o que lhes era menos favorável, cortaram a publicidade. Sobrevivemos a políticos que telefonaram aos nossos clientes a sugerirem que não fizessem publicidade no VERDADEIRO OLHAR. Sobrevivemos a políticos que mentiram e difamaram-nos só porque dissemos (um pouco da) verdade sobre eles. Tudo isto, tornou-nos mais fortes e mais líderes.

 

Temos sido inovadores em muitos sectores, o que nunca foi incompatível com a nossa linha editorial. Hoje, ninguém tem duvidas que o VERDADEIRO OLHAR é um projecto jornalístico forte e influente. Somos o único jornal da região que, todas as semanas, chega às 85 bancas. Duzentas semanas em que, apesar da crise económica, mantivemos um número mínimo de 24 páginas. Se na edição diferenciamo-nos pelo designer e pela qualidade gráfica, na edição online somos líderes incontestados. Fruto de uma edição completa, com conteúdos actualizados, várias vezes ao dia, mais de 15 mil pessoas lêem o VERDADEIRO OLHAR online diariamente. É no VERDADEIRO OLHAR online que se encontra a maior agenda cultural da região, visitada diariamente por mais de dois mil leitores. Fomos, e continuamos a ser, o jornal preferido para parceiro dos grandes eventos. Muitas das notícias da região que o país viu na imprensa nacional, os leitores do VERDADEIRO OLHAR leram-nas primeiro. Nestas duzentas semanas, também demos a conhecer o que de melhor existe na região. Demos a conhecer dezenas de artesãos que ainda mantêm a sua actividade, empresários anónimos que são exemplo de sucesso, artistas da região que têm sucesso para lá das fronteiras nacionais. Defendemos causas, sobretudo quando ligadas à região e à dignidade do seu povo. Assim continuaremos!

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Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

Foi pedido o resgate

Bom, dado o que está em causa é tão só o futuro dos nossos filhos e a própria sobrevivência da democracia em Portugal, não me parece exagerado perder algum tempo a desmontar a máquina de propaganda dos bandidos que se apoderaram do nosso país. Já sei que alguns de vós estão fartos de ouvir falar disto e não querem saber, que sou deprimente, etc, mas é importante perceberem que o que nos vai acontecer é, sobretudo, nossa responsabilidade porque não quisemos saber durante demasiado tempo e agora estamos com um pé dentro do abismo e já não há possibilidade de escapar.


Estou convencido que aquilo a que assistimos nos últimos dias é uma verdadeira operação militar e um crime contra a pátria (mais um). Como sabem há muito que ando nos mercados (quantos dos analistas que dizem disparates nas TVs alguma vez estiveram nos ditos mercados?) e acompanho com especial preocupação (o meu Pai diria obsessão) a situação portuguesa há vários anos. Algumas verdades inconvenientes não batem certo com a "narrativa" socialista há muito preparada e agora posta em marcha pela comunicação social como uma verdadeira operação de PsyOps, montada pelo círculo íntimo do bandido e executada pelos jornalistas e comentadores "amigos" e dependentes das prebendas do poder (quase todos infelizmente, dado o estado do "jornalismo" que temos).
 
Ora acredito que o plano de operações desta gente não deve andar muito longe disto:

 

Narrativa: Se Portugal aprovasse o PEC IV não haveria nenhum resgate.

Verdade: Portugal já está ligado à máquina há mais de 1 ano (O BCE todos os dias salva a banca nacional de ter que fechar as portas dando-lhe liquidez e compra obrigações Portuguesas que mais ninguém quer – senão já teríamos taxas de juro nos 20% ou mais). Ora esta situação não se podia continuar a arrastar, como é óbvio. Portugal tem que fazer o rollover de muitos milhares de milhões em dívida já daqui a umas semanas só para poder pagar salários! Sócrates sabe perfeitamente que isso é impossível e que estávamos no fim da corda.  O resto é calculismo político e teatro. Como sempre fez.

Narrativa: Sócrates estava a defender Portugal e com ele não entrava cá o FMI.

Verdade: Portugal é que tem de se defender deste criminoso louco que levou o país para a ruína (há muito antecipada como todos sabem). A diabolização do FMI é mais uma táctica dos spin doctors de Sócrates. O FMI fará sempre parte de qualquer resgate, seja o do mecanismo do EFSF (que é o que está em vigor e foi usado pela Irlanda e pela Grécia), seja o do ESM (que está ainda em discussão entre os 27 e não se sabe quando, nem se, nem como irá ser aprovado).


Narrativa: Estava tudo a correr tão bem e Portugal estava fora de perigo mas vieram estes "irresponsáveis" estragar tudo.

Verdade: Perguntem aos contabilistas do BCE e da Comissão que cá estiveram a ver as contas quanto é que é o real buraco nas contas do Estado e vão cair para o lado (a seu tempo isto tudo se saberá). Alguém sinceramente fica surpreendido por descobrir que as finanças públicas estão todas marteladas e que os papéis que os socráticos enviam para Bruxelas para mostrar que são bons alunos não têm credibilidade nenhuma? E acham que lá em Bruxelas são todos parvos e não começam a desconfiar de tanto óasis em Portugal? Recordo que uma das razões pela qual a Grécia não contou com muita solidariedade alemã foi por ter martelado as contas sistematicamente, minando toda a confiança. Acham que a Goldman Sachs só fez swaps contabilísticos com Atenas? E todos sabemos que o engº relativo é um tipo rigoroso, estudioso e duma ética e honestidade à prova de bala, certo?


Narrativa: Os mercados castigaram Portugal devido à crise política desencadeada pela oposição. Agora, com muita pena do incansável patriota Sócrates, vem aí o resgate que seria desnecessário.

Verdade: É óbvio que os mercados não gostaram de ver o PEC chumbado (e que não tinha que ser votado, muito menos agora, mas isso leva-nos a outro ponto), mas o que eles querem saber é se a oposição vai ou não cumprir as metas acordadas à socapa por Sócrates em Bruxelas (deliberadamente feito como se fosse uma operação secreta porque esse aspecto era peça essencial da sua encenação). E já todos cá dentro e lá fora sabem que o PSD e CDS vão viabilizar as medidas de austeridade e muito mais. É impressionante como a máquina do governo conseguiu passar a mensagem lá para fora que a oposição não aceitava mais austeridade. Essa desinformação deliberada é que prejudica o país lá fora porque cria inquietação artificial sobre as metas da austeridade. Mesmo assim os mercados não tiveram nenhuma reacção intempestiva porque o que os preocupa é apenas as metas. Mais nada. O resto é folclore para consumo interno. E, tal como a queda do governo e o resgate iminente não foram surpresa para mim, também não o foram para os mercados, que já contavam com isto há muito (basta ver um gráfico dos CDS sobre Portugal nos últimos 2 anos, e especialmente nos últimos meses). Porque é que os media não dizem que a bolsa lisboeta subiu mais de 1% no dia a seguir à queda? Simples, porque não convém para a narrativa que querem vender ao nosso povo facilmente manipulável (julgam eles depois de 6 anos a fazê-lo impunemente).


Bom, há sempre mais pontos da narrativa para desmascarar mas não sei se isto é útil para alguém ou se é já óbvio para todos. E como é 5ª feira e estou a ficar irritado só a escrever sobre este assunto termino por aqui. Se quiserem que eu vá escrevendo mais digam, porque isto dá muito trabalho.

 

Henrique Medida Carreira

2011-04-08 http://25doonze.wordpress.com/

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Segunda-feira, 11 de Abril de 2011

Sugestão de Leitura: Os Demónios de Berlim

Os Demónios de Berlim encerra trilogia protagonizada por Arturo Andrade

 

A Porto Editora publica mais um livro do jovem e talentoso escritor espanhol Ignacio del Valle. A edição de Os Demónios de Berlim, romance que encerra uma trilogia da qual fazem ainda parte O Tempo dos Imperadores Estranhos e A Arte de Matar Dragões, levanta uma questão: será o fim do protagonista, o tenente Arturo Andrade?

 

Sobre a obra:

Berlim, 1945. Os soviéticos avançam, imparáveis, pelas ruas repletas de escombros. Em toda a cidade a luta é violenta, e a derrota alemã está iminente. Arturo Andrade está no meio de todo aquele caos. A sua missão: localizar Ewald von Kleist, que acaba por encontrar morto na chancelaria do Reich com um misterioso bilhete nos bolsos.

 

Começa assim este thriller escrito com paixão e rigor documental que, com um ritmo que não dá tréguas ao leitor, nos aproxima de uma personagem que deverá enfrentar múltiplos demónios, os alheios e os seus próprios, para salvar a única coisa que parece escapar a este contexto atroz: o amor de uma mulher.

 

Os Demónios de Berlim

Autor:  Ignacio del Valle

Editor: Porto Editora

 Preço: €14,94

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Domingo, 10 de Abril de 2011

Sugestão de Leitura: O Clube do Cinema

Um pai, um filho e três filmes por semana… Uma história verídica e muito comovente.

 

Quando o seu filho Jesse tinha 15 anos, David Gilmour tomou uma decisão que muitos pais e educadores considerariam radical: deixou o filho desistir da escola. Esta decisão, contudo, não teve nada de simples. Ao ver o filho debater-se com a falta de motivação e as dificuldades em estudar, concentrar-se e ter notas positivas, Gilmour percebeu que talvez a escola não fosse o ambiente ideal de aprendizagem para o filho – e que as probabilidades de que ele não acabasse o liceu eram elevadas. Assim, permitiu que deixasse a escola; em contrapartida, exigiu que o filho adquirisse com o pai (um notável crítico de cinema) alguma forma de educação alternativa para a vida, o amor e o crescimento pessoal. A condição para o filho deixar a escola era passar três noites por semana a ver um filme com o pai – aquilo a que chamaram O Clube de Cinema.

 

O que se segue é um percurso de aprendizagem e formação invulgar, rico e comovente. Na companhia do pai – e através de filmes que vão desde Os 400 Golpes, de François Truffaut, a Instinto Fatal, de Paul Verhoeven, de Crimes e Escapadelas, de Woody Allen, a Há Lodo no Cais, de Elia Kazan – Jesse aprende poderosas lições acerca dos valores humanos e do sentido da vida. E David aprende aquilo de que tantos pais se apercebem demasiado tarde: que cada momento passado com o filho é uma oportunidade de crescimento para ambos.

 

O Clube de Cinema é um best-seller internacional, publicado em mais de 20 idiomas. Jesse Gilmour voltou a estudar… e hoje em dia é realizador e guionista.

 

O Clube do Cinema

Autor: David Gilmour

Editor: Pergaminho

Preço: €14,50

 

 

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Sexta-feira, 08 de Abril de 2011

Editorial de 08 de Abril de 2011.

Os espanhóis contam uma anedota engraçada. Num exame de química, uma das perguntas era sobre qual a diferença entre uma solução e uma dissolução. Um aluno respondeu: “Se metemos dois políticos num tanque de ácido, dissolvem-se. Isto é uma dissolução. Mas se os metemos a todos, isso é uma solução”.

 

Vem isto a propósito do que se passou esta semana no nosso país. Provavelmente, todos lembrar-se-ão da célebre frase do primeiro-ministro para justificar a crise e o aumento de imposto: o mundo mudou em quinze dias. Pois se o mundo havia mudado em duas semanas, desta vez a situação económica do país mudou em menos de 48 horas. Na passada segunda-feira, em entrevista à RTP, José Sócrates garantiu e voltou a insistir que não pediria ajuda financeira internacional, no mesmo dia em que os juros da dívida pública aproximavam-se perigosamente dos dez por cento. Na quarta-feira, o primeiro-ministro fez uma declaração ao país a informar que já havia pedido ajuda financeira à União Europeia. Mas se Portugal não consegue pagar a quem deve e não produz sequer o suficiente para o seu próprio sustento, o que fazer? Porque é que se adiou tanto tempo o inevitável?

 

Aquando da demissão do Governo, o Wall Street Journal escrevia que Portugal “necessita de reformas, não de austeridade”. De facto, sem reformas, sem mudanças nos hábitos consumistas do Estado, não há plano de austeridade que funcione. Antes de pôr o país a pão e água é necessário tratar de encontrar políticas que promovam a produção nacional.

 

Insistir em planos de austeridade assentes em cortes e mais impostos que apenas atingem os contribuintes, não mudando os hábitos consumistas do Estado, é o mesmo que fazer curas de emagrecimento de Verão. Tomam-se uns comprimidos que não deixam o corpo absorver a gordura e, no dia em que pararmos de tomar os comprimidos, vamos voltar a engordar como as vacas holandesas.

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Terça-feira, 05 de Abril de 2011

Dieta estival

Ontem, em entrevista à RTP, o José Sócrates voltou a insistir que não pedirá ajuda financeira internacional. Mas se Portugal não consegue pagar a quem deve e não produz sequer o suficiente para o seu próprio sustento, o que fazer?

 

Para agravar a situação, também ontem, os juros da divida pública ultrapassaram os nove por cento. Para quem não compreende muito bem qual a diferença entre esta taxa e os sete por cento admitidos por Teixeira dos Santos, é qualquer coisa como três milhões de euros nos próximos cinco anos.

 

A quando da demissão do Governo o Wall Street Journal escrevia que Portugal “necessita de reformas, não de austeridade”. De facto, sem reformas, sem mudanças nos hábitos consumistas do Estados, não há plano de austeridade que funcione. Antes de pôr o país a pão e água é necessário tratar de encontrar políticas que promovam a produção nacional.

 

Insistir em planos de austeridade assentes em cortes e mais impostos que apenas atingem os contribuintes, não mudando os hábitos consumistas do Estado, é o mesmo que fazer curas de emagrecimento de verão. Tomam-se uns comprimidos que não deixam o corpo absorver a gordura e, no dia em que pararmos de tomar os comprimidos, vamos voltar a engordar como vacas holandesas.

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Sábado, 02 de Abril de 2011

Editorial de 01 de Abril de 2011.

Propaganda. Gosto muito de ler o que os líderes dos dois maiores partidos vão dizendo por estes dias. Todavia, sobre soluções concretas para o país dizem pouco ou quase nada. Sobre medidas concretas, sobre um programa de governação, verdadeiramente, entendido com objectivos definidos e medidas propostas para os alcançar, aí, os dois maiores partidos nada ou quase nada adiantam. O PS preocupa-se em afirmar que foi o PSD que provocou a crise política. O PSD está interessado em nos dizer que vão ser necessários mais sacrifícios.

 

Mas eu compreendo esta atitude, se compreendo… enquanto tentam distrair os portugueses, não têm que explicar como vão governar caso vençam as eleições. Um não tem que explicar o que vai fazer de diferente do que fez durante seis anos, o outro não tem que explicar como é que vai conseguir governar diferente do partido do governo. Já chega de falar do acessório quando o fundamental fica por dizer.

 

Olhar para cima. Partilho consigo um pequeno texto da jornalista Aura Miguel sobre a situação do país. Subscrevo-o na totalidade. “A situação de Portugal é grave. Já o era há muito tempo, só que agora já não dá para fazer de conta. Resultado: se a tendência dos portugueses sempre foi carpir lamentações, imagine-se agora, com tantos motivos para pessimismo e desilusão!

 

Mas será que somos apenas o que estamos a viver agora ou nos definimos pelo estado de ânimo que nos domina?... É evidente que não, porque a nossa História tem mais de 800 anos, somos herdeiros de uma Nação com muita gente notável, com governantes de nobre carácter, que amaram Cristo e o seu povo e ainda hoje são elogiados pela humanidade com que regeram o destino dos portugueses.

 

Por isso, proponho-vos levantar o olhar, não para nos iludirmos, mas para ver coisas que o estado de ânimo ofusca, para viver com o realismo corajoso que o cristianismo nos propõe, com a comoção pelo destino de cada homem e mulher que é próprio da fé. Porque, afinal, se a fé não despertar a nossa razão, liberdade, afeição e todo o nosso eu – sobretudo, nas circunstâncias concretas em que nos encontramos – para que é que serve?”

alinhado por fcrocha às 17:50
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